O entusiasmo inglês pela primeira final mundial em 51 anos

Desde 1966, quando venceu o Campeonato do Mundo sénior, que a Inglaterra não levava uma seleção ao jogo decisivo. Surpreendente Venezuela é o rival de hoje

Pela primeira vez em 51 anos, uma seleção inglesa de futebol disputa a final de um Campeonato do Mundo. Os obreiros foram os jovens jogadores de sub-20, que hoje pelas 11.00 vão medir forças com a Venezuela, em Suwon, na Coreia do Sul.

A campanha dos three lions tem gerado grande entusiasmo em terras de Sua Majestade, berço da modalidade mas que desde 1966 não festeja um título mundial (esse é o único, de resto). Nesse ano, a 30 de julho, o selecionado principal bateu a Alemanha por 4-2 (após prolongamento), perante quase cem mil espectadores em Wembley, com um hat trick de Geoff Hurst.

O herói desse encontro, hoje com 75 anos, não deixou escapar a oportunidade e deixou uma mensagem de incentivo. "Boa sorte aos sub-20 na final do Mundial. Repitam o nosso sucesso de 1966", escreveu no Twitter.

Quem certamente não se lembra de ter experienciado o feito de há quase 51 anos é o selecionador Paul Simpson, que tinha nascido quatro dias antes. No cargo desde fevereiro, não tinha o melhor dos currículos quando assumiu a jovem equipa, uma vez que praticamente só tinha jogado e treinado em equipas de divisões inferiores. Considerado o mentor improvável desta campanha, surpreendeu tudo e todos, não só pela caminhada até à final mas também pela qualidade do futebol apresentado.

"Como treinador, trabalhar em lugares como Rochdale, Shrewsbury e Preston faz que sejas capaz de fazer tudo", afirmou o treinador, valorizando o seu trajeto profissional. "É um sonho levar a equipa à final de um Mundial. Nasci em 1966 e essa foi a última vez em que chegámos a uma. Estamos entusiasmados e desde o primeiro dia que digo que quero ir à final e ganhá-la", acrescentou, num discurso a fazer lembrar... Fernando Santos.

"Seria maravilhoso conseguirmos ganhar algo e tirar este peso das nossas costas", sonha Simpson, que conta com o núcleo duro de uma equipa que venceu o Campeonato da Europa de sub-17 em 2014 e um goleador inspirado: Dominic Solanke, lançado por José Mourinho no Chelsea e autor de quatro golos na caminhada até à final, incluindo dois na meia-final frente à Itália, na qual os ingleses estiveram a perder durante mais de uma hora. "A nossa hora chegou. A determinação é o que nos conduz. Sabemos que sempre que estivermos a perder podemos virar o jogo", afirmou o avançado, que neste verão vai trocar os blues pelo Liverpool, com forte convicção.

Mas se esta é uma final histórica para a Inglaterra, não o é menos para a Venezuela. A vinotinto atingiu a primeira final de um Mundial da sua história, numa fase em que o país atravessa uma onda de protestos e violência, com dezenas de mortes e milhares de feridos. E logo após o apuramento para o jogo decisivo, o selecionador Rafael Dudamel apelou ao presidente da República, Nicolás Maduro, para que haja paz.

"Por favor, parem já as armas. Hoje, um rapaz de 17 anos deu-nos uma alegria e ontem morreu um outro da mesma idade", afirmou o treinador, na quinta-feira, em alusão a Samuel Sosa, autor do golo do empate frente ao Uruguai, e Neomar Lander, adolesente falecido num protesto em Caracas."Esses miúdos que saem à rua querem uma Venezuela melhor, na qual possam rir, sorrir e desfrutar de uma ida melhor", acrescentou, na altura, o técnico de 44 anos.
Contudo, o dia de ontem da jovem seleção venezuelana não pautou pelo pacifismo, uma vez que os jogadores se envolveram em confrontos com os do Uruguai, num hotel em Suwon.

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