O VAR atrasa o jogo? Nada comparado com as faltas

Estudo mostra que videoárbitro é dos fatores que menos fazem parar o jogo no Mundial

A introdução do videoárbitro é a grande novidade tecnológica neste Mundial de futebol e, tal como tem acontecido um pouco por todos os campeonatos onde já foi implementado, abriu grandes focos de discussão. Entre as críticas mais insistentes à utilização do VAR está o tempo de paragem que ele provoca no jogo, mas um estudo realizado durante este Mundial da Rússia vem por em causa essa ideia feita. De facto, o recurso à revisão vídeo das jogadas polémicas tem sido até um dos fatores com menos impacto no tempo perdido ao longo das partidas do campeonato do mundo.

O estudo, levado a cabo pelo site norte-americano FiveThirtyEight, revela que o VAR só fez perder, em média, pouco mais de meio minuto (0.31) por cada um dos primeiros 32 jogos deste Mundial. O que corresponde a uma ínfima percentagem do tempo total de jogo: 0.5%. Longe, muito longe, do principal motivo de paragem observado, que são as faltas (pontapés livres). Estas "roubaram" mais de dez minutos (10.29) de jogo, em média, aos 32 desafios analisado neste torneio. Ou seja, 10.8% do tempo total.

À frente do VAR como causa de perda de tempo estão ainda vários outros fatores, como os lançamentos laterais (7 minutos e 50 segundos por partida, ou 8.1% do total), os pontapés de baliza (6 minutos e 3 segundos, 6.2%), cantos (4 minutos e 14 segundos, 4.4%), lesões (4 minutos e 10 segundos, 4.3%), substituições (3 minutos e 3 segundos, 3.1%) e até celebrações de golos (2 minutos e 55 segundos, 3%).

Cartões, discussões e penáltis também causaram maiores interrupções do que o videoárbitro, o que obriga os críticos da tecnologia a considerar outros argumentos - apesar de o estudo não incluir ainda o polémico Irão-Portugal, onde o VAR foi protagonista recorrente.

Compensação compensa pouco

O estudo feito pelo FiveThirtyEight teve como foco principal o tempo de compensação atribuído pelos árbitros e veio confirmar, aí sim, uma ideia generalizada: a de que o crime (da perda de tempo) é o que verdadeiramente compensa. Em média, os árbitros deram menos 6 minutos e 11 segundos de "descontos" do que aquilo que deveriam face às reais perdas de tempo durante as primeiras 32 partidas do Mundial.

O tempo médio de compensação foi de 6.59 minutos, no conjunto das duas partes, enquanto o desperdício real foi de 13.10 minutos. O Bélgica-Tunísia, com menos 13.7 minutos, foi o mais prejudicado. No Portugal-Espanha, por exemplo, houve menos 8.3 minutos de jogo. E só numa partida foi dado tempo a mais: no Alemanha-Suécia que os alemães venceram com um golo de Kroos mesmo sobre o final.

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