Sevilha-Barcelona. Uma final com um grande toque político

Adeptos separatistas preparam-se para assobiar o hino espanhol antes da Taça do Rei que se realiza na capital Madrid. Nas bancadas também haverá outras formas de protesto

Sevilha e Barcelona discutem esta noite (20.30, SportTV2) a final da Taça do Rei no Wanda Metropolitano, a casa do Atlético de Madrid, num jogo que vai muito além do aspeto desportivo devido ao contexto da causa independentista da Catalunha e sobretudo por se realizar na capital Madrid.

A maioria das peñas do Barcelona e outro tipo de entidades têm estado muito ativas nas redes sociais (e não só) a mobilizar os adeptos para que a final seja um veículo do movimento independentista, desafiando os simpatizantes do Barça a usarem T-shirts e laços amarelos, assim como bandeiras e tarjas, como modo de reivindicar a liberdade dos dirigentes catalães presos e dos exilados políticos.

Na memória de todos estão ainda as últimas quatro finais em que o Barcelona participou, nas quais os adeptos culés assobiaram o rei Felipe VI e o hino espanhol, algo que muito provavelmente se vai repetir esta noite. E é precisamente este ponto que está a levantar polémica. O ministro do Interior espanhol, Ignacio Zoido, já avisou que o governo vai estudar a aplicação da legislação antiviolência se os adeptos presentes "faltarem ao respeito a pessoas ou a instituições" - os castigos podem ir de pesadas multas até jogos à porta fechada. Uma opinião também partilhada por José Ramón, presidente do Conselho Superior do Desporto do país vizinho. "Respeitamos a liberdade de expressão, mas não gostamos de misturar política e desporto. Se as regras forem quebradas vamos tomar medidas", ameaçou.

O próprio presidente do Barcelona pronunciou-se sobre o assunto, lembrando que a Catalunha "vive uma situação política conflituosa" e que a região "continua sem formar governo, com líderes escolhidos democraticamente que estão na prisão ou exilados no estrangeiro". O tema foi obviamente focado na conferência de imprensa de Ernesto Valverde, treinador do Barcelona: "Não creio em castigos caso surjam assobios na altura do hino, porque até hoje isso nunca aconteceu. É algo que não nos diz respeito. Só nos preocupamos com as questões desportivas. Quanto mais se falar disso pior será", atirou o técnico.

Javier Tebas, presidente da Liga espanhola, defendeu esta semana que se pudesse (e estivesse sobre a sua alçada) mudava a legislação (que é omissa neste ponto) e suspendia o jogo caso os adeptos assobiassem o hino espanhol .

À margem das questões políticas, o Barcelona, que está a três pontos de se sagrar campeão espanhol, vai tentar hoje a conquista da quarta Taça do Rei consecutiva (algo que até hoje só Athletic Bilbau e Real Madrid conseguiram) e a 30.ª da sua história, espreitando a dobradinha. Já o Sevilha, que tem cinco troféus (o último ganho em 2010, quando bateram na final o At. Madrid), procura a desforra da final perdida para o Barcelona em 2015--16 (2-0 após prolongamento, com golos de Jordi Alba e Neymar).

"No Barcelona é sempre obrigatório ganhar. Mas recentemente vivemos uma situação que pode servir de alerta. Também éramos considerados favoritos e ficámos pelo caminho", referiu ontem Ernesto Valverde, recordando o jogo com a Roma, da Champions, em que o Barcelona tinha uma vantagem de 4-1 e perdeu em Itália por 3-0.

Para conquistar a quarta Taça do Rei consecutiva, o Barcelona conta com uma arma importante: Lionel Messi. É que o argentino costuma dar-se bem nos jogos contra os sevilhanos, com 30 golos marcados em 32 duelos contra os andaluzes, tendo saído vencedor em 23.

"Messi é um extraterrestre e espero que amanhã [hoje] não esteja na terra. Quando tem a bola é muito difícil de travar, por isso a receita é não deixá-lo ter bola", apontou Vincenzo Montella, treinador do Sevilha, confiante de que a sua equipa "vai conseguir conquistar o troféu frente a uma equipa formidável" e assim assegurar já um lugar na Liga Europa.

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