Bolt consegue o que ninguém fizera e outros destaques dos Jogos Olímpicos

Os destaques da noite passada no Rio 2016

O jamaicano Usain Bolt reforçou no domingo o seu lugar na história dos Jogos Olímpicos, conquistando pela terceira vez a medalha de ouro nos 100 metros na final do Rio2016, um feito que ainda ninguém tinha conseguido.

O triplo ouro de Bolt deixou para 'segundo plano' feitos tão notáveis como o fantástico novo recorde do mundo dos 400 metros, do sul-africano Wayde van Niekerk, a terceira vitória da norte-americana Simone Biles na ginástica ou ainda a bem sucedida defesa do título do ténis, pelo escocês Andy Murray, após uma 'maratona' de quatro horas.

Até hoje, apenas dois atletas tinham conseguido repetir o triunfo dos 100 metros em finais dos Jogos - o próprio Bolt e o norte-americano Carl Lewis.

Agora, o jamaicano fica sozinho no topo da modalidade, com uma sequência de vitórias (Pequim2008, Londres2012 e Rio2016) que parece praticamente impossível de superar.

A menos de uma semana de fazer 30 anos, Bolt sabe que não é crível mais um ciclo olímpico a este nível e prepara-se no Rio de Janeiro para melhorar ainda mais o seu palmarés, apontando agora ao triplo triunfo nos 200 metros.

Como tem sido timbre nos últimos anos, Bolt 'escondeu-se' ao longo da época, para aparecer fulgurante a meio de agosto, com um melhor registo do ano, a 9,81 segundos, numa vitória que só se 'desenhou' na segunda parte do hectómetro.

Com efeito, o norte-americano Justin Gatlin partiu melhor e chegou a dar a sensação de que ia ganhar, mas depois viu o 'torpedo' Bolt passar e ficou em segundo, com 9,89, à frente do canadiano Andre de Grasse (9,91).

Uma das primeiras coisas que Bolt fez depois de ganhar foi procurar, já na zona mista, Wayde van Niekert para o felicitar pela 'marca canhão' de 43,03 segundos nos 400 metros. Apesar de mais novo, com 24 anos, o sul-africano cruzou-se várias vezes com Bolt nos 200 metros, prova em que ambos são também corredores de topo.

A uni-los, o curioso facto de terem retirado da lista de recordes o lendário norte-americano Michael Johnson - Bolt fê-lo nos 200 metros, nos anteriores Jogos Olímpicos.

Van Niekert 'destroçou' por 15 centésimos um recorde que já tinha 17 anos, conseguindo assim um dos melhores registos do atletismo no século XXI.

As finais de 100 e 400 metros masculinos acabaram por deixar para segundo plano uma grande final do triplo feminino, vencida pela colombiana Caterine Ibarguen, com 15,17 metros, melhor marca mundial do ano.

Ténis

No ténis, foi preciso esperar mais de quatro horas para que se definisse o desfecho da final entre o britânico Andy Murray e o argentino Juan Martin del Potro.

Murray tornou-se no primeiro tenista a conservar o título, mas Del Potro, que no torneio afastou o sérvio Novak Djokovik e o espanhol Rafael Nadal, deu-lhe muito que fazer, o que é bem comprovado pelo tempo total e pelos parciais registados, de 7-5, 4-6, 6-2 e 7-5, com constantes quebras de serviço.

O ténis coroou também mais dois pares, na sua jornada final: as russas Ekaterina Makarova e Elena Vesnina em pares femininos, e os norte-americanos Bethanie Mattek-Sands e Jack Sock, em pares mistos.

Ginástica

Numa jornada bastante rica em feitos de exceção, a norte-americana Simone Biles conquistou a terceira medalha de ouro na ginástica e continua na rota para as inéditas cinco.

Depois de ajudar os Estados Unidos no triunfo coletivo e de conquistar o concurso completo individual, Biles foi a melhor no salto de cavalo e promete seguir, na próxima jornada, para o ouro no solo e na trave, para um total de cinco em seis triunfos, o que nunca foi conseguido.

A jovem texana de 19 anos, primeira afro-americana a sagrar-se campeã, chegou aos 15,966 na final de aparelho de hoje, bem à frente da russa Maria Paseka (15,242).

Se conseguir o desejado 'penta' num ano, deixa para trás figuras lendárias como a soviética Larissa Latynina, a checoslovaca Vera Caslaska e a romena Ecaterina Szabo.

Biles só deixou escapar uma das finais por aparelhos, as paralelas assimétricas, que ficaram para a russa Alya Mustafina, a revalidar assim o seu título olímpico e a conseguir a sétima medalha da carreira.

Em grande esteve, também, o britânico Max Whitlock, que depois de ser medalha de bronze no 'all around' arrecadou duas medalhas de ouro, no solo e cavalo com arções. No primeiro aparelho, o japonês Kohei Uchimura, campeão por equipa e no concurso completo individual, falhou a terceira medalha de ouro.

Maratona

Ainda no atletismo, correu-se de manhã a maratona feminina, uma prova em que as condições climatéricas afetaram de forma séria o aparecimento de bons resultados.

Prova mais imprevisível do que as corridas no estádio, a maratona olímpica teve vencedora queniana, Jemima Jelagat Sumgong. Apesar de ser a grande potência mundial nas provas de fundo, a par da Etiópia, esta foi a primeira vez que o Quénia ganhou a este nível.

Sumgong não era exatamente uma desconhecida - foi quarta no último Mundial - mas não estava na primeira linha de apostas, batendo na parte final da corrida atletas mais cotadas como Eunice Kirwa, do Bahrain, a terceira do Mundial, e sobretudo a etíope Mare Dibaba, campeã mundial, hoje respetivamente segunda e terceira.

Os portugueses em prova

Patrícia Mamona selou domingo o quarto diploma de Portugal nos Jogos Olímpicos Rio2016, ao terminar no sexto lugar a final do triplo salto, como um novo recorde nacional, de 14,65 metros.

A campeã europeia em título terminou a prova com a marca de 14,65 metros, que conseguiu ao terceiro ensaio, superando por sete centímetros o anterior máximo nacional (14,58), que havia selado precisamente na final do campeonato da Europa. Mamona ainda bateu uma segunda vez a anterior melhor marca, ao fechar com 14,59 um concurso em que os primeiros quatro saltos também foram na casa dos '14': 14,39 no primeiro, 14,14 no segundo, 14,45 no terceiro e 14,42 no quarto.

Ao contrário da atleta do Sporting, Susana Costa não conseguiu fazer os três saltos finais, ficando-se por 14,12 metros, ao terceiro ensaio, depois de dois nulos a abrir, terminando, assim, no nono lugar.

Patrícia Mamona ficou um lugar acima do ciclista Nelson Oliveira no contrarrelógio e juntou-se igualmente, nos 'diplomados', à equipa de futebol e ao jogador de ténis de mesa Marcos Freitas, ambos quintos, ao 'caírem' nos 'quartos'.

O grande destaque da delegação lusa, em vésperas do arranque da canoagem, liderada por Fernando Pimenta, e do campeão olímpico do triplo salto Nelson Évora, continua a ser Telma Monteiro, bronze no judo na categoria de -57kg.

Pela manhã, três portuguesas estiveram na maratona feminina, mas só uma, Dulce Félix, a menos favorita, conseguiu terminar a prova, no 16.º lugar, em 2:30.39 horas, mais 6.35 do que a vencedora, a queniana Jemina Sumgong.

Enquanto a atleta do Benfica melhorou cinco posições em relação ao 21.º posto de Londres2012, a campeã europeia da meia-maratona Sara Moreira, aos sete quilómetros, e Jéssica Augusto, aos 16, desistiram, ambas alegando lesões.

No badminton, Pedro Martins, 59.º jogador Mundial, e Telma Santos despediram-se do Rio2016 na fase de grupos, sem vitórias.

Pedro Martins perdeu com Ka Long Angus NG, de Hong Kong, 11.º cabeça de série da prova, por 2-0, com os parciais de 21-17 e 21-18, em 44 minutos, terminando no terceiro e último lugar do Grupo M, depois de sábado ter cedido por 2-1 (21-14, 22-24 e 6-21) face ao canadiano Martin Giuffre.

Por seu lado, Telma Santos perdeu, no último confronto, com a belga Tan Lianne, por 2-0, com os parciais de 21-16 e 21-18, em 34 minutos, depois de já ter perdido com a chinesa Lu Xuerei (2-0) e com a norte-americana Iris Wang (2-1).

Quanto ao golfe, que voltou ao programa olímpico 112 anos depois e coroou o britânico Justin Rose, José-Filipe Lima terminou no 48.º lugar, com 288 pancadas (quatro acima do par), enquanto Ricardo Melo Gouveia foi 59.º, com 297 (13 acima).

No último dia, Filipe Lima marcou 71 pancada, o par do campo, enquanto Ricardo Melo Gouveia fez a sua pior volta, com 80 'shots' (nove acima do par), caindo para último.

Em estreia, a cavaleira portuguesa Luciana Diniz concluiu com oito pontos de penalização a primeira ronda de qualificação de saltos, mas acredita que, tal como em Londres2012, vai chegar à final.

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