Roger Schmidt assumiu ontem estar "muito orgulhoso" com a conquista do título de campeão nacional e não esqueceu os festejos que viveu horas antes no Marquês de Pombal. "Nunca tinha visto nada como aquilo que vi. Foi único, um dos melhores festejos do futebol europeu. Já tinha visto imagens no nosso balneário, mas não é a mesma coisa ver uma fotografia ou viver o momento. O caminho até lá foi fantástico e estava um ambiente fantástico, com muita gente. Foi um dia extraordinário", assumiu o treinador do Benfica numa conferência de imprensa no Seixal, onde fez o rescaldo desta conquista, onde reconheceu "o esforço" que todos colocaram nesta caminhada. "Enquanto equipa, temos a obrigação de trazer alegrias a tanta gente e tentamos sempre devolver aquilo que os adeptos nos dão", frisou. .O treinador dos encarnados admitiu ter ficado "aliviado" com a conquista do título. "Foi duro até ao último minuto. Estamos felizes, mas precisámos de colocar muito esforço, foi uma competição muito dura em que precisámos de vencer o último jogo. Foi exigente em termos físicos e mentais, tivemos de demonstrar muita força mental", explicou, revelando que as derrotas com FC Porto, Inter Milão e Dep. Chaves foram "a pior fase da temporada". "Estivemos a um nível elevado e nessa altura caímos um pouco. Alguns jogadores tiveram problemas físicos, mas a verdade é que podíamos ter vencido esses jogos, não foram catastróficos, só não fomos dominantes, não controlámos como tínhamos feito e os adversários foram muito eficientes. No entanto, o que fizemos para mudar foi muito importante para o resto da temporada", explicou, lembrando que na reta final da I Liga a equipa acabou por "demonstrar que consegue jogar sob pressão" e por isso "no final mereceu ser campeã"..Nesse sentido, deixou sem resposta Sérgio Conceição, que anteontem garantiu que o FC Porto era a melhor equipa da I Liga: "É a opinião dele. Eu não vi todos os jogos do FC Porto, mas vi os nossos e jogámos muito bem. A equipa que tem mais pontos, que marcou mais golos e sofreu menos, é a que merece ser campeã.".Schmidt reconheceu que, quando chegou, percebeu logo que o grupo de jogadores tem "uma atitude muito boa, treina a sério e trabalha sempre no duro". "Gostam de jogar futebol, de estar todos os dias em campo. Por isso, tentámos criar boa condição física e aproveitar todos os treinos para eles perceberem qual o nosso estilo", revelou, admitindo ter ficado "admirado" por a sua equipa ter conseguido jogar da forma que gosta "tão rapidamente". "Conseguimos encontrar um bom ponto de equilíbrio", frisou, lembrando que "já na pré-época a equipa defendia e atacava bem". "Estávamos confiantes desde o início e, passo a passo, com as vitórias, conseguimos atingir o primeiro objetivo, o da Liga dos Campeões", disse..Questionado sobre o facto de o Benfica só ter ganho dois dos seis jogos com os candidatos ao título, o treinador alemão foi pragmático. "Faz parte. Em 34 jogos precisamos de fazer o máximo de pontos. Vencer os duelos diretos é bom porque ganhamos pontos e as outras equipas não. Em Portugal, quem quer ser campeão não pode perder muitos pontos e ganhar estes jogos é importante, mas também é importante vencer os outros. As outras equipas também são muito boas. É difícil enfrentá-los, mas é claro que eles também podem vencer jogos contra nós", disse..A saída de Enzo Fernández no final de janeiro foi uma perda muito grande para o Benfica e Roger Schmidt admitiu que "foi difícil preparar esta situação e arranjar um substituto", afinal "era um jogador muito importante, que assumia muita responsabilidade, sobretudo na construção de jogo". A opção foi, por isso, encontrar uma solução "dentro do plantel". "Chiquinho era uma opção, tínhamos o Aursnes e o Florentino, mas são jogadores diferentes", disse, destacando que Chiquinho "conseguiu adequar o seu estilo de jogo e apreendeu muito depressa essa parte tática", permitindo à equipa "manter o estilo", razão pela qual o considera um jogador que foi "essencial". .O técnico falou ainda sobre o aparecimento de João Neves. "Ele já tinha treinado connosco e esteve bem desde o início do ano, demonstrava estar pronto sempre que tinha minutos e mostrava ter qualidade para ser titular, mas foi uma grande surpresa. Temos a sensação de que está a melhorar em todos os jogos", frisou, revelando ainda, em relação a Enzo Fernández, que trocou mensagem com o médio: "Deu os parabéns pelo campeonato e eu disse-lhe que este título também lhe pertencia.".Schmidt diz não saber se com Enzo teria chegado mais longe na Liga dos Campeões: "Não sei. Não conseguimos vencer o Inter, mas isso não é vergonha nenhuma. Jogámos 14 jogos na Champions e perdemos apenas um, a maior parte dos outros vencemos. Foi um grande feito dos jogadores, alguns deles estavam na primeira vez nesta situação e estiveram fantásticos. O que o Benfica fez a nível internacional "foi extraordinário.".Uma das indefinições para a próxima época é a continuidade do argentino Otamendi. Roger Schmidt admitiu tratar-se de "um grande capitão" e destacou que tem "imensa experiência", tendo feito uma "temporada extraordinária". "Não é só o Nico, também o João Mário, Rafa, Grimaldo são líderes no balneário e todos foram importante", sublinhou, deixando a certeza de que pretende continuar com Otamendi: "Espero que fique. Antes do Natal começámos a falar com ele sobre um novo contrato, ele quis esperar até ao final da temporada e só aí tomar uma decisão. Fizemos tudo para o mantê-lo, mas já tem 34 ou 35 anos e o contrato dele acaba. Mas espero que fique no Benfica.".No caso de Otamendi deixar o Benfica, o treinador alemão admitiu que Tomás Araújo, que esteve emprestado ao Gil Vicente, pode ser uma opção para integrar o plantel da próxima época. "Tanto ele como o Tiago Gouveia [no Estoril] estiveram bem, começaram a época connosco e agora vão ter oportunidade de mostrar o seu valor", garantiu..Roger Schmidt disse ainda esperar que Gonçalo Ramos continue na equipa, pois "É suficientemente jovem para ficar mais um ano no Benfica", mas lembra que teve "uma temporada excelente" e "é um ponta-de-lança muito talentoso", como "não há muitos no mercado". "Talvez seja possível mantê-lo, mas a decisão também é dele. Gostava que ficasse", frisou..Sobre reforços não quis adiantar muito, limitando-se a dizer que há conversas sobre o plantel "durante toda a temporada". "Falamos de melhorias e isso faz parte do nosso trabalho. É importante o equilíbrio do plantel", começou por dizer, assumindo que o objetivo é "tentar melhorar o onze titular e encontrar um equilíbrio no plantel", pois na próxima época a equipa voltará a "jogar de três em três dias" e tem de estar "preparada para isso". "Temos de substituir o Grimaldo, que é um jogador-chave. E mesmo o Enzo", frisou..Roger Schmidt está à espera que na próxima época "cada jogo será ainda mais difícil", pois na Liga portuguesa "são precisos muitos pontos" para conquistar o título, alertando que agora o Benfica começará "do zero", mas garantiu que irá "lutar pelo campeonato, pela Taça da Liga, pela Champions e pela Taça de Portugal", disse, recusando a ideia de poder estar a iniciar-se um ciclo de hegemonia dos encarnados a nível interno: "Fomos campeões este ano, foi perfeito, mas não quer dizer que o façamos para o ano. Não é por termos vencido agora que, facilmente, venceremos títulos", disso, garantindo ser "muito humilde", pelo que sabe "quão difícil será" a nova época. .Sobre aquilo que a equipa precisa de melhorar, procurou jogar à defesa. "Nos próximos dias não vou pensar em futebol. Vamos preparar a próxima temporada e construir o plantel perfeito, mas para já, quero descontrair porque foi uma época muito exigente para todos", afirmou..Roger Schmidt admitiu ainda que o Benfica "é um clube especial", razão pela qual diz que a sua família sente-se "muito bem-vinda em Lisboa".