Ogier acelera em Gales para o quinto título consecutivo

Francês segue em 3.º, atrás de Evans (1.º) e Tanak (2.º), mas mantém fortes hipóteses de se sagrar campeão já amanhã

Não teve um caminho fácil desde que ficou apeado pela desistência da Volkswagen do WRC (Campeonato Mundial de Ralis). No entanto, um ano depois, isso pouco parece ter abalado a sua clara supremacia na competição: o francês Sébastien Ogier, que seguiu carreira na equipa privada M-Sport, está em vias de conquistar o quinto título consecutivo, podendo festejá-lo já amanhã, no final do Rali de Gales.

Num fim de semana com três decisões em perspetiva no mundo do desporto motorizado (Lewis Hamilton e Marc Márquez também estão perto de se sagrarem campeões de Fórmula 1 e Moto GP, respetivamente), Ogier pode ser o primeiro a festejar. Ontem, após as sete primeiras especiais (de 21) do Rali de Gales, o piloto francês, de 33 anos, seguia no 3.º lugar da prova - a 26,8 segundos do britânico Elfyn Evans e 2,2 do estónio Ött Tanak, seus colegas da M-Sport. E mantinha fortes hipóteses de assegurar o pentacampeonato a uma corrida do final da temporada (Rali da Austrália, de 17 a 19 de novembro).

Sébastien Ogier, que comanda o Mundial com 191 pontos, 37 de vantagem sobre Tanak e 38 de avanço sobre o belga Thierry Neuville (da Hyundai), só precisa de somar mais 23 para confirmar o quinto título consecutivo. Basta-lhe vencer em Gales (25); ser segundo e somar os pontos de bónus para o vencedor da Power Stage de amanhã (18+3); ou esperar que Tanak e Neuville não recuperem mais do que seis e sete dos pontos de atraso (respetivamente).

Com a concorrência já bastante distante de Elfyn Evans, galês que corre em "casa" e persegue a primeira vitória da carreira no WRC, Ogier poderá ter caminho aberto para o título (Neuville, o outro candidato, é 4.º, a 10,3 segundos do francês). E promete não facilitar. "Esta pode ser uma prova muito especial para a equipa mas não podemos pensar muito nisso. Só precisamos de concentração e de desfrutar do rali. Temos de dar o melhor... mas é difícil gerir todas as emoções", disse o tetracampeão mundial, no início da prova britânica.

Em causa pode estar a segunda maior série hegemónica na história do Mundial de Ralis, só superada pelos nove títulos consecutivos de Sébastien Loeb (entre 2004 e 2012). Ogier, que sucedeu ao compatriota e homónimo como rei do WRC, está empatado com os quatro títulos dos finlandeses Tommi Mäkinen (1996 a 1999) e Juha Kankkunen (1986, 1987, 1991 e 1994).

Kankkunen foi campeão por três marcas diferentes (Peugeot no primeiro título, Lancia nos dois seguintes, Toyota no último). Antes dele, só o alemão Walter Röhrl tinha celebrado com duas cores distintas (Fiat em 1980, Opel em 1982). E agora Sébastien Ogier pode juntar-se a esse lote restrito, um ano depois da desistência inesperada de a Volkswagen o ter deixado órfão de equipa (com o copiloto Julien Ingrassia), no final do campeonato de 2016.

Então, entre os convites da regressada Toyota e da M-Sport, equipa britânica privada fundada e dirigida pelo antigo piloto Malcolm Wilson, Ogier e Ingrassia escolheram a opção menos famosa (e distante dos recursos e orçamentos de outras equipas de fábrica como a Citroën e a Hyundai). Mas, aparentemente, escolheram bem: com duas vitórias e oito pódios, nos 11 ralis disputados ao volante do Ford Fiesta WRC da equipa britânica estão longe do domínio dos tempos da Volkswagen mas têm sido os mais regulares da temporada.

A "fome de sucesso de Malcolm Wilson" era o "desafio entusiasmante" que Sébastien Ogier dizia querer superar, ao chegar à M-Sport. E isso está cada vez mais perto de acontecer, igualmente no campeonato de construtores: com 83 pontos de vantagem sobre a Hyundai, a equipa britânica está a apenas quatro pontos de distância de assegurar o título (algo que os carros da Ford não atingem desde 2006).

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