O Mónaco de Leonardo Jardim "dá baile a todos os franceses"

Equipa mais portuguesa da Ligue 1 discute hoje a liderança no dérbi com o Nice. O jornalista e comentador Olivier Bonamici desvenda os segredos do sucesso de Leonardo Jardim

É um sonho alimentado por muitos golos. Ao fim de 17 anos sem ser campeão e de um jejum de títulos de primeira categoria desde 2003, o projeto de redenção do Mónaco, pela mão do treinador português Leonardo Jardim, parece estar no ponto. Hoje, pelas 16.00, disputa mais uma "final", diante do Nice - com quem está em igualdade pontual no 1.º lugar da liga francesa. Mas o desafio principal já está ganho: reconquistar os adeptos, com um futebol "como não se via há muitos anos" no principado, explica, ao DN, Olivier Bonamici, jornalista e comentador da Eurosport (e simpatizante monegasco).
Leonardo Jardim é o homem em foco no clube do principado, onde alinham os médios portugueses Bernardo Silva e João Moutinho. "A nível tático, Jardim dá baile a todos os técnicos franceses, que são da velha escola do "futebol à Guy Roux" [nome lendário que dirigiu o Auxerre entre 1961 e 2005]", elogia Olivier Bonamici, dando ao português boa parte do crédito pela ascensão do Mónaco ao topo da liga francesa. "Há também o fator óbvio de o PSG [atual tetracampeão gaulês] estar mais fraco, porque teve de se reconstruir após a saída de Ibrahimovic", e de o Mónaco ter "um orçamento brutalíssimo para uma liga fraca como a francesa", nota o jornalista. Mas, acima de tudo, o que mudou foi o futebol praticado.
"Jardim teve de se adaptar à liga francesa e à mentalidade do Mónaco, muito ligada ao jogo bonito que praticavam há 25/30 anos, com Weah e companhia. No ano passado ganhava mas com um futebol aborrecido. E os adeptos não gostavam dessa ideia. Agora, não só ganha como também joga bem: abre o jogo e mesmo a ganhar por 2-0 continua a atacar", aponta Bonamici, dizendo que o próprio técnico mudou neste processo evolutivo: "Vê-se que está mais à vontade, mais solto. Antes, sempre que perdia era culpa da arbitragem, agora vive num clima de confiança."
No entanto, a principal razão do sucesso da equipa mais portuguesa da Ligue 1 (onde também dá cartas o Nantes, que Sérgio Conceição já resgatou dos lugares de despromoção) poderá ser mesmo o avanço tático. "Estuda muito bem cada situação e adapta-se e tem sempre resposta para os adversários: é uma coisa notável. Os próprios jogadores do Mónaco que já estiveram com técnicos franceses ficam espantados com a maturidade tática do Leonardo Jardim", destaca o jornalista da Eurosport. Numa liga onde os três primeiros classificados são orientados por estrangeiros [o Nice pelo suíço Lucien Favre, o Paris SG pelo espanhol Unai Emery], os franceses parecem ultrapassados.
Jardim, diz Bonamici, só precisou de tempo para se adaptar a um país novo e de fazer crescer um plantel "muito jovem", onde "Bernardo Silva e Lemar são os craques" e Radamel Falcao, avançado ex-FC Porto, o principal goleador. No entanto, o que mais surpreendeu a imprensa francesa esta temporada foi "a forma de jogar superofensiva do Mónaco, que há muitos anos que não jogava assim": tem, de longe, o melhor ataque da Ligue 1 (65 golos).
Agora, chegou a hora da verdade, com a receção ao vizinho e colíder Nice - a equipa-sensação do championnat e que na primeira volta goleou os monegascos (4-0) -, a antecipar um fevereiro infernal. Na antevisão da partida, Jardim afastou qualquer ideia de vingança: "Não a encaramos assim. Vai haver tensão, provavelmente provocações, mas o importante é manter a concentração. A nossa juventude deve aprender a superar a tensão destes jogos."
Olivier Bonamici retira carga dramática ao dérbi. Limitando a discussão do título a monegascos e parisienses, o comentador diz que "o que será decisivo" para a atribuição do título "é a forma como cada uma das equipas vai recuperar do desgaste dos jogos da Liga dos Campeões" [o Mónaco encontra o Manchester City, o PSG o Barcelona]. Em maio é que se saberá se Leonardo Jardim termina o longo jejum do Mónaco.

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