Mais uma final para Hélio Sousa e a sua nova geração de ouro

Portugal joga decisão do Europeu de sub-19, sábado, contra a Inglaterra: mais uma final para um grupo habituado a altos voos

No banco, está novamente Hélio Sousa. Em campo, apresenta-se o núcleo duro da equipa que se sagrou campeã europeia de sub-17, no ano passado. E todos juntos voltam a pôr a seleção nacional de futebol no caminho do sucesso: ontem, apuraram Portugal para a final do Campeonato da Europa de sub--19, com uma vitória, por 1-0, sobre a Holanda, na meia-final do torneio, que decorre na Geórgia. A decisão joga-se no sábado (17.00, Eurosport), contra a Inglaterra.

É mais uma final para o selecionador Hélio Sousa e a sua nova geração de ouro. Membro das primeiras equipas nacionais que receberam o rótulo dourado - vice-campeão europeu de sub-18, em 1989, e campeão mundial de sub-20 em 1990, como jogador -, o setubalense tem ajudado a escrever novas epopeias como técnico. Ontem, assegurou a terceira final em quatro anos - consigo ao leme, Portugal foi finalista vencido no Europeu de sub-19 de 2014 e ganhou o Euro de sub-17 de 2016.

É essa geração, com onze campeões europeus de sub-17 - Diogo Costa, Diogo Leite, Diogo Dalot, Diogo Queirós, Gedson Fernandes, Domingos Quina, Florentino, Miguel Luís, João Filipe, Mesaque Dju e Rafael Leão - e jogadores mais experientes, como o avançado portista Rui Pedro (único que já se estreou na I Liga), que volta a ter o título continental na mira. Este é o trabalho de uma estrutura que vem sendo feito há já algum tempo. Finalista vencido do Europeu de sub-19 nas edições 2003 e 2014, Portugal já venceu por três vezes os anteriores formatos da competição (Torneio Júnior da UEFA, em 1961, e Euro de sub-18, em 1994 e 1999) - tendo ainda perdido as finais de 1971, 1988, 1990, 1992 e 1997.

Desta vez, bastou uma exibição sólida e um golo feliz - um remate cruzado rasteiro de Gedson Fernandes, que o guarda-redes Bijlow deixou passar, de forma inesperada (24") - para carimbar mais uma presença na decisão de uma grande competição, a 25.ª da história da seleção nacional de futebol (dos sub-16 aos seniores). Apesar de dois sobressaltos provocados pela Holanda, nos primeiros 10 minutos, Portugal dominou a partida e conseguiu gerir a vantagem.

"Passámos por algumas dificuldades mas conseguimos focar-nos e chegar à baliza do adversário com algum perigo. Isso deu-nos estabilidade emocional. A partir daí, fomos crescendo, criámos as melhores situações e conseguimos sair para o intervalo a vencer", resumiu no final Hélio. "Na segunda parte fomos mais fortes: criámos algumas oportunidades para fazer o 2-0 e não me lembro de uma da Holanda. Ainda fomos nós a pressionar, no meio--campo deles, na saída de jogo...", acrescentou o selecionador.

No fim, houve festa - "um bocadinho mais [do que o habitual], porque era um jogo numa fase a eliminar, com outra carga emocional" -, mas isso não desviou o foco do técnico. "Temos prazer no que conseguimos mas há que começar já a preparar o próximo [encontro]", sublinhou Hélio Sousa.

Atenção aos ingleses

A Inglaterra, que conquistou o troféu por nove vezes, nos anteriores formatos da competição (1948, 1963, 1964, 1971, 1972, 1973, 1975, 1980 e 1993), e venceu Portugal na final de 1971 (3-0), mete respeito. Até porque as camadas jovens dos três leões estão a viver um ano dourado: os sub-21 foram às meias-finais do Campeonato da Europa e os sub-20 ganharam o Mundial.

No entanto, isso não faz sombra a Portugal - que também tem somado sucessos em grandes competições nos últimos anos. "Temos conseguido aproveitar o trabalho dos clubes [na formação de jovens jogadores] e potenciá-lo para um nível ainda superior. Isso reflete-se nestas três finais em quatro anos, que mostram muito do que se tem desenvolvido", destaca Hélio, repartindo os louros pelos outros técnicos dos quadros da Federação. "Este é o trabalho de uma estrutura, que vem sendo feito há já algum tempo. Tenho sido eu a cara em alguns momentos, noutros são outros colegas meus", sublinhou

Os frutos estão à vista. E, com a nova geração de ouro a crescer tão rapidamente - cinco dos sub-19 já estiveram no Mundial sub-20 deste ano -, o futuro parece garantido.

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