Roberto Martínez Montoliú cumpre esta sexta-feira, 9 de janeiro, três anos à frente da seleção nacional e apresenta um dos balanços mais impressionantes de sempre no banco de Portugal. Desde a chegada em janeiro de 2023, o treinador espanhol guiou a equipa das quinas à conquista da Liga das Nações em 2025, a uma qualificação para o Euro 2024, à presença nos quartas-de-final da prova na Alemanha e ao apuramento para o Mundial de 2026. Tudo isto sustentado em números que ajudam a explicar o impacto do selecionador de 52 anos no futebol português.Em termos globais, o Portugal de Roberto Martínez soma 36 jogos, dos quais 25 vitórias, seis empates e cinco derrotas. Destes encontros, 31 são oficiais – com 22 vitórias, seis empates e apenas três derrotas – e cinco são particulares, com três triunfos e dois desaires. Ao longo destes três anos, a seleção marcou 96 golos, o que corresponde a uma média de 2,66 golos por jogo, patamar nunca antes alcançado por um selecionador nacional. É uma equipa que ganha muitas vezes e, quase sempre, com expressão no resultado.Os jogos de qualificação para Europeus e Mundiais são o terreno onde essa consistência mais se nota. Só ao serviço de Portugal, Martínez leva 16 jogos de apuramento, com 14 vitórias, um empate e uma derrota. Antes do desaire frente à República da Irlanda, em Dublin, tinha somado 15 partidas consecutivas sem perder, 13 delas seguidas a vencer. Somando o percurso na Bélgica, o técnico chegou aos 42 jogos consecutivos sem perder em fases de qualificação, um registo raríssimo ao mais alto nível. Ao fim dessas 42 partidas imbatível, sofreu a primeira derrota em jogos de apuramento — precisamente diante da Irlanda — e respondeu de imediato com nova vitória frente à Arménia, mantendo assim apenas uma derrota em dezenas de jogos de qualificação ao longo da carreira..No plano interno, os números obrigam à comparação com a história. Desde que chegou a Lisboa, Roberto Martínez tornou-se o selecionador com a maior percentagem de vitórias de sempre por Portugal: 69,4%. Em jogos oficiais, a eficácia é ainda mais expressiva: 70,9% de vitórias.Também na vertente ofensiva o espanhol lidera: com 2,66 golos por jogo.A capacidade para encadear vitórias é outro traço da era Martínez. Logo no início do ciclo, Portugal somou uma série de 11 triunfos consecutivos, a mais longa sequência vitoriosa da história da seleção. Pelo caminho, ficaram resultados que entraram diretamente para o livro de recordes: o 9–0 ao Luxemburgo, em setembro de 2023, estabeleceu a maior goleada de sempre da equipa portuguesa; mais tarde, o 9–1 frente à Arménia voltou a colocar a seleção em patamares raros, confirmando que as duas vitórias mais volumosas da história nacional aconteceram sob o comando do treinador espanhol. .As imagens do regresso da seleção a Lisboa com a segunda taça da Liga das Nações.Portugal vence Liga das Nações pela segunda vez.A estes números somam-se os títulos e as distinções. Em 2025, Portugal conquistou a Liga das Nações, tornando-se a primeira seleção a vencer a prova por duas vezes, e Martínez levantou o seu primeiro troféu como selecionador. No mesmo ano, foi distinguido individualmente em várias frentes e viu reconhecido o trabalho realizado com o grupo, num contexto em que a Seleção voltou a ser apontada como candidata às grandes competições internacionais. Em 2025 foi ainda agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito, sublinhando o peso simbólico que o seu trabalho já tem para o país.Fora da frieza dos números, Roberto Martínez construiu uma identidade própria para o Portugal que lidera: futebol de vocação ofensiva, posse de bola trabalhada, agressividade na recuperação e um equilíbrio entre veteranos consagrados e uma nova geração de talentos. Em três anos, estreou diversos jogadores na equipa A e alargou a base de opções sem perder o núcleo duro da seleção. À entrada para o Mundial de 2026, chega com um currículo recheado: um título internacional, recordes de vitórias, de golos, de séries invencíveis e a melhor eficácia da história entre os selecionadores portugueses. .O orgulho, a memória e o sonho