Domingos Piedade critica impreparação dos comissários

O antigo presidente do Autódromo do Estoril considera que a primeira prova de Fórmula E não reunia condições de segurança nem dispôs de uma supervisão diga da FIA.

Domingos Piedade, antigo presidente do Autódromo do Estoril, criticou neste sábado a "impreparação" dos comissários de pista em Pequim, na primeira prova do novo campeonato mundial da Federação Internacional do Automóvel (FIA), a Fórmula E.

"A FIA tem, e faz muito bem, de procurar novos caminhos, projetos alternativos para novas provas e categorias, decidindo como entender, mas não podemos assistir ao que assistimos hoje em Pequim, a uma corrida onde os comissários de prova ou não existiam ou não reagiam perante situações que aconteceram em corrida", disse à agência Lusa.

Para Domingos Piedade, que também orientou carreiras de pilotos portugueses e estrangeiros, a "segurança não pode estar em causa como esteve na primeira prova de um Mundial".

"A FIA optou por levar a corrida para dentro das cidades, para junto das pessoas, procurando chegar perto do público para o cativar para uma nova categoria. Esta é uma medida certa e positiva. No entanto, pelo que vimos nesta corrida, as questões de segurança não tiveram a atenção necessária e este erro não pode voltar a acontecer", considerou.

Com nove corridas por disputar, Domingos Piedade receia que a "segurança dos pilotos possa não estar assegurada" depois do que viu hoje em Pequim.

"O Nick Heidfeld, depois do acidente com o [Nicolas] Prost, em que embateu num limitador de pista e capotou, ficou cerca de 45 segundos dentro do carro sem ninguém se aproximar. Saiu sozinho do carro, que estava com as rodas para cima, sobre 'cockpit' e foi embora sem que alguém, um paramédico, tentasse perceber se estava ou não bem e isto não pode acontecer", disse.

Para Domingos Piedade a corrida de hoje em Pequim "correu bem, mas podia não ter corrido" e há que olhar para a prova e "corrigir já tudo o que for necessário, acima de tudo a bem da segurança dos pilotos".

"A FIA decide onde quer e como quer os campeonatos e não tenho nada que criticar, antes temos que apoiar quando os projetos são válidos, como este o é", considerou.

No entanto, para Domingos Piedade, quando se fala de segurança, todos os que estão ou estiveram no mundo do automobilismo têm a "responsabilidade de alertar para que o espetáculo e os interesses não ultrapassem os valores da segurança dos pilotos".

"Para além disso, do ponto de vista desportivo, o piloto francês Nicolas Prost, filho do Alain Prost, e causador do acidente, teve um comportamento que deve ser severamente castigado", sublinhou.

É que, disse, "antes de jogar o carro para cima do de Heidfeld, olhou varias vezes nos dois retrovisores. Sabia onde o alemão estava e provocou o acidente".

"Estavam presentes os mais altos dignatários da FIA que assistiram a estes dois factos. Fico à espera das decisões da Federação tanto no âmbito desportivo como no de segurança", concluiu.

O piloto italiano Lucas di Grassi, em Pequim, a primeira corrida de sempre de Formula E, Mundial de carros elétricos que arrancou num circuito urbano da capital chinesa.

O histórico pódio desta corrida ficou completo pelo francês Franck Montagny, e o alemão Daniel Abdt.

Esta primeira corrida do Mundial de Fórmula E decorreu num circuito que atravessou o complexo olímpico dos Jogos de Pequim2008, de 3,453 quilómetros.

O português António Félix da Costa é um dos 20 pilotos que disputarão este Mundial de Fórmula E, mas não se estreará em Pequim por estar a disputar a oitava prova do campeonato de Turismos da Alemanha (DTM), no autódromo EuroSpeedway Lausitz, em Oberspreewald-Lausitz.

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