Quem é o melhor marcador da I Liga no século XXI? Gyökeres? Frio! Mário Jardel, Jackson Martínez, Lima, Jonas ou Óscar Cardozo? Longe! Não é ponta-de-lança, nunca foi campeão, nunca foi coroado goleador-mor do campeonato e nem sequer jogou, a nível sénior, por um dos três grandes. O improvável novo detentor deste recorde é Ricardo Horta, que em fevereiro deixou Liedson ainda mais levezinho, quando superou os 116 golos que o antigo avançado luso-brasileiro de Sporting e FC Porto apontou entre 2003 e 2011.O atacante do Sp. Braga, que joga habitualmente como extremo ou nas costas do avançado, contabiliza já 118 golos, tendo estabelecido a marca num mês de fevereiro especialmente produtivo: bisou ao AFS e ao Rio Ave e marcou ainda ao Gil Vicente e ao Vitória de Guimarães. O Sporting (amanhã, às 18h00) é o adversário que se segue.. O antigo ponta-de-lança paraguaio do Benfica, Cardozo, completa o pódio deste século, com 112 golos, seguido de perto por outro ex-goleador das águias, Jonas (110). Entre os jogadores no ativo, quem mais se aproxima é Mehdi Taremi, iraniano que passou por Rio Ave e FC Porto, atualmente ao serviço do Olympiacos (82). A jogar atualmente em Portugal, os que mais se acercam são o benfiquista Rafa Silva (78), o leão Pedro Gonçalves (77) e o estorilista Pizzi (75).Dos 118 golos de Ricardo Horta na I Liga, sete foram apontados pelo clube no qual se iniciou profissionalmente, o Vitória de Setúbal, o primeiro dos quais numa vitória (1-0) sobre a Académica no Bonfim a 9 de dezembro de 2013. Os outros seis foram obtidos também na temporada 2013/14, antes de se transferir para os espanhóis do Málaga, de onde se mudou para Braga no verão de 2016.Papa-recordes na PedreiraEmbora o Sp. Braga já fosse há muito um clube estabelecido na I Liga, reconhecido como a quarta força do futebol português e tivesse tido ao longo dos tempos vários jogadores com muitos anos de casa, Ricardo Horta tem destronado alguns dos recordes mais importantes dos arsenalistas. É, com 154 golos em todas as competições, o melhor marcador de sempre dos bracarenses, um recorde que bateu em maio de 2022, quando destronou Mário Laranjo (92). Mais recentemente, em fevereiro do ano passado, superou José Maria Azevedo (410) na lista de jogadores com mais jogos pelo Sp. Braga, contando já 466. E só não é o mais titulado da história do clube, com uma Taça de Portugal (2020-21) e duas Taças da Liga (2019-20 e 2023-24), porque o guarda-redes Matheus Magalhães, além desses troféus, venceu ainda a Taça de Portugal em 2015-16.Saída gorada e pouca seleçãoNem tudo foram rosas durante estes quase dez anos de Ricardo Horta na Pedreira. Tamanha longevidade no clube não foi, no verão de 2022, o que o jogador mais desejava. “Acho que é daqueles assuntos que quanto menos se falar, melhor”, confessou quase três anos depois. Na altura, o Benfica apresentou uma proposta de 17 milhões de euros e o jogador chegou a despedir-se dos adeptos, com gestos simbólicos para a bancada no final de um jogo com o Sporting, mas o presidente António Salvador rejeitou a oferta e exigiu 20 milhões mais um jogador, o que fez abortar o negócio. . Outro aspeto menos positivo para o jogador de 31 anos, natural de Almada, é a pouca assiduidade na seleção nacional. Soma 12 internacionalizações e quatro golos, três dos quais obtidos na condição de suplente utilizado. Estreou-se de quinas ao peito ainda com Paulo Bento, no início da ligação ao Málaga, em setembro de 2014, e só voltou a jogar em 2022 com Fernando Santos e em 2023 com Roberto Martínez, tendo marcado presença no Mundial 2022. Pouco para um jogador que em quatro das últimas cinco épocas chegou aos dois dígitos tanto em golos como em assistências.