Portugueses lutam por inédita medalha nos mundiais de pista

Gémeos Ivo e Rui Oliveira e João Matias vão pedalar na competição que vai decorrer entre hoje e domingo na cidade holandesa de Apeldoorn, com Tóquio 2020 em ponto de mira

Os gémeos Ivo e Rui Oliveira (Hagens Berman Axeon) e João Matias (Vito-Feirense-BlackJack) vão representar Portugal nos Campeonatos do Mundo de ciclismo de pista, que se realizam entre hoje e domingo em Apeldoorn, na Holanda. O trio português, a competir em quatro vertentes (ver caixa), vai tentar conquistar aquela que seria uma inédita medalha para o ciclismo luso.

"As expectativas são boas. Fui sexto classificado no ano passado, mas estou em condições de melhorar. É esse o objetivo. Se com isso vierem as finais e a discussão de medalhas, melhor", contou ao DN o medalha de prata em perseguição individual nos Europeus de sub-23 e de elite e na Taça do Mundo de Minsk, Ivo Oliveira, 21 anos, que vai competir no dia 2.

"Não será especial se conquistar a primeira medalha para Portugal. Para mim, teria tanto valor se fosse a terceira ou a quarta", assumiu o jovem ciclista, que não se sente pressionado pelos bons resultados alcançados recentemente. "Poderei ser eu a ganhar uma medalha, mas também poderá ser o meu irmão ou o Matias. Não me sinto pressionado. As expectativas sou eu que as coloco. Tenho é de olhar para o que vou fazer e não pensar no que os outros estão à espera, porque isso só me pode trazer ansiedade", vincou.

A mesma visão tem o irmão Rui, que vai correr nas vertentes de scratch (amanhã) e omnium (dia 2). "Nada é impossível, todos têm possibilidades e vamos lutar pela medalha", afirmou o ciclista, que vai "tentar melhorar as classificações anteriores e ficar no top 10 nas duas corridas".

Ciclismo no sangue dos Oliveiras

Desperta curiosidade o facto de, entre três representantes, estarem dois gémeos na seleção nacional. A paixão dos irmãos de Vila Nova de Gaia pelo ciclismo é algo que lhes está no sangue, uma vez que não são os primeiros do seio familiar com ligações à modalidade. "O nosso pai [Fernando Oliveira] foi diretor desportivo de uma equipa, e o nosso irmão mais velho [Hélder Oliveira] corria profissionalmente, o que nos influenciou", contou Rui.

"É sempre bom ter o meu irmão a correr comigo. Treinamos e vamos para as corridas juntos, e desde pequenos que fazemos as mesmas coisas e andamos sempre juntos. Um ajuda o outro", corroborou Ivo, a justificar a ascensão dos manos Oliveira à elite.

João Matias à última hora

Com objetivos mais modestos do que os irmãos, João Matias foi repescado "à última hora" para o lote de participantes, algo que lhe limita a ambição no que concerne à luta por medalhas. "Este ano é muito difícil, pois só faço a corrida por pontos (dia 2), não a de scratch. Nos pontos, é difícil surpreender", confessou o atleta de 26 anos, esperançado num bom desempenho dos companheiros de seleção.

"Não tenho um currículo tão bom como os dos gémeos. O Ivo vai estar na luta pelo título", assumiu, prometendo "procurar o melhor resultado possível", piscando o olho a uma posição "do meio da tabela para cima".

Sonho olímpico une os três

Se a ambição para os Mundiais difere em cada ciclista da seleção nacional, há algo que une o trio português: a presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

"É um sonho, mas ainda faltam muitas corridas e conseguir o apuramento para a Taça do Mundo", atirou Ivo Oliveira, que pretende encarar uma prova de cada vez. "Claro que é um sonho, e vamos trabalhar para isso. Temos de pontuar em corridas internacionais e tentar entrar em Taças do Mundo", assumiu o irmão Rui. "Não é só um sonho nosso, é um sonho para Portugal. Vamos lutar pelo apuramento nas vertentes de omnium e madison. Mas a nível individual, também tenho esse objetivo", completou João Matias.

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