Portimonense volta à I Liga, mas Oliveira não sabe se fica

Clube algarvio beneficiou da derrota do Varzim e está de regresso seis anos depois. É a 10.ª equipa que Vítor Oliveira sobe de divisão

Seis anos depois, o Portimonense está de volta à I Liga, agora pela mão do incontornável "rei das subidas", o treinador Vítor Oliveira, que garantiu ontem a décima de uma carreira longa e recheada. Quis o destino que desta vez a festa não começasse no estádio - os algarvios perderam no Fontelo, com o Académico de Viseu, ontem de manhã, por 1-0 - mas sim em pleno autocarro, quando a comitiva viajava para o Algarve e ia sabendo da chuva de golos (4-0) que o Sp. Covilhã ia impondo ao Varzim. Foi à custa da derrota dos poveiros que os algarvios festejaram já ontem a subida de divisão.

A festa começou então na estrada e acabou noite dentro, com uma receção calorosa no estádio e depois na Câmara Municipal, onde a presidente Isilda Gomes, que até é sócia do clube, falou numa "alegria imensa e num grande orgulho", satisfeita com o regresso ao escalão maior e com as visitas na próxima época das "maiores equipas portuguesas", ao mesmo tempo que enfatizava o facto de a responsabilidade dos alvinegros também ir aumentar: "De Setúbal para baixo somos os representantes do Sul do país no campeonato principal."

O treinador Vítor Oliveira foi um dos mais saudados pelos cerca de 5000 adeptos, assim como Pires, o melhor marcador do campeonato da II Liga. "Segredo para mais uma subida? Não acredito em segredos. Acredito no trabalho, em muito trabalho, e reconheço que com bons jogadores é mais fácil. Foi feita justiça, fizemos uma primeira volta fantástica", referiu o técnico dos algarvios, afirmando que parte dos objetivos estão cumpridos: "Parcialmente estão. Mas ainda queremos ser campeões da II Liga para corresponder ao apoio de toda esta gente e ainda faltam quatro finais."

Vítor Oliveira, conhecido por subir as equipas ao escalão maior e depois deixá-las para voltar a treinar na II Liga, não levantou muito o véu sobre a sua continuidade no Portimonense: "Temos de nos sentar e debater as coisas. É uma questão de sentir que há condições para prosseguir. Se alguma das partes não demonstrar interesse, fica o objetivo cumprido e vamos à procura de um novo desafio. Mas tenho contactos para continuar."

Uma excelente primeira volta, expressa em 15 jornadas consecutivas sempre a somar, lançou o Portimonense para uma campanha notável, propiciando uma vantagem confortável sobre os principais perseguidores. Foi muito cedo, portanto, que a subida começou a desenhar-se, apesar de uma fase mais complicada, já nesta segunda volta, com a equipa a somar quatro derrotas consecutivas, acusando as saídas de Amilton e Lumor e, sobretudo, as inusitadas lesões que apoquentaram o plantel. Vítor Oliveira chegou a ter quase uma dezena de indisponíveis, sendo obrigado a improvisar para completar o quarteto defensivo.

Ricardo Pessoa e Pires são os sobreviventes da equipa que sob o comando de Litos subiu ao principal escalão em 2009-10, mas no clube já jogava, nos juniores, o guarda-redes Carlos Henriques. "Cheguei com 16 anos a esta casa e vivi por fora um feito espetacular, mas hoje, volvidos vários anos, a alegria ainda é maior", diz o habitual suplente de Ricardo Ferreira. "É maior porque a vivi e porque a sinto ainda mais. Concretiza-se assim um dos meus sonhos", adianta o jovem, de 23 anos, que é algarvio de gema (natural de Silves).

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