Saltar à corda já não é uma brincadeira: Portugal acelera no Rope Skipping
Associação Portuguesa de Rope Skipping

Saltar à corda já não é uma brincadeira: Portugal acelera no Rope Skipping

Da velocidade às coreografias com música e acrobacias, o Rope Skipping transformou uma brincadeira numa modalidade competitiva. Portugal está representado por cerca de 30 atletas nos Europeus.
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Uma corda e pouco mais de um metro quadrado de chão. À primeira vista, não é preciso muito mais. Depois começam os saltos. A corda cruza-se à frente e atrás do corpo, passa por baixo das pernas, acelera e acompanha piruetas e movimentos que combinam ginástica, dança e acrobacia. Em poucos segundos, desaparece a imagem da brincadeira tradicional dos recreios.

Chama-se Rope Skipping e já tem provas de velocidade, coreografias, competições individuais e coletivas e campeonatos internacionais. Em Portugal, a modalidade é promovida e regulamentada pela Associação Portuguesa de Rope Skipping (APRS), fundada em Braga, em 2011, e reconhecida pelo Instituto Português do Desporto e Juventude como associação promotora de desporto. A APRS assume como objetivo, caso o crescimento da modalidade o justifique, evoluir para uma federação com estatuto de utilidade pública desportiva.

Luís Fiúza pratica a modalidade na classe de adultos dos LX Skippers, grupo ligado ao Sporting, e participa em provas nacionais e internacionais. O atleta explica que a atividade do grupo inclui também apresentações no âmbito da Ginástica para Todos.

“Faço parte da Associação Portuguesa de Rope Skipping através da classe dos LX Skippers, que faz parte do Sporting. Estou na classe dos adultos”, afirma Luís Fiúza.

Apesar de o princípio continuar a ser simples — fazer passar uma corda por baixo dos pés enquanto se salta —, a vertente competitiva exige velocidade, resistência, coordenação, criatividade e capacidade acrobática. A modalidade divide-se em diferentes disciplinas, sendo o freestyle, o speed e o double dutch algumas das mais conhecidas.

No freestyle, o atleta apresenta uma sequência preparada ao som de música. “Faz uma coreografia em que dança e salta ao mesmo tempo, com habilidades acrobáticas”, descreve Luís Fiúza. A duração varia de acordo com o escalão e o tipo de prova, mas o objetivo passa por combinar a dificuldade técnica com a execução dos movimentos e a ligação à música.

“Tenta-se que a coreografia vá ao encontro da música”, explica.

O speed segue uma lógica diferente. Aqui não há uma coreografia para avaliar: vence quem conseguir completar mais saltos dentro do tempo estabelecido. Existem provas individuais e coletivas, com durações diferentes de acordo com a disciplina e a idade dos participantes.

É uma prova de velocidade em que se faz o maior número de saltos possível dentro daquele tempo”, resume Luís Fiúza.

O movimento é realizado alternadamente com o pé direito e o esquerdo, numa espécie de corrida no mesmo lugar, embora apenas um dos pés seja utilizado na contagem oficial. “Direito, esquerdo, direito, esquerdo. Quando chega novamente ao direito, conta mais um”, esclarece.

Há ainda o double dutch, uma das vertentes mais reconhecíveis e visualmente mais impressionantes. Dois elementos fazem rodar simultaneamente duas cordas em sentidos opostos, enquanto um terceiro salta no centro. A disciplina pode ser disputada em velocidade, mas também permite sequências de freestyle, com música, dança e movimentos acrobáticos.

“São, no mínimo, três elementos: dois estão a rodar as cordas e um está no centro a saltar. Pode ser velocidade, mas também pode haver coreografias”, explica o praticante português.

Luís Fiúza destaca igualmente o Fusion, uma disciplina de double dutch com uma forte componente de dança e espetáculo. Essa diversidade ajuda a explicar a popularidade crescente da modalidade nas redes sociais, onde as sequências rápidas, os cruzamentos de braços, os saltos duplos e triplos e as piruetas produzem vídeos curtos e visualmente fortes.

Mas o Rope Skipping está longe de ser apenas um fenómeno digital. Os Campeonatos Europeus de 2026 decorrem entre 10 e 18 de agosto, no Oslofjord Convention Center, em Melsomvik, na Noruega, reunindo provas individuais e por equipas, destinadas a atletas juniores e seniores. A competição é organizada pela European Rope Skipping Organisation, entidade europeia afiliada da International Jump Rope Union.

Segundo Luís Fiúza, Portugal está representado por cerca de 30 atletas, provenientes de vários clubes nacionais.

“Estão lá equipas de vários países europeus e Portugal está representado com 30 atletas dos vários clubes nacionais inscritos na associação”, afirma.

A participação nacional já ficou marcada por um resultado histórico: Portugal bateu o recorde europeu na prova masculina de Double Dutch Speed Sprint, de acordo com a plataforma oficial de transmissão e resultados dos campeonatos.

O atleta reconhece, contudo, que o Rope Skipping continua a ter uma dimensão reduzida em Portugal quando comparado com países onde a modalidade possui uma implantação mais forte. Sem dispor de um registo oficial, estima que a associação nacional possa enquadrar “duzentos e tal atletas”, advertindo que se trata apenas de uma aproximação baseada na participação observada nas competições.

O objetivo passa, por isso, por levar o Rope Skipping a mais escolas e clubes. Os LX Skippers têm promovido demonstrações e workshops destinados a atrair novos praticantes, sobretudo entre crianças e jovens.

Temos feito muitos workshops em escolas para cativar alunos e levá-los a começar a praticar este desporto”, conta Luís Fiúza, acrescentando que a maior concentração de atletas se encontra atualmente no Norte do país.

“Em Lisboa estamos a crescer, mas precisamos de muito mais gente”, admite.

A equipa que representa Portugal no Campeonato da Europa
Associação Portuguesa de Rope Skipping

Uma das vantagens da modalidade é a facilidade de acesso. Para começar, basta uma corda, algum espaço e disponibilidade para aprender.

Qualquer pessoa pode saltar à corda. Até os adultos saltam”, sublinha. A exigência aumenta quando se entra na vertente competitiva, na qual a preparação física, a técnica e a repetição dos movimentos passam a ser determinantes.

Mais do que trabalhar apenas as pernas, o Rope Skipping obriga todo o corpo a funcionar em simultâneo. “É um desporto que mexe muito com a nossa cabeça, porque temos de estar a pensar em todos os movimentos ao mesmo tempo: os braços, as pernas e o corpo”, explica.

Por essa razão, Luís Fiúza considera que a modalidade pode ser especialmente útil para o desenvolvimento motor das crianças.

A nível de coordenação é muito boa para as crianças e para as pessoas que começam a praticar, porque ganham uma forma completamente diferente de trabalhar o corpo”, destaca. “Estão a mexer com toda a mobilidade em conjunto.”

O Rope Skipping é praticado em Portugal há mais de duas décadas, embora a sua visibilidade tenha aumentado nos últimos anos. Luís Fiúza começou a praticá-lo há cerca de dez anos e recorda que a modalidade já existia quando chegou ao clube.

A Associação Portuguesa de Rope Skipping foi oficialmente fundada em 2011, mas a história da modalidade no país começou antes disso.

Para Luís Fiúza, a diferença está na entrada progressiva numa lógica competitiva e no aparecimento de resultados internacionais. “Quando se começa a entrar na competição e começam a aparecer resultados, ainda por cima sem ajudas, é que se começa a dar valor”, afirma.

A evolução para uma estrutura federativa é uma das ambições da APRS e dos praticantes. “É isso que estamos a trabalhar”, garante Luís Fiúza. A criação de uma federação é vista como um passo importante para consolidar a modalidade, aumentar o número de clubes e atletas e reforçar a representação portuguesa nas competições internacionais.

A eventual entrada do Rope Skipping no programa dos Jogos Olímpicos é outra possibilidade frequentemente discutida no meio, embora não exista atualmente qualquer confirmação oficial de que a modalidade venha a tornar-se olímpica. “Fala-se que poderá ser uma modalidade a curto prazo, mas, para já, ainda não é”, reconhece Luís Fiúza.

Até lá, o crescimento faz-se uma corda de cada vez, entre escolas, clubes, workshops e competições. O gesto continua a ser o mesmo que várias gerações aprenderam no recreio. O ritmo, a técnica e a ambição é que mudaram

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