Rui Vitória arriscou tudo e salvou ponto frente a leão feliz

Num dérbi espetacular, Benfica e Sporting empataram. Gelson abriu as contas na primeira oportunidade, Jonas igualou ao cair do pano

Terminou em empate o dérbi eterno no Estádio da Luz. Um jogo fantástico, com todos os ingredientes que fizeram mágicos os históricos duelos entre Benfica e Sporting. Este é um resultado que beneficia o FC Porto, que assim se isola no comando da Liga, com mais dois pontos do que leões e cinco do que as águias, mas será difícil que quem presenciou este jogo o esqueça tão cedo.

Gelson Martins abriu as contas naquela que foi a primeira oportunidade da partida. Responderam os encarnados com um futebol avassalador, mas perdendo oportunidades de forma incrível. Rui Vitória assumiu o risco total e a sorte leonina terminou com um penálti em cima do minuto 90, transformado por Jonas, que confirmou a tendência dos leões em sofrerem golos nos instantes finais - que nesta época já custaram cinco vitórias.

Foi um verdadeiro dérbi, apimentado com um excelente ambiente nas bancadas - com o devido desconto relativamente ao arremesso de cartolinas para o relvado. Entrou a todo o gás o Benfica, que iniciou a pressão junto à área do adversário para bloquear a construção de jogo do Sporting, que várias vezes teve de recorrer às bolas longas para Gelson Martins. Quando a bola entrava no meio-campo encarnado, a equipa de Jorge Jesus procurava Bruno Fernandes para criar desequilíbrios. Ainda assim, era o Benfica que assumia por completo a despesa do jogo, quase sempre com os argentinos Franco Cervi e Salvio em destaque.

Só a primeira oportunidade do jogo foi para os leões e logo com o golo de Gelson, que aproveitou uma descoordenação na defesa benfiquista para se antecipar a Grimaldo e marcar de cabeça. A equipa de Rui Vitória lançou-se depois numa correria em busca do empate, colocando por várias vezes a defesa leonina em dificuldades. Como num lance de Salvio em que Jardel cabeceou para Piccini tirar quase em cima da linha; ou, depois, num lance em que como que por milagre a bola não entrou, primeiro com um remate de Jonas contra a cara de Coentrão e na, sequência, um outro de Krovinovic a acertar em cheio na barra.

Só que o Sporting esteve muito perto de dar o golpe de misericórdia já perto do intervalo, quando Bruno Fernandes isolou Gelson, que rematou por cima. A maioria dos adeptos presentes na Luz gelou e os sportinguistas levaram as mãos à cabeça, afinal o 0-2 esteve ali tão perto - resultado que seria bastante injusto ao intervalo.

Risco total de Rui Vitória

Pois bem, Jesus ordenou aos seus jogadores que se posicionassem mais à frente para obrigar o Benfica a sentir maiores dificuldades em preparar os seus ataques, obrigando algumas vezes a que o adversário fizesse um jogo mais direto.

No entanto, após um primeiro quarto de hora de controlo sportinguista na segunda metade, os jogadores do Benfica encheram-se de coragem e voltaram a atacar a baliza de Rui Patrício em força. E, aí, voltou a estrelinha da sorte a proteger os leões, que viram Coates e Piccini desviar remates de Jonas que saíram perto do poste - para desespero de Rui Vitória, que lançava as mãos ao ar, a perguntar como era possível tanto desperdício. O contraste com Jesus era evidente, que esbracejava para os seus jogadores: queria mais concentração e eficiência nas marcações.

Já com o mexicano Raúl Jiménez em campo em vez de Pizzi, aos 73 minutos, Rui Vitória arriscou, lançando Rafa Silva para o lugar de Fejsa. Salvio recuou para defesa esquerdo e André Almeida passou para o meio-campo. Risco que aumentou pouco depois com a entrada de João Carvalho para o lugar do central Rúben Dias. E aquilo que poderia ter sido um suicídio por parte do treinador do Benfica acabou por valer um empate, por penálti cometido por Battaglia, após uma excelente jogada de Krovinovic. Jonas estreou-se a marcar em jogos com o Sporting, colocando justiça no resultado num dérbi espetacular e emocionante.

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