O Felgueiras renasceu e já está a dois passos das ligas profissionais

Com Ricardo Sousa como treinador e Fernando Meira, Nuno Assis e Pedro Mendes como investidores, emblema duriense procura regressar à ribalta

Não é exagero dizê-lo: o Felgueiras renasceu. Da mesma forma que reapareceu no futebol nacional depois da extinção e cisão em dois emblemas diferentes (em meados da década passada), ressurgiu esta época, em alta, no Campeonato de Portugal, após parecer praticamente afastado da luta pela subida de divisão. Com Ricardo Sousa como treinador e Fernando Meira, Nuno Assis e Pedro Mendes como investidores da SAD, o emblema duriense já só está a dois passos de regressar às ligas profissionais.

Uma primeira passada foi dada há uma semana: o Futebol Club de Felgueiras 1932 (1.º da série B) juntou-se a Vizela (1.º A), Vilaverdense (2.º A), União de Leiria (1.º C), Lusitano de Vildemoinhos (2.º C), Mafra (1.º D), Vilafranquense (2.º D) e Farense (1.º E) no lote de oito apurados para o play-off final de subida à II Liga (ver tabela de jogos). Apenas os dois finalistas sobem. Mas isso não faz os azuis-grená vacilarem. "Neste momento, o objetivo tem de passar pelos dois primeiros lugares. Quem conseguiu recuperar como nós conseguimos, tem de ter a máxima ambição", afirmou, ao DN, o treinador Ricardo Sousa.

O técnico, ex-jogador de FC Porto, Boavista e Beira-Mar (entre outros) e filho do também ex-futebolista e treinador António Sousa, chegou a Felgueiras em janeiro, quando o clube ocupava a 5.ª posição da série B - a seis pontos do 1.º lugar, único que deu acesso à luta pela promoção. E conseguiu dar a volta à situação. "Quando cheguei, disse que era impossível fazer promessas e que só queria deixar os sócios e adeptos orgulhosos do que fizéssemos em campo. Mudámos algumas filosofias de trabalho, começámos a vencer e encurtar distâncias para a frente e convencemo-nos de que podíamos chegar ao 1.º lugar. O grupo deu as mãos e conseguiu o objetivo", recordou.

Agora, falta a parte mais difícil: vencer duas eliminatórias para chegar à II Liga. A primeira será contra o Farense. "Era o adversário que menos queria, pelo investimento que fez, pela bela equipa que tem (com individualidades muito boas, com experiência de divisões superiores), por ter sido o clube que conseguiu mais vitórias e mais pontos [na primeira fase do campeonato]... mas está ao nosso alcance. Agora todos os jogos são finais e nós queremos vencê-las", aponta Ricardo Sousa, que chegou ao Felgueiras depois de ter treinado Sanjoanense, Lusitano VRSA e Anadia.

Com o Felgueiras às costas

O segundo craque da família Sousa (um terceiro, o seu filho Afonso, já brilha nos juniores do FC Porto e na seleção nacional de sub-18) assumiu o comando do emblema felgueirense à boleia da boa relação que tem com os investidores da SAD do Felgueiras, os ex-futebolistas Fernando Meira, Nuno Assis e Pedro Mendes, da empresa MNM Sports Management. "Foi por eles que vim. São eles que andam com o Felgueiras às costas. E é a eles que os adeptos devem agradecer o renascimento do clube", assume o técnico.

Reinaldo Teixeira, presidente do clube e da SAD felgueirense, também afirma que "o Felgueiras só ficou a ganhar com a parceria". "Num campeonato em que já há muito clube com investidores estrangeiros, este é um caso diferente: dois deles [Fernando Meira e Pedro Mendes] foram atletas do Felgueiras enquanto jovens e, depois, fizeram grandes carreiras internacionais. Foi o melhor que nos poderia aparecer", explicou.

Parte do jovem plantel do emblema duriense (depois da saída do médio Ricardo Fernandes, ex-FC Porto e Sporting, apenas o guarda-redes Márcio Paiva, ex-V. Guimarães e Rio Ave, tem experiência de jogar na I Liga) é agenciado precisamente pela MNM Sports Management. "Temos um grupo com qualidade e ambição", elogia o presidente. "Acredito que sete ou oito destes jogadores podem chegar facilmente à I Divisão, embora ainda estejam a crescer", apontou o treinador.

"Se querem chegar à I Divisão, porque não com o Felgueiras?", pergunta, entre sorrisos, Reinaldo Teixeira. Vinte e dois anos depois da única presença no escalão maior do futebol português (com Jorge Jesus no banco e Sérgio Conceição no relvado, espreitou os lugares europeus, mas caiu a pique na segunda volta), a cidade voltou a sonhar. "Os adeptos anseiam pela subida e estão a voltar, cada vez mais", revelou o dirigente.

Renascido depois da extinção

Por agora, a II Liga (por onde o clube andou 12 épocas, entre 1992-93 e 2004-05) está mais perto. "Vamos fazer tudo o que for possível para lá chegar", sublinhou Reinaldo Teixeira, por entre críticas ao "modelo injusto" do Campeonato de Portugal [com 80 participantes, desceram 30 e só vão subir dois]. E os duros anos em que o emblema original se extinguiu devido a dificuldades financeiras (2005), dando depois origem a duas coletividades de cores políticas diferentes (Clube Académico de Felgueiras e FCF Felgueiras), já parecem de um passado distante.

Sob o novo nome, Futebol Club de Felgueiras 1932, que reuniu as partes desavindas, o emblema azul-grená renasceu. "Não tenho dúvidas de que está preparado para voltar às ligas profissionais", diz Ricardo Sousa (também esperançado de que o seu trabalho "salte à vista", após anos de crescimento no terceiro escalão). "Este é o clube de todos os felgueirenses. Está organizado, com as contas em dia e com a estabilidade necessária para se fixar na II Liga", concluiu Reinaldo Teixeira. Só falta dar dois grandes passos para lá chegar.

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