Carlos Lopes voltou a ser o centro das atenções 42 anos depois de ter conquistado a primeira medalha de ouro olímpica da história portuguesa. Desta vez, porém, não correu sozinho. O antigo fundista protagonizou a passagem simbólica de testemunho para a nova geração da Equipa Portugal, representada pela judoca Patrícia Sampaio, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, e por Miguel Monteiro, campeão paralímpico do lançamento do peso na mesma edição.A cerimónia de apresentação da Equipa Portugal para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Los Angeles 2028 uniu, pela primeira vez, os dois movimentos numa identidade comum. Carlos Lopes entregou simbolicamente a medalha que liga a histórica vitória de Los Angeles 1984 ao regresso da delegação portuguesa à cidade norte-americana, 44 anos depois.Patrícia Sampaio recebeu o testemunho em representação dos atletas integrados no programa de preparação olímpica, atualmente composto por 146 atletas de 20 modalidades. Miguel Monteiro recebeu-o em nome do programa paralímpico, que conta com 42 atletas de 12 modalidades. A dupla simbolizou, assim, a nova etapa de uma Equipa Portugal que pretende caminhar para Los Angeles sem separar histórias, ambições ou formas de representar o país.Para Patrícia Sampaio, o encontro entre diferentes gerações do olimpismo nacional teve um significado especial. “Foi muito especial reunir todos os atletas olímpicos da nossa história. Estar aqui com gerações mais novas e mais antigas é um momento muito prestigiante para o desporto, para o olimpismo e para todos nós”, afirmou a judoca.A atleta lembrou que muitos dos antigos olímpicos presentes foram referências para quem cresceu a acompanhar o desporto português. “Alguns destes atletas nós vimos competir, outros nem sequer vimos porque ainda não éramos nascidos, mas são pessoas que admiramos e que já conseguiram coisas que nós também queremos continuar a alcançar.”.Depois do bronze conquistado em Paris, Patrícia Sampaio não esconde que o grande objetivo para Los Angeles 2028 passa por chegar ao lugar mais alto do pódio. “Não tenho dúvidas de que me vou qualificar, porque o meu objetivo é ser campeã olímpica e, para isso, preciso de estar nos Jogos. A qualificação é um passo em direção a esse objetivo.”A judoca está a retomar a competição depois de uma lesão e prepara a época que inclui provas do Grand Slam e os Campeonatos do Mundo. Ainda assim, garante sentir-se confiante no caminho que tem pela frente. “Estou muito motivada, muito confiante e com muita vontade de fazer aquilo que for necessário para concretizar os meus sonhos em Los Angeles. Eu quero ser, acredito que posso ser e espero que mais pessoas também acreditem que podem ser.”Ao lado de Patrícia Sampaio, Miguel Monteiro representou o movimento paralímpico na passagem de testemunho. Campeão paralímpico no lançamento do peso em Paris 2024, o atleta recebeu simbolicamente das mãos de Carlos Lopes a responsabilidade de levar até Los Angeles a história, a ambição e a capacidade de superação dos atletas paralímpicos portugueses.O presidente do Comité Paralímpico de Portugal, José Manuel Lourenço, afirmou que o momento representa “a afirmação de um caminho, de um compromisso e de uma visão de futuro”.José Manuel Lourenço recordou que Los Angeles 1984 não ficou apenas marcado pelo ouro de Carlos Lopes. Foi igualmente nessa edição que Portugal conquistou as primeiras medalhas da sua história nos Jogos Paralímpicos, num total de 14, quatro das quais de ouro. “Quarenta anos depois, percebemos que nunca foram duas histórias separadas. Foram sempre capítulos da mesma história, a de homens e mulheres que ousaram desafiar limites e elevar o nome de Portugal.”O dirigente defendeu que a união das duas equipas traduz uma visão que ultrapassa o próprio desporto. “A inclusão não é apenas um valor, é uma força transformadora. Uma sociedade que reconhece o talento, o mérito e a excelência em todas as suas formas é mais justa e mais forte.”Carlos Lopes, que em 1984 abriu um dos capítulos mais marcantes da história do desporto nacional, deixou uma mensagem de trabalho e confiança aos atletas que receberam o seu testemunho. “Com muito trabalho, sem frivolidades e acreditando em vocês próprios, tenho a certeza de que alcançaremos cada vez mais estabilidade e mais resultados para Portugal, um país pequeno, mas grande em atitude.”O antigo atleta recordou ainda as adversidades que enfrentou antes da consagração. Uma grave lesão impediu-o de estar presente nos Jogos Olímpicos de Moscovo 1980, mas a recuperação permitiu-lhe chegar ao triunfo quatro anos depois. “Felizmente recuperei e, em 1984, aconteceu aquilo que aconteceu. Não foi apenas um momento único na história do desporto português. Criou também um enorme espírito de conquista em todos os portugueses.”O Presidente da República, António José Seguro, homenageou o primeiro campeão olímpico português, recordando a madrugada em que o país acompanhou a maratona de Los Angeles. “Naquela manhã correu um homem e ganhou Portugal”, afirmou, sublinhando que a coragem, o talento, a persistência e a alegria de Carlos Lopes representaram muito mais do que o sucesso individual de um atleta.O chefe de Estado destacou igualmente o significado da criação de uma identidade comum para atletas olímpicos e paralímpicos. “Esta decisão afirma que a igualdade se concretiza em escolhas, que a inclusão se realiza em práticas e que Portugal reconhece o mérito, a coragem e o talento em todas as pessoas, sem exceção.”Também Fernando Gomes, presidente do Comité Olímpico de Portugal, considerou que Carlos Lopes mudou definitivamente a perceção que os portugueses tinham das próprias capacidades. “Carlos Lopes não é apenas o primeiro campeão olímpico de Portugal. É um atleta que mudou para sempre aquilo que os portugueses acreditavam ser possível.”Para Fernando Gomes, a nova Equipa Portugal representa mais do que uma alteração de identidade ou imagem. “Atletas olímpicos e paralímpicos vão caminhar lado a lado, numa única equipa, num único projeto e numa única missão: levar o nome de Portugal.”.Olímpicos e paralímpicos unidos na mesma Equipa Portugal rumo a Los Angeles 2028.Carlos Lopes: "Portugal é um país pequeno, mas grande na atitude"