Os Patriots contra o mundo no mais desigual Super Bowl

De um lado, uma equipa multicampeã, que alimenta paixões e ódios; do outro, os protagonistas sem fama nem currículo dos Philadelphia Eagles. Tudo se decide hoje

É um confronto desigual. De um lado, a equipa, o treinador e o jogador mais venerados e, paradoxalmente, detestados da NFL (liga de futebol americano dos EUA). Do outro, um emblema, um técnico e um quarterback que causam pouco mais do que indiferença. A decisão do Super Bowl (hoje, 23.30, Sport TV1) é uma história repetida: os New England Patriots contra o mundo - e os Philadelphia Eagles com o papel de figurantes.

Os Patriots são a equipa que a maioria dos fãs adora odiar. "Eles são, obviamente, a equipa mais odiada da liga", assumiu LeGarrette Blount, running back dos Philadelphia Eagles, na antevisão da final - corroborando dos estudos de opinião que, nas últimas épocas, elegeram sucessivamente os New England Patriots, Bill Belichick e Tom Brady como a equipa, o treinador e o jogador mais malvistos da National Football League. Admirados por uma vasta legião de fãs (da ponta nordeste do país e não só), os patriotas da Nova Inglaterra são detestados por uma fatia ainda maior de adeptos, à conta do sucesso que têm colecionado desde 2001-02... e dos métodos que utilizaram, algumas vezes, para lá chegar.

Hoje, em Minneapolis (Minnesota), os New England Patriots vão participar no seu 10.º Super Bowl (um recorde). Até agora, ganharam cinco finais - 2001-02, 2003-04, 2004-05, 2014-15 e 2016-17 -, todas com Tom Brady em campo e Bill Belichick no banco. E, se vencerem, podem igualar o recorde de seis triunfos dos Pittsburgh Steelers, ao mesmo tempo que jogador (igualado com Charles Haley, antigo linebacker e defensive end dos 49ers e dos Cowboys) e treinador (isolado) cimentariam o estatuto de mais titulados das suas classes.

Tamanho sucesso é o responsável pelos anticorpos que o emblema de Foxborough gera nos adeptos das outras 32 equipas do campeonato - numa animosidade agravada pelas polémicas em que Brady, Belichick e companhia se foram envolvendo. Do spygate de 2007 (gravação ilegal dos sinais defensivos dos New York Jets) ao deflategate de 2015 (esvaziamento propositado das bolas, frente ao Indianopolis Colts), os Patriots já foram punidos várias vezes por tentativas de ganhar a todo o custo.

No entanto, críticas, vaias e apupos não os desmotivam. "Isso não nos incomoda. Não importa quem está contra nós: temo-nos uns aos outros", reage o running back Brandon Bolden. "Se nos odeiam, é porque estamos a fazer as coisas bem", acrescenta o colega Dion Lewis. "Detestam-nos como certamente detestavam os Chicago Bulls e Michael Jordan, porque ganhavam sempre [na NBA]", completa o linebacker David Harris.

O Michael Jordan da NFL é o veterano Tom Brady, uma das faces do desequilibrado duelo de quarterbacks no encontro de hoje. Do outro lado estará o quase desconhecido Nick Foles: um suplente de estatísticas discretas que só fez três jogos na fase regular mas que se tornou primeira opção após a lesão de Carson Wentz. A diferença de estatuto e de palmarés entre ambos (ver em cima) não podia ser maior.

Como Nick Foles, também o treinador Doug Pederson vai disputar o primeiro Super Bowl da carreira (nessa condição, pois venceu um campeonato de 1996-97 como jogador, batendo na final os Patriots). Os dois são o expoente máximo de uma equipa sem fama nem currículo: os Philadelphia Eagles apenas participaram em duas edições do Super Bowl e nunca ganharam (da última, em 2004-05, perderam com New England, por 24-21).

Nesse ano, quando o emblema da Nova Inglaterra conseguiu pela primeira vez a revalidação do título (feito que tenta emular este ano) e mostrou que a hegemonia estava para durar, terá nascido a antipatia generalizada pela equipa. "Toda a gente era simpática para nós quando me tornei o dono. Assim que começámos a ganhar, isso mudou", recorda Robert Kraft, proprietário do emblema de Foxborough (e um dos homens mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes).

Agora, cabe aos menosprezados Philadelphia Eagles tentar derrubar a hegemonia mais venerada e detestada do futebol americano. Seja qual for o resultado, será histórico.

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