"MotoGP? Importante para mim agora é afirmar-me na Moto2"

Entrevista ao piloto português da Red Bull KTM Ajo

A ansiedade já não pesa assim tanto, no arranque para a sua sétima temporada entre a elite do motociclismo mundial, mas está "ligeiramente" presente, no momento da estreia de um novo projeto no campeonato de Moto 2, agora ao serviço da Red Bull KTM Ajo. Aos 22 anos, Miguel Oliveira prepara-se para viver a época de afirmação na categoria intermédia. E, por correio eletrónico, fala ao DN das ambições para a nova temporada, apontando a classificações no top 5. O tiro de partida é o Grande Prémio do Qatar, com treinos livres hoje a partir das 15.55, qualificação no sábado à mesma hora e corrida no domingo, pelas 17.20 (todos com transmissão na Sport TV5).

Já está em Losail, para o Grande Prémio do Qatar, prova inaugural do mundial de Moto2. Como lida com a ansiedade do arranque de uma nova época?

Lidar com ansiedade é algo a que me vou habituando todos os anos no início da temporada: existe mas ligeiramente.

Neste ano volta à Red Bull KTM Ajo, equipa pela qual se sagrou vice-campeão mundial de Moto3, em 2015. Como tem corrido este regresso a "casa"?

É muito importante ter à minha volta uma estrutura profissional que me faça crescer como piloto, para obter bons resultados. E, como é óbvio, voltar à equipa com a qual fui vice-campeão do mundo é um motivo de orgulho e motivação para lutar por bons resultados, ao mesmo tempo que me sinto um privilegiado por poder fazer parte deste novo projeto da KTM.

A marca austríaca estreia-se neste ano em Moto2. E os testes de pré-temporada deixaram muito boas indicações. Em 2017 vamos ter o Miguel Oliveira a lutar por posições de topo?

Sim, foram testes bastante positivos mas ainda é cedo para falar. Penso que estou preparado para lutar constantemente pelo top 5, mas temos de continuar a trabalhar afincadamente para que isso possa acontecer. Penso que só após a primeira corrida é que podemos começar a traçar um caminho para resultados.

E com que ambições em concreto é que aborda esta primeira prova do ano?

As expectativas são sempre muito elevadas para todos os pilotos: todos queremos vencer. Para além deste objetivo, é preciso pensar que é necessário começar sólido, terminar com o máximo de pontos possíveis e não esquecer que não se ganha o campeonato na primeira prova do ano.

Este pode ser o seu ano de afirmação em Moto2, depois de um 2016 de adaptação (ao comando de uma Kalex, da Leopard Racing). O que aprendeu nessa época de estreia numa nova categoria?

2016 foi um ano que me permitiu aprender todas as necessidades que esta categoria exige e passar por todas as dificuldades que o estatuto de rookie [novato] significa. Não ter uma estrutura que me pudesse guiar de forma a ter o crescimento esperado fez que tudo fosse ainda mais difícil.

Então, terminou o Mundial na 21.ª posição, com 36 pontos e tendo como melhor classificação um 8.º lugar no Grande Prémio da Catalunha. Agora , que objetivos fixou para esta temporada?

Este é um projeto novo e não tenho pressão para obter resultados. Por isso vou fazer o melhor possível.

Já conhece bem a categoria: quem é que serão os favoritos à conquista do título de Moto 2 neste ano?

Moto2 é uma categoria que traz sempre algumas surpresas, mas não podemos esquecer os pilotos mais experientes como Franco Morbidelle, Thomas Lüthi, Takaaki Nakagami, Álex Márquez, Lorenzo Baldassarri ou até algum rookie com o Fabio Quartararo. São pilotos que sempre poderão estar em lugares de destaque.

Estarão todos com a ambição de suceder ao Johann Zarco, que foi campeão em 2015 e 2016 e subiu neste ano MotoGP. Olhando para lá, como é que perspetiva a luta pelo título em 2017?

O campeonato de MotoGP teve muitas mudanças neste ano. Aparecem alguns pilotos novos com muita vontade, há outros que trocaram de equipa e são muito experientes e temos o Valentino Rossi a querer vencer o seu 10.º título [entre todas as categorias]. O Maverick Viñales tem dominado os testes de pré--temporada, é muito rápido, mas não é regra que vá ser assim durante todo o ano. Os títulos conseguem-se com muita regularidade e por vezes até sem vencer corridas.... Vamos esperar e ver.

Então e o Miguel espera estar na luta com eles, na MotoGP, já em 2018...ou daqui a quanto tempo?

2018 pode ser cedo ou não... o importante para mim agora é afirmar-me na Moto2. Se tiver uma proposta que valha realmente a pena, logicamente que darei o passo que ambiciono e que é o meu objetivo principal. Por agora vamos ver como se desenrola esta época, que poderá ditar o meu futuro no MotoGP.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG