Montanha-russa acabou mal para o Arouca

Equipa começou a época em junho, na Europa. Onze meses depois cai à II Liga

A mais longa temporada de todas as equipas que jogaram esta I Liga teve o pior dos desfechos para o Arouca, com uma descida de divisão impensável até há um par de jornadas. A equipa da pequena vila do distrito de Aveiro, que começou os trabalhos desta temporada a 20 de junho passado para preparar a histórica estreia nas competições europeias, viu ontem consumada a descida à II Liga com uma derrota por 4-2 no Estoril, na última jornada, ao mesmo tempo que o Tondela (Sp. Braga) e o Moreirense (FC Porto) operavam os seus "milagres" caseiros.

Presidente e diretor desportivo, mas também pai e filho, Carlos Pinho e Joel Pinho, abraçados no relvado da Amoreira no final do jogo, eram a imagem do trágico destino que se abateu sobre o Arouca neste final de uma temporada vivida como uma montanha-russa.

A euforia com a inédita campanha europeia - que terminou no playoff de acesso à Liga Europa aos pés do Olympiacos - coabitou com um arranque complicado de campeonato, com a equipa a ocupar a lanterna vermelha à oitava jornada. Mas a preocupação seria afastada, depois, com uma uma boa recuperação encetada pela equipa então treinada ainda por Lito Vidigal, que trepou até à primeira metade da tabela e parecia ter assegurado uma época tranquila quando Lito se despediu, após uma derrota na Luz, para ir treinar o Maccabi Tel Aviv, no início de fevereiro. Foi o começo da derrocada do Arouca. Desde então, a equipa só voltou a ganhar um jogo nesta I Liga, frente ao Feirense, na 29.ª jornada. De resto, perdeu dez e empatou dois, numa queda vertiginosa que começou com Manuel Machado - sucedeu a Lito Vidigal e encaixou cinco derrotas consecutivas, ficando ligado às descidas de Arouca e Nacional - e continuou com Jorge Leitão.

"Só dependíamos de nós próprios e não conseguimos. O demérito é todo nosso", lamentou o técnico interino que acabou a época. O Arouca entrava para a última jornada com três pontos de avanço sobre o Tondela e dois sobre o Moreirense, mas perdeu no Estoril por 4-2 (ainda esteve a ganhar com um golo de Goiano logo no primeiro minuto, mas ao intervalo já perdia por 3-2 e jogava com menos um, por expulsão de Hugo Basto) e viu os rivais vencerem Sp. Braga e FC Porto, respetivamente - e foi relegado pela pior diferença de golos face aos tondelenses.

A festa fez-se, naturalmente, em Tondela e em Moreira de Cónegos. "Nos últimos seis jogos fomos a melhor equipa do campeonato. O milagre foi acreditar muito", rejubilou Pepa, técnico do Tondela, após a vitória sobre o Sp. Braga (2-0, golos de Heliardo, aos 41", e Kaka, aos 64").

"Os nossos jogadores demonstraram uma grande atitude e uma grande qualidade no jogo. É o culminar de uma época fantástica para estes jogadores que venceram a Taça da Liga e conseguiram a manutenção", afirmou Petit, após o Moreirense bater o FC Porto (3-1).

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