Mourinho. 156 dias no desemprego mas com várias ofertas recusadas

Desde que deixou o Chelsea têm chovido convites, até das seleções da Síria e Indonésia. Mas o técnico quer um clube de topo. Manchester United ainda é o destino mais provável

Cinco meses após a saída de José Mourinho do Chelsea, mais concretamente 156 dias, o futuro do treinador continua a ser uma incógnita e uma das principais expectativas do próximo defeso. O técnico já confirmou que vai regressar no próximo verão, mas o destino do treinador de 53 anos continua a ser um dos segredos mais bem guardados do mercado, apesar de o Manchester United surgir como o cenário mais provável.

Desde que deixou Stamford Bridge, José Mourinho tem sido recorrentemente associado ao Manchester United, a ponto de já vários jornais ingleses terem dado o técnico como certo em Old Trafford - ontem chegou a ser veiculado que Van Gaal seria promovido a diretor desportivo e Mourinho ficaria com o comando da equipa, notícia entretanto desmentida pela Sky Sports. À falta de informações concretas, as especulações já conheceram diversos avanços e recuos, e a "rota" para Manchester já esteve associada aos mais diversos desvios, desde Paris a Milão.

Desde que a Qatar Sports Investments assumiu o controlo do PSG, em 2011, o clube parisiense passou a sonhar com o duo português mais mediático: Cristiano Ronaldo e José Mourinho. Se o primeiro continua a ser inegociável para o Real Madrid, o treinador está, pela primeira vez desde então, livre de qualquer compromisso.

Nasser Al-Khelaïfi avisou que pretende que o PSG ganhe a Champions nos próximos dois anos, e a eliminação aos pés do Manchester City, nos quartos-de-final, deixou a saída de Laurent Blanc no fim da época encaminhada, apesar de ter revalidado o título francês. No entanto, o PSG sabe que pode não voltar a haver outra oportunidade de encontrar José Mourinho sem clube, por isso em abril contactou Jorge Mendes para conhecer a disponibilidade do técnico.

O Inter de Milão, campeão europeu com Mourinho em 2010, também foi associado ao técnico, mas o interesse não conheceu avanços. Os responsáveis do clube milanês pretendem levar a cabo uma revolução no clube, que tem estado em quebra no futebol italiano e europeu, mas vieram a público esclarecer que não havia qualquer tipo de acordo para a chegada de José Mourinho - para desalento dos adeptos.

Regressar à Liga espanhola é uma hipótese bastante remota, apesar de Ramón Calderón, ex--presidente do Real Madrid, ter afirmado que Florentino Pérez convidou Mourinho a regressar, numa altura em que Rafa Benítez era muito contestado. Entretanto, Zidane assumiu o comando técnico e, se ganhar a Liga dos Campeões, permanecerá firme no cargo.

Com as portas de Camp Nou fechadas e sem indícios de que Simeone vá deixar o Atlético Madrid, o Valência é outro destino possível em Espanha. A proximidade de Jorge Mendes com o dono do clube, Peter Lim, facilitaria o acordo, mas o técnico não considera que o Mestalla corresponda às suas ambições desportivas.

O mesmo para o Everton, da Premier League, que não foi além de uma sondagem. Numa Liga menos mediática, a turca, o Fenerbahçe terá proposto um salário de 15 milhões de euros/ano ao técnico, segundo o jornal Fanatik. Mas o dinheiro será o último fator a influenciar o técnico, que recolheu indemnizações chorudas nas duas vezes em que foi demitido pelo Chelsea.

Outros clubes seguiram a máxima "não custa nada tentar". Foi o caso do Íbis Sport Club, clube da segunda divisão do campeonato regional de Pernambuco e que é conhecido como "o pior clube do mundo", por ter o recorde mundial de jogos sem vencer. No que pode ser entendido como uma brincadeira, numa altura em que Mourinho estava de passagem pelo Brasl, o Íbis aproveitou para fazer uma proposta insólita.

"Não garantiremos a sua continuidade caso o clube ganhe mais de dois jogos ou títulos. Neste momento, é o que podemos fazer por si, que está sem clube", propôs o clube, oferecendo como salário "uma cesta básica". Mas Mourinho teria "um aumento salarial imediato, se a equipa perder por goleada", e rescisão de contrato se a equipa jogar bem e for campeã. O técnico nem se dignou a responder.

José Mourinho foi também, através da Gestifute, convidado por duas seleções. A Síria, com o sonho de ir a um Mundial pela primeira vez, fez uma proposta concreta e até a divulgou nas redes sociais. O técnico recusou o convite, "respeitosamente".

Mais recentemente, a Indonésia admitiu reunir esforços nacionais para contratar Mourinho, envolvendo Joko Widodo, o presidente, e o Comité Olímpico do país, de modo a reunir um fundo de 15 milhões de euros. Uma proposta ambiciosa para um país que foi suspenso pela FIFA e que não pode participar em competições internacionais até 2019.

José Mourinho esteve na última semana no México e mostrou-se irónico: "Se calhar já nenhum clube quer contratar-me." Certo é que o técnico vai regressar ao ativo, resta saber se em Old Trafford ou num destino surpreendente.

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