"Portugal tem dado ao mundo do futebol alguns dos melhores protagonistas"

Gianni Infantino saiu da sua zona de conforto (UEFA) para se candidatar à presidência da FIFA, com o apoio de Portugal, Mourinho e Figo. Ao DN, entre elogios ao futebol português, disse querer devolver a credibilidade ao organismo após os recentes escândalos de corrupção

Porque decidiu ser candidato à presidência da FIFA? Podia ficar à espera da presidência da UEFA...

Resolvi aceitar o desafio que me foi lançado pelo Comité Executivo da UEFA com muita honra e sentido de responsabilidade, tendo plena consciência de que tenho conhecimentos, experiência e capacidade para ser presidente da FIFA. Podia ter ficado confortável no meu canto e ver o que se passaria, mas resolvi agir, correndo alguns riscos, é certo, mas ciente de que o nosso objetivo é melhorar o desporto que amo. Há alturas em que precisamos de deixar a nossa zona de conforto...

Sendo candidato ao cargo mais alto do futebol mundial, impõe-se perguntar: que jogo o marcou e que jogador o faz ficar a ver um jogo de início ao fim?

Eu sou um apaixonado por futebol. Vejo futebol sempre que posso. Houve vários jogos e jogadores que me marcaram muito. Não acho que tenha havido um em particular, mas vários, em várias competições e em várias épocas. Isto é válido para os jogos e para os jogadores. Mas ainda bem que me pergunta porque me dá a oportunidade de dizer que o jogo e os jogadores são o mais importante e deverão ser o centro das atenções. O meu grande desígnio é trazer o futebol de volta à FIFA ou devolver a FIFA ao futebol. Nos últimos tempos, quando falamos de FIFA, falamos de quase tudo menos de futebol. Eu quero reverter esse processo.

Como? Será que a imagem da FIFA não ficou manchada para sempre com os recentes escândalos de corrupção que afetaram o presidente Joseph Blatter e Michel Platini, entre outros?

Acho que vamos ter muito trabalho, mas estou confiante de que conseguiremos ultrapassar esta situação bastante difícil. O futebol deve ser o cerne das nossas atenções e, se o fizermos de forma apaixonada e competente, o mundo vai voltar a olhar para a FIFA como uma entidade respeitada e respeitável.

Já apresentou o programa de candidatura. Que medidas destaca?

O meu manifesto é uma base muito sólida no qual eu acredito profundamente, mas estou sempre, e sempre estive, aberto ao diálogo entre todos para que possamos encontrar as melhores soluções. O meu programa assenta em três pilares. O primeiro diz respeito às reformas e boa governação da FIFA, o segundo é sobre a democracia e a participação dos membros, para que as pessoas falem abertamente sobre os seus problemas e exprimam livremente as suas opiniões. O terceiro é o importantíssimo desenvolvimento. Aquilo em que a FIFA se deve essencialmente concentrar a partir do momento em que eu tomar posse: desenvolver o futebol em todo o mundo, em todas as vertentes, em todos os escalões.

Se for eleito, qual será a primeira medida a tomar?

Há várias prioridades nas quais devemos trabalhar desde logo. Já apresentei o meu plano de ação para os primeiros 90 dias de mandato, com atenção especial para a escolha da sede do Mundial 2026, a reforma do sistema de transferências e a escolha do novo secretário-geral da FIFA.

Novas tecnologias no futebol. Sim ou não?

Proponho-me a analisar a melhor forma de as utilizar. De resto, elas fazem já parte do futebol. Resta saber que passos daremos no futuro...

Trabalhou com Michel Platini, presidente da UEFA agora afastado devido ao escândalo de corrupção. Surpreenderam-no as acusações e o afastamento dele?

Já me referi várias vezes a esse assunto, mas repito o desejo de que tenha a oportunidade de se defender e que tenha uma rápida e justa apreciação do seu processo.

A UEFA também precisa de um novo presidente. Fernando Gomes é um bom nome?

A UEFA decidiu que, enquanto não houver decisão definitiva sobre o presidente Michel Platini, não haverá eleições, pelo que é prematuro estar a falar de eleições nesta altura, mas não tenho dúvidas em afirmar que Fernando Gomes é um dos grandes dirigentes do futebol europeu, para além de um bom amigo.

Tem o apoio de Portugal desde o início. Que importância teve a Federação Portuguesa de Futebol na sua candidatura?

A Federação Portuguesa é hoje em dia vista como um bom exemplo para outras federações. Tem uma equipa de profissionais de grande qualidade (alguns dos quais me têm ajudado na candidatura) e por isso é magnífico que tenha contado com o apoio da FPF desde a primeira hora. Só posso dizer obrigado.

Que opinião tem do futebol português?

Portugal é um país de futebol. Que ama o futebol. E que tem dado ao mundo do futebol alguns dos melhores protagonistas. Para além dos jogadores excelentes, Portugal destaca-se pela qualidade dos treinadores, que ganham troféus em vários países e também a nível continental. Por outro lado, recentemente, tiveram um árbitro (Pedro Proença), que na mesma época arbitrou a final da Liga dos Campeões e do Campeonato da Europa. Por último, mas sem que seja menos importante, destacaria os clubes portugueses. São sempre muito competitivos e quase todos os anos temos pelo menos uma equipa portuguesa (às vezes mais, como aconteceu na final da Liga Europa de Dublin), com excelentes desempenhos. Alguns clubes portugueses são referências mundiais, têm milhões de adeptos e contam com um palmarés cheio de motivos de orgulho, o que só pode querer dizer que há muito e bom trabalho por trás desses resultados.

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