"Os atletas irão nadar literalmente em fezes humanas"

Pediatra brasileiro alerta para o estado das águas onde se realizam as provas de natação em águas abertas e de vela

A falta de higiene nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro não se limita aos apartamentos da Aldeia Olímpica, criticados por várias delegações. Especialistas brasileiros em saúde pública alertaram para as condições das águas onde vão decorrer competições e aconselham aos nadadores e velejadores a que "dentro de água mantenham a boca fechada", contam os especialistas ao jornal norte-americano The New York Times.

"Os atletas irão nadar literalmente em fezes humanas, e correm o risco de adoecer", revelou Daniel Becker, pediatra que trabalha com bairros pobres do Rio de Janeiro. "É triste mas também aterrador", acrescentou.

O Comité Olímpico Internacional e o Governo brasileiro reconheceram que, em vários locais do Rio de Janeiro, as águas não se encontram limpas mas nas áreas onde se vão realizar algumas provas, como natação em águas abertas (Forte de Copacabana), remo (Lagoa Rodrigo de Freitas) e vela (Marina da Glória, na Baía de Guanabara), estão a ser respeitadas as recomendações da Organização Mundial de Saúde.

"O nosso maior problema ambiental é o saneamento básico", afirmou André Corrêa, Secretário do Ambiente do Rio de Janeiro. "As Olimpíadas alertaram as pessoas para o problema".

Já há quem treine na Baía de Guanabara, uma das zonas onde se vão realizar provas, e segue as recomendações dos especialistas. "Temos de manter as bocas fechadas quando somos salpicados", expressou Afrodite Zegers, velejadora holandesa.

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