Passear a superioridade e gerir o avanço deixa Benfica quase na fase de grupos

Dois golos na 1.ª parte, de Gilberto e Gonçalo Ramos, chegaram para os encarnados vencerem o D. Kiev na 1.ª mão do play-off. O coração ucraniano não chegou para o talento.

O Benfica ficou com pé e meio na fase de grupos da Liga dos Campeões, após vencer facilmente, em Lodz, na Polónia, o Dínamo Kiev, por 2-0. Num jogo praticamente sem história, os encarnados marcaram cedo perante um adversário nervoso e limitado, mas que ainda pregou alguns sustos, e selaram o resultado ainda no primeiro tempo, quando podiam ter chegado a uma goleada. Resta agora confirmar na Luz a presença no sorteio de dia 25 e um encaixe mínimo de cerca de 30 milhões de euros.

Para a partida no Estádio Miejski Wladislawa Króla, Roger Schmidt fez alinhar aquele que parece ser o seu onze preferido para atacar a época (pelo menos enquanto o marcado não fechar), com o brasileiro David Neres a regressar à titularidade depois de um pequeno problema físico e Gonçalo Ramos, que na véspera apenas fizera trabalho de ginásio, a continuar na frente de ataque. Morato voltou a ser o eleito para acompanhar o capitão Otamendi no centro da defesa. Do lado ucraniano, o experiente Mircea Lucescu - que apenas vencera uma vez os encarnados nos quatro jogos que disputara, curiosamente ao serviço do Shakhtar, rival do Dínamo -, não pôde contar com o seu capitão Sydorchuk, nem com Garmash, que até tem sido suplente, ambos por castigo.

Perante um adversário, cujos jogadores entraram em campo embrulhados na bandeira da Ucrânia, com um registo equilibrado nos seus jogos com equipas portuguesas e com quem só perdera uma vez (no jogo de estreia, em 1991, decidido com um golo de Salenko e que ficou na memória devido à grave lesão sofrida por Rui Águas), os encarnados entraram no relvado com João Mário descaído na esquerda e Rafa atrás do único avançado e logo tomaram a iniciativa: Gonçalo Ramos deixou a primeira ameaça aos três minutos com um remate às redes laterais.

A superioridade do conjunto português era evidente, perante um Dínamo nervoso, com os seus jogadores a evidenciarem fragilidades técnicas e cometendo demasiados erros não forçados. Por isso mesmo, não espantou que o Benfica tivesse chegado cedo à vantagem, num belo lance coletivo em que João Mário deixou para Gilberto disparar fortíssimo, de nada valendo a estirada de Bushchan (09") - foi o segundo golo do brasileiro ao Dínamo. Os ucranianos ainda responderam num remate em arco de Tsygankov que obrigou Vlachodimos a aplicar-se (11"): o extremo direito ucraniano ficaria outra vez perto de marcar aos 34 minutos, com um tiro que saiu rente ao poste, mas acabaria por borrar a pintura pouco depois, ao fazer um mau atraso que permitiu a Neres ficar com a bola e deixá-la à disposição para Gonçalo Ramos fazer o segundo (37"), no seu quinto golo em cinco jogos.

Conforto excessivo

A equipa de Schmidt, a controlar e a dominar todos os aspetos do jogo, podia ter resolvido mesmo a eliminatória no primeiro tempo, tantas foram as ocasiões de que dispôs: João Mário (24"), Neres (42") e Rafa Silva (44") estiveram todos perto de ampliar o marcador, mesmo sem que o Benfica tivesse sequer colocado muita intensidade na partida, sentindo desde cedo que era muito melhor que o seu adversário - nesta fase, só o coração não chega para superar um rival vários patamares acima e que consegue facilmente colocar cinco jogadores em zonas de finalização.

A segunda metade começou com um ritmo ainda mais lento, o Benfica a controlar enquanto procurava encontrar os espaços na profundidade oferecidos pelo adiantamento dos ucranianos, o Dínamo a tentar reagir a um destino cada vez mais adverso.

Por volta da hora de jogo, os técnicos começaram as dança das substituições. Schmidt deu descanso aos dois homens que tinham estado em dúvida (Neres e Ramos), lançando Henrique Araújo e Yaremchuk e dispondo a equipa num 4x4x2. Do outro lado, Lucescu trocou, algo surpreendentemente, Tsygankov por Karavaiev - mas o certo é que o recém-entrado esteve perto de reduzir por duas vezes, valendo as intervenções de Vlachodimos (67" e 82"). Demasiado confortável no jogo, o Benfica foi-se colocando a jeito com algumas perdas de bola em zonas proibidas mas, com alguma felicidade, foi conseguindo manter o avanço no marcador e a baliza a zeros. Dia 23 há mais, em Lisboa.

dnot@dn.pt

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG