Murray e Djokovic: a guerra pelo trono continua na Austrália

Nadal e Federer regressam, mas serão ainda capazes de se intrometer no duelo entre o escocês e o sérvio pelo domínio do circuito?

Andy Murray e Novak Djokovic não desperdiçaram tempo neste início de temporada. Logo no primeiro torneio do ano, os dois primeiros do ranking mundial mostraram que não estão dispostos a facilitar na luta pelo trono do ténis masculino e proporcionaram o primeiro duelo de 2017 entre ambos na final de Doha (Qatar), que Djokovic conquistou ao fim de três emotivos e intensos sets. Um aperitivo para o diálogo que se prevê que vá dominar a temporada, a começar já pelo primeiro Grand Slam do ano, o Open da Austrália que começa nesta noite (00.00, Eurosport).

A vitória de Djokovic no Qatar pôs termo a uma série de 28 triunfos consecutivos de Andy Murray no circuito e permitiu recalibrar o estado anímico no duelo entre ambos, depois de o escocês ter destronado o sérvio do topo do ranking ATP mesmo na ponta final de 2016, subindo pela primeira vez a n.º 1 do mundo.

Agora, no arranque da nova época, e com Djokovic a ter deixado claro em Doha que quer recuperar o tempo e o trono perdidos, o cenário parece estar montado para que 2017 se torne uma grande batalha a dois entre os sobreviventes do Big Four que dominou a última década do ténis. Ou haverá espaço para outros protagonistas principais?

Gaspar Ribeiro Lança, diretor e fundador do site especializado Ténis Portugal, admite que o escocês e o sérvio são, nesta altura, dois tenistas à parte dos "restantes mortais" no circuito. "São, indiscutivelmente, os dois melhores tenistas da atualidade, os únicos contra quem verdadeiramente se pode dizer que todos os outros entram como se já tivessem perdido um set. Estão num patamar diferente de todos os adversários quer física quer mentalmente - e isso faz a diferença nos momentos decisivos", refere, em conversa com o DN.

Neste Open da Austrália, entram ambos com a motivação nos píncaros. Além de chegar pela primeira vez na carreira como o n.º 1 do mundo a um torneio do Grand Slam, e com um honroso título de Sir oferecido entretanto pela coroa britânica, Andy Murray procura em Melbourne pôr fim à malapata de cinco finais perdidas no torneio australiano. Quatro delas para Djokovic, o sérvio que começa 2017 com o orgulho ferido e que tem na Austrália outra motivação extra: bater o recorde de seis Aussies conquistados, que partilha com o lendário australiano Roy Emerson.

"Andy Murray está numa posição nova, que nunca antes conheceu. E quer, já o disse, ganhar os grandes títulos que lhe faltam: o Open da Austrália e Roland-Garros. Já o Djokovic tem, pela primeira vez em algum tempo, verdadeiramente um rival a abater. É o típico caso em que dois oponentes poderão "puxar" um pelo outro mais do que nunca", refere Gaspar Ribeiro Lança.

Apesar de chegar como número um do mundo a Melbourne, não é Murray o favorito nas casas de apostas para este Open da Austrália, mas sim Djokovic, para o que terá contribuído a vitória do sérvio em Doha, na primeira semana de janeiro, e o historial de ambos neste torneio.

Ainda assim, apesar do claro favoritismo dos dois primeiros do ranking, o diretor do Ténis Portugal acredita que eles "não estarão sozinhos" num passeio pelo circuito nem por este Open da Austrália.

De Wawrinka à nextgen

"À espreita de uma janela de oportunidades estão cada vez mais jogadores. Entre eles, talvez Milos Raonic seja o que está mais bem situado. Já tem a experiência do que é disputar uma final (Wimbledon, 2016) e do que é derrotar um grande candidato para lá chegar (com uma tremenda batalha ganha a Roger Federer nas meias-finais desse mesmo torneio), bem como a "estaleca" para aguentar 15 dias de ténis ao mais alto nível", diz Gaspar Lança, que aponta também o nome do japonês Kei Nishikori, "que continua na calha de um primeiro título em majors".

Mas Melbourne também é, desde 2013, "a praia de Stan Wawrinka", o suíço que nas últimas três edições brilhou no Grand Slam australiano e "sabe melhor do que a maioria o que é eliminar favoritos", lembra. "Por isso, e porque, como provou no US Open, continua aqui para as curvas, é também um dos jogadores a ter mais em conta", acrescenta Gaspar Lança, não esquecendo os "novos valores", como Dominic Thiem, Nick Kyrgios, Alexander Zverev e Lucas Pouille, "jogadores a [continuar a] ter em atenção já nesta época".

Os regressos de Nadal e Federer

Outra das histórias mais apetecíveis deste Open da Austrália é, obrigatoriamente, a dos regressos de dois dos maiores campeões de todos os tempos. Depois de terem visto a época passada encurtada por lesões, Roger Federer e Rafael Nadal estão de volta à ação. E a expectativa é grande para perceber se o suíço, recordista de títulos do Grand Slam (com 17), e o espanhol, que partilha com Pete Sampras o segundo melhor registo de todos os tempos nos majors (14), ainda têm combustível (ou condições físicas, sobretudo) para reintegrar o Big Four que partilharam com Murray e Djokovic durante tanto tempo.

Federer, que já vai nos 35 anos, surge pela primeira vez em muito tempo fora dos 16 primeiros cabeças-de-série do torneio, o que o coloca em rota de colisão no quadro com o líder mundial Andy Murray (podem defrontar-se na 4.ª ronda). Nadal, de 30 anos, entra como o nono cabeça-de-série.

"Enquanto estiverem no circuito, Roger Federer e Rafael Nadal não podem, de forma alguma, ser dados como cartas fora do baralho. Não têm a frescura de outros tempos, é claro, mas têm o ténis, a experiência, o público, a história a favor deles. E, se as lesões não forem impedimento durante uma, duas semanas seguidas nos momentos mais importantes, estarão aí certamente para a luta."

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