Lágrimas e recorde histórico de CR7 num triunfo com um final louco

Uma vitória muito sofrida de Portugal sobre o Gana com os cinco golos a serem todos apontados na segunda parte. Ronaldo marcou e bateu mais um recorde para a sua extensa lista. Portugal é líder do Grupo H e se vencer segunda-feira o Uruguai garante já os oitavos.

Há três Mundiais consecutivos (2010, 2014 e 2018) que Portugal não entrava a ganhar no jogo de estreia na competição. A última vez tinha acontecido em 2006, na Alemanha, curiosamente também com um triunfo diante de uma seleção africana, no caso Angola, por 1-0. Esta quinta-feira, 16 anos depois, a vítima foi o Gana (3-2), num jogo com uma segunda parte de loucos e onde Cristiano Ronaldo bateu mais um recorde - tornou-se no primeiro jogador a marcar em cinco Mundiais. O triunfo permitiu à seleção nacional assumir a liderança do Grupo H e basta-lhe vencer segunda-feira o Uruguai para marcar lugar nos oitavos de final.

O jogo com o Gana teve duas partes completamente diferentes. Uma primeira em que Portugal dominou, mas onde faltou intensidade e velocidade para contrariar uma seleção que jogou muito recuada e a jogar na expectativa; e uma segunda a um ritmo muito intenso, com cinco golos (!) e um final de verdadeira loucura com o resultado incerto até ao apito final, e o Gana muito perto do empate num lance caricato que envolveu o guarda-redes Diogo Costa.

Santos apresentou um onze mais ou menos esperado, com Danilo no eixo defensivo (Pepe está parado há mais de um mês), Guerreiro no lado esquerdo da defesa (Nuno Mendes lesionado nem ao banco foi) e João Félix no ataque ao lado de Cristiano Ronaldo, em vez de Rafael Leão. Um onze com sete estreantes em Mundiais, pois só Guerreiro, Bernardo Silva, Bruno Fernandes e Ronaldo já tinham jogado numa fase final.

O início do jogo mostrou um Gana a atuar com uma linha de cinco defesas, em bloco baixo, a jogar na expectativa e no erro de Portugal, nunca incomodando Diogo Costa. A seleção nacional controlou por isso logo de início as operações, com Bernardo Silva em novas funções, no meio, assumindo-se como o construtor do jogo. Mas o domínio português não teve consequências na primeira parte, onde faltou intensidade e velocidade à seleção.

Ronaldo, que se emocionou durante o hino e não conseguiu disfarçar umas lágrimas, teve duas oportunidades - aos 10" isolado recebeu mal a bola e permitiu a defesa de Atizigi, e depois aos 13" cabeceou ao lado após cruzamento de Guerreiro. E ficaram-se por aqui as situações de real perigo. As estatísticas ao intervalo mostravam um Portugal com muito mais posse (62% contra 26%) e rematador (sete contra zero do Gana). Mas sem conseguir finalizar e com muitas dificuldades em construir lances de perigo quando chegava à área, com os africanos a fecharem todos os espaços.

O início da loucura

O Gana, que não tinha feito qualquer remate à baliza portuguesa na primeira parte, fez dois em apenas dez minutos no início da segunda, onde estranhamente, num jogo que pedia claramente um jogador com as características de Rafael Leão, Fernando Santos optou pela entrada de William Carvalho para o meio campo para o lugar de Otávio aos 56".

Portugal chegou finalmente ao golo de grande penalidade, cometida por Salisu sobre Ronaldo, e que o próprio capitão se encarregou de marcar (118.º golo pela seleção) aos 65". Um golo com história, pois permitiu a CR7, que jogou na qualidade de desempregado, tornar-se no único jogador que marcou em cinco fases finais de Campeonatos do Mundo. Para quem tanto o tem criticado, ele aí está a mostrar que está longe de estar acabado.

Só que o Gana, que nada tem a ver com aquela seleção indisciplinada e dada a escândalos que Portugal tinha defrontado e vencido (2-1) no Mundial2014, mudou da noite para o dia e foi para cima de Portugal, muito à custa dos seus jogadores mais experientes, casos de Partey (Arsenal), Iñaki Williams (Ath. Bilbau), Daniel Amartey (Leicester) e sobretudo Kudus (Ajax). E chegou ao empate aos 73" por André Ayew, num lance com culpas para os centrais portugueses - primeiro Rúben Dias e depois Danilo.

O jogo estava completamente partido, mas aos 76" João Félix voltou a colocar Portugal em vantagem, após uma brilhante assistência de Bruno Fernandes, numa altura em que Santos finalmente resolveu colocar Rafael Leão em campo. E o jogador do AC Milan provou que tem lugar nesta equipa (convém não esquecer que foi eleito o melhor jogador da liga italiana), apontando o terceiro aos 80", novamente com uma espetacular assistência de Bruno Fernandes.

O Gana não se rendeu e voltou a marcar aos 90", por Bukari, num lance em que João Cancelo ficou muito mal na fotografia (que longe está do lateral do City de Pep Guardiola). O árbitro deu nove minutos de desconto e o jogo continuou uma verdadeira loucura até aos últimos segundos. Com a bola nas mãos, Diogo Costa não se apercebeu da presença de Iñaki Williams atrás de si, valendo o corte providencial de Rúben Dias, primeiro, e Danilo, depois, num lance que poderia ter dado o empate aos africanos mesmo em cima do final. O jogo terminou, os portugueses respiraram de alívio, e agora venha o Uruguai na segunda-feira, onde uma vitória vale já o apuramento para os oitavos de final.

nuno.fernandes@dn.pt

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG