Portugal falha todos os cálculos e é obrigado a salvar a face no playoff

Seleção nacional assobiada no Estádio da Luz, após derrota com a Sérvia (2-1), que ganhou pela primeira vez um duelo frente aos portugueses e assim se apurou para o próximo campeonato do Mundo de futebol. Fernando Santos com opções e estratégia de jogo muito questionáveis.

Como marcar um golo aos dois minutos e perder um jogo onde o empate era suficiente para apurar a seleção das quinas para o Mundial 2022. Eis o resumo de um Portugal-Sérvia deste domingo, no Estádio da Luz (2-1), que coloca os homens dos balcãs no campeonato do mundo de futebol depois de um triunfo inédito em oito duelos. A seleção portuguesa termina assim a fase de apuramento em segundo lugar e terá de jogar um playoff em março para tentar garantir uma vaga no Qatar.

O sorteio dos playoffs de qualificação europeia para o Mundial 2022 está agendado para 26 de novembro, com os jogos a decorrerem de 24 a 29 de março do próximo ano. Será o terceiro playoff de acesso a um mundial que Portugal vai disputar, depois de 2010 e 2014. E tem ainda um para o Euro 2012. O histórico é favorável, tem passado sempre e será cabeça de série no sorteio.

Oito mexidas e golo madrugador e enganador

Mais do que as oito mudanças no onze titular promovidas por Fernando Santos - algumas delas normais como a de Rúben Dias, depois das poupanças feitas no último jogo, com a Rep. Irlanda - é difícil perceber o que vai na cabeça do selecionador. Se Gonçalo Guedes passou de não convocado a titular com os irlandeses, Matheus Nunes saiu do onze diretamente para a bancada e nem ao banco foi. Melhor de compreendeu foi a aposta em Renato Sanches - mais rebelde e forte nas transições do que Bruno Fernandes - num meio campo onde Danilo entrou no lugar que tem sido de João Palhinha.

Os jogadores ainda se posicionavam em campo quando Bernardo Silva foi contra o seu ADN e roubou a bola a Gudelj perto da área sérvia... Renato Sanches estava por perto, tirou um jogador do caminho e atirou forte para a baliza. O lance enfureceu o selecionador sérvio que pedia falta do médio do Manchester City, mas o golo foi validado.

Milinkovic-Savic e Tadic criaram um verdadeiro muro no corredor central para impedir Portugal a sair com a bola desde trás e foi assim que Dusan Vlahovic ficou perto do empate aos 12 minutos. Acertou no poste e estremeceu Patrício, que viu a recarga sair a centímetros da barra. Seguiram-se alguns minutos de sofrimento, com a equipa das quinas a ver jogar a Sérvia.

Fernando Santos pedia calma e cabeça. Chamou João Moutinho ao banco e pediu-lhe para fechar por dentro quando Danilo fosse obrigado a apoiar os centrais na hora de maior sufoco. E se a diferença entre controlar e dominar o jogo passava pela posse de bola e por Moutinho, o equilíbrio defensivo também e Portugal passou a jogar num 4x2x3x1.

O grito do banco a pedir para subir caía em saco roto quando a opção era o pontapé para frente. O jogo estava complicado para Portugal e pior ficou quando um frango de Rui Patrício permitiu o empate. O lance partiu de uma má abordagem da defesa portuguesa. Rúben Dias, José Fonte e Danilo foram todos três marcar Vlahovic e esqueceram Dusan Tadic que rematou e contou com a infelicidade do guarda-redes português.

Patrício acusou o lance e voltou a ter uma má abordagem que acabou com a bola na baliza, mas o lance foi anulado por fora de jogo. Portugal acabou o primeiro tempo por cima e Moutinho ficou a pedir uma grande penalidade por mão na bola de um defesa sérvio... O mesmo reclamaram os sérvios em relação a um braço na bola de Danilo antes do intervalo.

Três centrais depois da saída do melhor Bernardo

Era preciso uma grande mudança para o segundo tempo. De peças e de atitude enquanto equipa. Pedia-se mais Ronaldo, mais Jota e mais João Cancelo e Nuno Mendes no ataque para obrigar Kostic e companhia a baixar o bloco. Se o adversário reforçou a linha ofensiva com Mitrovic, Santos voltou dos balneários com os mesmos, mas cedo se percebeu que iria mexer na equipa. Renato quando tinha espaço para correr tornava-se o jogador selvagem que o selecionador tanto elogia, mas aos 52 minutos exagerou no esforço e não teve a clarividência para servir Ronaldo solto na área e tentou o remate... que não deu em nada.

A resposta do selecionador à entrada de Mitrovic chegou em dose dupla. Moutinho e Bernardo (talvez o melhor português em campo até então) deram lugar a Palhinha e Bruno Fernandes. Mudanças assobiadas na Luz. O público queria mais jogo para a frente e disse isso alto e bom som ao selecionador que parecia querer jogar em contra ataque. Danilo recuou, Portugal passou a jogar com três centrais e os laterais subiram no terreno. E assim se ganhou vantagem numérica no meio com ajuda de um Palhinha todo o terreno.

Com 15 minutos para jogar a equipa das quinas ia aguentando o 1-1 na certeza de que um golo lhe roubava o apuramento direto para o Mundial. Ronaldo chamava a equipa para a frente, mas sem sucesso. O balde gelado chegou aos 90", pela cabeça de Mitrovic. O avançado irá ficar na história pelo golo que vale uma qualificação e um prémio de um milhão de euros. Quanto à seleção portuguesa, saiu assobiada da Luz e tem agora de salvar a face no playoff.

Veja os golos

1-0 Renato Sanches (Portugal)

1-1 Tadic (Sérvia)

1-2 Mitrovic (Sérvia)

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