Português Eduardo Freitas é novo diretor de corridas na F1

Eduardo Freitas é um profissional muito respeitado no meio. Petição já o indicava ao cargo de Masi em dezembro.

O português Eduardo Freitas vai desempenhar, de forma alternada com o alemão Niels Wittich, o cargo de diretor de corrida no Mundial de Fórmula 1, substituindo o australiano Michael Masi, anunciou ontem a Federação Internacional do Automóvel (FIA).

Eduardo Freitas, que tem vasta experiência como diretor de corrida no Mundial de resistência, é desta forma promovido à categoria rainha do desporto automóvel, na qual Masi esteve apenas dois anos como diretor de corrida, depois de ter substituído Charlie Whiting, na sequência da morte do britânico, em 2019.

Masi foi afastado na sequência das decisões controversas tomadas no Grande Prémio de Abu Dhabi, derradeira prova do campeonato de 2021, em especial a de relançar a corrida na última volta - que estava a decorrer com a presença do safety car -, permitindo ao piloto neerlandês Max Verstappen (Red Bull) ultrapassar o britânico Lewis Hamilton (Mercedes) e conquistar o título mundial.

"Niels Wittich e Eduardo Freitas vão atuar, de forma alternada, como diretor de corrida, assistidos por Herbie Blash, na qualidade de conselheiro principal permanente", anunciou o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, revelando que Masi se vai manter no organismo, a desempenhar outras funções, sem especificar quais.

Em dezembro, uma petição online com mais de 2000 subscritores, já exigia à FIA a substituição de Masi pelo português - o texto falava num diretor "bem respeitado e experiente". "Freitas tem mais de 20 anos de experiência como diretor de corridas de alto nível e é considerado em todo o mundo como uma voz de consistência e autoridade. É vital que a confiança dos espectadores e dos fãs seja restaurada no policiamento das corridas de Fórmula 1, que foi corroída ao longo da temporada de 2021", podia ler-se na petição.

Eduardo Freitas é um profissional respeitado no meio automobilístico, com uma experiência acumulada de 20 anos, durante os quais desempenhou funções de diretor das 24 horas de Le Mans e também no WEC, o Mundial de Resistência.

Carreira sempre a subir

O português sempre foi um apaixonado por motores. Numa entrevista ao Autosport em 2020, contou como em 1977 começou "a fazer arranjos a motores a dois tempos para motorizadas". E como dois anos depois, após ter perdido a adrenalina pela parte mecânica, começou "como aprendiz a desmontar a pista de karting do Estoril".

Depois foi sempre a subir até ao cargo de diretor de provas. "Quando surgiu a oportunidade de ser diretor de corrida numa prova de karting, passei para essa posição. Então, em 2002, quando era chefe do colégio de comissários no Estoril, surgiu a oportunidade de ir para o FIA GT", contou na mesma entrevista. Do FIA GT e ETCC passou para o WTCC [World Touring Car Championship], em 2004, onde ficou até 2009. "Em 2010, a FIA decidiu mudar-me para o Campeonato do Mundo de GT, que só durou em 2011, então fui convidado para vir para o Campeonato do Mundo de Endurance [WEC]. E como sou diretor de corridas de resistência aqui, faço o mesmo trabalho na European Le Mans Series e na Asian Le Mans Series", indicou Eduardo Freitas.

"Cada prova é uma prova e todas têm de ser vistas com muita responsabilidade pois o risco está sempre presente. Seja quem for que esteja em pista, temos de nos assegurar que quem está na pista tem a segurança necessária para depois sair dela sem problemas. Enquanto me der gozo fazer isto continuarei, no dia em que deixar de me dar gozo opto pelo golfe ou pelo windsurf ou outra coisa que me estimule", disse ainda ao Autosport.

E é caso para dizer que vai continuar, agora na categoria rainha do automobilismo. A estreia será nos testes de Barcelona, entre os dias 23 e 25 de fevereiro. A primeira corrida está agendada para 20 março, no GP do Bahrein.

O presidente da FIA informou também esta quinta-feira, no mesmo comunicado, que será criada "uma sala de controlo remota", instalada fora dos circuitos em que decorrerem as provas, "à semelhança do que sucede no futebol, com o VAR [videoárbitro]", em contacto com o diretor de corrida em tempo real, com o objetivo de "ajudar à aplicação dos regulamentos".

"As comunicações diretas de rádio durante as corridas [entre o diretor de prova e os responsáveis das escuderias de F1], que, atualmente, são transmitidas em direto na televisão, vão ser suprimidas, a fim de proteger o diretor de corrida de qualquer pressão", acrescentou.

nuno.fernandes@dn.pt

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