Nadal termina 2017 como n.º 1 após vitória em Paris

Espanhol tornou-se o mais velho de sempre a fechar o ano como líder do ranking,o que sucedeu pela quarta vez, e igualou os registos de Djokovic, Ivan Lendl e John McEnroe

Rafael Nadal já pode dormir descansado, pois, mesmo que não vença o Masters 1000 de Paris, vai terminar o ano de 2017 como número um da hierarquia mundial. É a quarta vez na carreira que o espanhol acaba um ano civil na liderança do ranking ATP (2008, 2010, 2013 e 2017), ele que ontem se tornou o jogador mais velho (31) a conseguir este feito - nunca um tenista com mais de 30 anos o havia conseguido desde que o ranking foi criado em 1973.

Nadal acumulou até ao momento 10 555 pontos, números impossíveis de alcançar por Roger Federer (está ausente do torneio de Paris), o segundo da hierarquia, que, mesmo que vença o ATP Finals de Londres (última prova do ano que se realiza entre 12 e 19 deste mês na capital inglesa), somará 1500 pontos e tem neste momento uma desvantagem de 1550.

Beneficiando da ausência de Federer na prova parisiense (alegou problemas físicos), Nadal precisava apenas de vencer o sul-coreano Hyeon Chung (55.º do mundo) para manter o trono que ocupa desde 14 de agosto. Com alguma dificuldade, o espanhol bateu ontem o tenista asiático na segunda ronda do Masters de Paris, por 7-5 e 6-3 - Chung é conhecido por jogar de óculos e tornou-se tenista a conselho dos médicos, pois em criança tinha problemas de visão e o seu pai achou que poderia progredir ao fixar-se na cor amarela da bola.

"Há um ano certamente não sonhava com isto. Estou muito feliz por tudo o que consegui, foi de facto um ano incrível a todos os níveis, mas ainda não terminou. Quero continuar a ganhar e vou dar tudo de mim", disse o espanhol após o final da partida com Hyeon Chung, ele que na terceira ronda vai medir forças com o uruguaio Pablo Cuevas.

A atual classificação de Rafael Nadal é o reflexo de uma temporada brilhante a todos os níveis, em que venceu seis títulos (melhor só em 2013, quando obteve dez triunfos), incluindo dois Grand Slams (Roland-Garros e Open dos Estados Unidos), isto para além de três finais perdidas (Austrália, Miami e Acapulco). Para terminar em beleza 2017, o espanhol pode ainda juntar ao currículo (além do Masters 1000 de Paris, que nunca venceu) a joia que lhe falta, o Masters de Londres (torneio que junta os oito tenistas mais bem colocados no ranking), onde vai reencontrar Roger Federer, que admitiu há uns dias que o espanhol merecia terminar o ano no trono: "O Rafa merece totalmente acabar 2017 como número um. Jogou a temporada completa com um tremendo esforço."

Com o primeiro lugar da hierarquia já assegurada em 2017, Nadal junta-se a um restrito lote de tenistas que conseguiram concluir um ano civil na liderança do ran-king em quatro ocasiões - John McEnroe, Ivan Lendl e Novak Djokovic. À frente tem apenas Roger Federer, Pete Sampras e Jimmy Connors, todos com cinco.

Neste ano veio também provar que os problemas com lesões que o afetaram nos últimos anos parecem definitivamente fazer parte do passado - costas, pulsos e a perna direita, lesões que o fizeram perder a liderança do ranking em julho de 2014 e que o condicionaram até ao início deste ano.

A segunda ronda do Masters de Paris ficou ontem também marcada pela eliminação do português João Sousa, que perdeu por duplo 6-2 com o argentino Juan Martín del Potro, tenista que ainda procura amealhar pontos que lhe permitam estar presente entre os oito melhores do ranking que vão marcar presença no derradeiro torneio do ano, o ATP Finals de Londres.