Porque vestem os brasileiros a camisola de Portugal?

A torcida canarinha, nos jogos da seleção, deixou a 'amarelinha' no armário e passou a equipar de vermelho. "É um sentimento muito forte" resumem os adeptos

Laços familiares e o clube de futebol Vasco da Gama, fundado por portugueses. São estas as principais razões que levam os brasileiros a vestir a camisola da seleção nacional no Rio 2016. Uma claque de torcedores, que tem até espantado os atletas. Na noite da cerimónia de abertura, a ovação que o público prestou à comitiva nacional só ficou atrás do Brasil e da equipa olímpica de refugiados. Ontem, no Estádio Olímpico, frente às Honduras, o apoio fez-se sentir mais uma vez. Portugal jogou em casa.

Agostinho Cunha, 53 anos, treinador

"Estava agora mesmo a falar com meu filho sobre Portugal. O meu pai nasceu em Penafiel e a minha mãe no Porto. Vieram muito novos para cá. Eu tenho dupla nacionalidade e o que me liga a Portugal é o coração, a família, amor à Pátria, os valores. Amo mais Portugal que o Brasil. Pode escrever. E amo o Vasco. Fui treinador do Helton (ex-guarda-redes do FC Porto) quando ele era menino. Em maio estive lá para ajudar com a escola de guarda-redes dele. O FC Porto fez uma imbecilidade quando o dispensou. A outra vez que fui a Portugal foi em 2004. De então para cá, o que mudou? Está mais bonito. E povo português continua sendo maravilhoso. O brasileiro também, tirando os que não prestam (risos)"

Wilson Ribeiro, 74 anos, marketeiro

"Sou filho de portugueses, a região do Porto. Não me lembro agora do nome da terra... só sei que tinha nome de Santo (risos). O que me liga a Portugal é a cultura, os caminhos da terra, a gastronomia, a religião. É forte, sim. Vou lá no próximo ano pela primeira vez e estou muito curioso. É a prenda dos meus filhos pelo meu aniversário. Vasco? Claro, vascaíno desde bebé. Já o meu neto [ao lado do avô, com uma camisola do Barcelona] degenerou. É do Flamengo".

Lúcia Galvão, 51 anos, bancária

"Eu tenho dupla nacionalidade. Os meus pais nasceram em Arcos de Valdevez. O sentimento que tenho por Portugal é muito forte. É a seleção que apoio, mais do que o Brasil. Sou apaixonada. Estive em maio lá e visitei muita coisa. Gosto de tudo, dos monumentos, da estrutura de educação, o respeito, a limpeza. Enfim... Tenho uma filha e tentei sempre passar esse sentimento para ela. Acho que consegui. Neste Jogos só vou ver um evento ao vivo, que é este jogo. Não podia falhar"

Rodrigo Dias, 27 anos

"A minha mãe é portuguesa, da Póvoa de Varzim, e veio para o Brasil há 48 anos. Eu também sou português. Visto esta camisola porque é o meu segundo amor desde criança. Torço pelo Brasil, Portugal e Vasco da Gama. Vou a Portugal pela primeira vez no próximo ano. A ideia que tenho é de um país com uma história muito rica, muitos monumentos, castelos. Quero ver tudo".

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