Os segredos da Toyota: "Tempo, trabalho, Makinen e Latvala"

Piloto finlandês fez história ao vencer rali da Suécia com o carro japonês, que neste ano voltou ao WRC após 18 anos de ausência. Armindo Araújo explica como foi construído o projeto.

No ano do regresso ao Mundial de Ralis (WRC), como equipa de fábrica, a Toyota - agora denominada Toyota Motor Corporation (TNT) - voltou também aos triunfos no campeonato depois da última vitória registada em 1999, quando Didier Auriol venceu o Rali da China.

Nesse mesmo ano a equipa japonesa saiu de cena para voltar em 2017, agora com Jari-Matti Latvala, vencedor do Rali de Portugal de 2015, que tinha ficado desempregado depois de a Volkswagen ter deixado o Mundial, e festejou no Rali da Suécia. O piloto finlandês lidera o Mundial, estatuto que era exclusivo de Ogier desde fevereiro de 2014.

Uma surpresa, que, na opinião de Armindo Araújo, ex-campeão nacional de ralis, "é sinal de que fizeram bem o trabalho de casa", apesar de várias pessoas colocarem "muitas reticências" ao sucesso do projeto da Toyota: "As melhores respostas são dadas no terreno e a Toyota está de parabéns, nomeadamente o Tommi Makinen, tetracampeão mundial [1996-97-98-99], que estruturou o projeto."

Para o piloto português, "o segredo foi claramente trabalhar muito tempo no carro", para se apresentarem em 2017 a um bom nível. O projeto de regresso ao WRC foi anunciado em 2015 e previa a afinação e evolução do Yaris WRC, com o francês Eric Camilli, de 27 anos, a ser eleito para testar o carro. Mas, em 2016, os finlandeses Jari-Matti Latvala e Juho Hannien (piloto de testes) foram apresentados para o mundial 2017. "Não tinham pilotos de primeira linha até ao abandono da Volkswagen, o que permitiu ir buscar o Latvala para piloto número um e deram-lhe a oportunidade de desenvolver o carro. Ele vivia na sombra de Ogier na Volkswagen e agora é o líder e toda a equipa trabalha para desenvolver e afinar o carro dele", explicou Armindo Araújo, elogiando a parceria: "Foi uma boa aposta ir buscar o Latvala e dar-lhe condições para ele lutar por vitórias e está-se a ver os resultados."

Mas, atenção, "a Toyota não está a vencer destacadamente, está a lutar pelas vitórias. "Na Suécia, a vitória também foi um bocadinho devido ao azar de Thierry Neuville, que desistiu, mas as corridas são mesmo assim, ganha quem chegar ao fim em primeiro e foi o que aconteceu com Latvala na Suécia", indicou Araújo.

Ainda segundo o ex-campeão nacional de ralis, as novas regras foram boas para nivelar as equipas e ajudaram os japoneses: "Os carros têm muito mais apoio aerodinâmico, são bastante mais potentes e todas as equipas partem mais do zero. A Toyota trabalhou nessa base mais tempo do que as outras equipas, porque estava só a testar e não estava a fazer corridas."

Quanto a candidatos ao título, o Toyota de Latvala ganhou o direito a entrar nas contas: "Ele está muito mais maduro, muito mais confiança e com boa atitude." Mas, para Armindo Araújo, o ex-colega Ogier continua a ser o principal candidato, "apesar de conduzir um carro que não está habituado a ganhar, pois a Ford já não vence há alguns anos".

Nos ralis desde 1972

A Toyota estreou-se nos ralis em 1972 e desde então alcançou 149 pódios, 43 vitórias, quatro títulos de pilotos e três títulos de fabricantes no Campeonato do Mundo de Ralis. Iniciou-se como Andersson Motorsport GmbH, nome do fundador da empresa Ove Andersson, e competiu no WRC como Toyota Team Europe (TTE).

Em 1999 terminou mais de 25 anos de atividade contínua, com 31 vitórias, quatro títulos de pilotos e três de construtores na década de 90, graças aos icónicos Celica Twincam Turbo e ao Corolla WRC, conduzidos por pilotos como Carlos Sainz, Juha Kankkunen e Didier Auriol. Neste ano voltou como a menos cotada das quatro equipas, com o Yaris WRC, mas festejou logo na segunda prova do Mundial, depois de um segundo lugar em Monte Carlo.

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