O reconhecimento da Fóia valeu a amarela a Daniel Martin

Irlandês tem quatro segundos de vantagem sobre o esloveno Primoz Roglic

Daniel Martin (Quick-Step Floors) recorreu à sua experiência para surpreender a concorrência e vestir-se de amarelo no alto da Fóia, numa segunda etapa da Volta ao Algarve em bicicleta em que a surpresa foi Amaro Antunes (W52-FC Porto).

Sabia-se que a Fóia faria a primeira triagem na lista de candidatos ao triunfo final, mas nem todos estavam preparados para o que se passou na subida ao ponto mais alto do Algarve: a Quick-Step Floors lançou três homens na frente e obrigou todos os outros a um esforço desmedido, com Primoz Roglic (LottoNL-Jumbo) a ser o único a estar à altura da ambição da equipa belga e do irlandês.

Líder da Quick-Step Floors para a Volta ao Algarve, Daniel Martin segurou o esloveno até ao risco de meta, para conquistar o seu primeiro triunfo em 11 meses e vestir uma amarela que o deixou visivelmente feliz.

"Vim reconhecer o percurso e conhecia perfeitamente a subida. Sabia que era importante arrancarmos em força desde a base e ganhar posição na frente. Foi um grande esforço da equipa. Rodámos na frente durante todo o dia, todos acreditaram nas minhas possibilidades. Estou feliz pela equipa", disse, ainda antes de subir ao pódio.

Martin não quis que ninguém estragasse o seu momento, preferindo nem pensar naquilo que o espera no contrarrelógio de Sagres, nem nos escassos quatro segundos de vantagem para Roglic e nos 26 para o terceiro, o polaco Michal Kwiatkowski (Sky), vencedor da 'Algarvia' em 2014.

"Farei o melhor que puder no contrarrelógio e veremos como correrá. Agora quero desfrutar desta vitória", 'disparou' o corredor de 30 anos.

Com 189,3 quilómetros a percorrer até ao ponto mais alto do Algarve, situado a 900 metros de altitude, no coração da serra de Monchique, vários foram os que tentaram contrariar o prognóstico de uma luta entre os principais candidatos à geral individual na chegada à Fóia, com oito 'bravos' a saírem do pelotão cinco quilómetros depois da partida de Lagoa.

Adam de Vos (Rally Cycling), líder da montanha, Edward Theuns (Trek-Segafredo), Kanneth Vanbilsen (Cofidis), Igor Boev (Gazprom-RusVelo), Brian van Goethem (Roompot-Nederlandse Loterij), João Matias (LA Alumínios-Metalusa BlackJack), Luís Gomes e Daniel Sánchez (RP-Boavista) trabalharam na frente para conseguir uma margem que nunca excedeu os 3.30 minutos e que foi decaindo à medida que as dificuldades da jornada se foram sucedendo.

Aos 151 quilómetros, o último dos resistentes, Edward Theuns, despediu-se da fuga, anulada pelo trabalho da Katusha-Alpecin, que tinha clara a missão de levar Tony Martin e Tiago Machado em boa posição até à escalada final, bem conhecida do seu diretor José Azevedo, que aí foi o melhor em duas ocasiões (2000 e 2001).

Mas, tal como em Lagos, havia outra formação com a lição bem estudada: à entrada dos 9,1 quilómetros da subida, com uma inclinação média de 6,2%, a Quick-Step Floors assomou à frente do grupo de favoritos e desmembrou-o, com Martin a isolar-se na companhia de Enric Mas, vencedor da Volta ao Alentejo de 2016, e de Zdenek Stybar.

Na resposta, 'colaram-se' aos homens da Quick-Step Floors o esloveno Roglic e o polaco Kwiatkowski, que pouco depois se isolariam com Martin na liderança. Vindo de trás para a frente, Amaro Antunes (W52-FC Porto) uniu-se aos grandes nomes do pelotão mundial, merecendo mesmo um olhar de esguelha do ciclista da Sky, com quem se cruzou no circuito de juniores.

Mas a resistência do português, que esta época já deu nas vistas na Volta a Valência, acabou a três quilómetros do alto, com o algarvio a ser apanhado pelos perseguidores -- na meta, coincidente com uma contagem de primeira categoria, Antunes foi o melhor português, ao ser quarto, diante do italiano Rinaldo Nocentini (Sporting-Tavira), a 33 segundos do vencedor, e está na mesma posição da geral, a 43 segundos do irlandês.

A etapa (e a amarela) estava confinada a uma luta a três e aí, com Kwiatkowski já descolado (foi terceiro, a 20 segundos), Martin levou a melhor, impondo-se num 'sprint' improvisado ao quinto classificado da geral do ano passado.

"Roglic esteve bastante forte em Valência e sabia que seria um dos favoritos para a classificação geral. Ataquei-o, porque não quis colaborar comigo mas no último quilómetro sabia que a minha experiência me seria útil", resumiu Martin.

O irlandês sabe que tem uma tarefa difícil nos 18 quilómetros de contrarrelógio da terceira etapa, mas hoje, quando despir a amarela, poderá respirar descansado, depois de ter praticamente eliminado nomes de peso da luta pela geral: o alemão Tony Martin (Katusha), vencedor da prova em 2011 e 2013, ou o português Tiago Machado, que estão a mais de 1.40 minutos da geral.

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