Manning vs. Brady. Quem ganha o último duelo entre as maiores lendas do milénio?

Denver Broncos e New England Patriots lutam amanhã por um lugar no Super Bowl, no reencontro entre os quarterbacks que mais brilharam na última década e meia. Será, muito provavelmente, "o último tango" entre Peyton Manning e Tom Brady.

Como um herói caído do pedestal, Peyton Manning ficou no balneário a assistir pela televisão ao último jogo entre os seus Denver Broncos e os New England Patriots, em novembro. E terá vivido sensações ambíguas: os Broncos ganharam mas, só nesse encontro, o eterno rival Tom Brady fez três passes para touchdown, o triplo do que ele conseguiu em casa, naquele mesmo estádio, em toda a época (seis partidas). No entanto, o desenrolar do campeonato deu-lhe uma nova oportunidade para reeditar o duelo entre as duas maiores lendas da NFL (liga de futebol americano dos EUA) neste milénio. O escaldante Manning vs. Brady repete-se amanhã, na luta por um lugar no Super Bowl... e com expectativa de poder ser o último de uma saga histórica.

É o melhor aperitivo para o Super Bowl (7 de fevereiro) que um fã de futebol americano poderia desejar: um encontro entre duas estrelas da modalidade, comparável aos confrontos entre Larry Bird e Magic Johnson, no basquetebol, ou Muhammad Ali e Joe Frazier, no boxe. E ganha ainda mais relevo por ser, muito provavelmente, "o último tango" entre os dois quarterbacks - como lhe chama a Sports Illustrated. Denver Broncos e New England Patriots lutam pela vitória na conferência AFC - e respetivo bilhete para o Super Bowl - amanhã, em Denver, a partir das 20.05 (hora portuguesa, com transmissão na Sport TV3)

Manning e Brady marcaram uma era na NFL, a partir de 2001. Peyton só foi campeão uma vez (2006/07, pelos Indianapolis Colts, sendo MVP da final) mas foi considerado cinco vezes o jogador mais valioso do campeonato (2003/04, 2004/05, 2008/09, 2009/10 e 2013/14). Já Tom conduziu os Patriots a quatro títulos (2001/02, 2003/04, 2004/05 e 2014/15, três como MVP da final) e foi eleito por duas ocasiões o mais valioso da liga (2007/08 e 2010/11). "São os dois melhores na sua posição [quarterback, a mais determinante no futebol americano]. Têm uma rivalidade ao nível da que existe entre Messi e Cristiano Ronaldo", explica, ao DN, o quarterback mais bem-sucedido da modalidade em Portugal, José Pedro, hexacampeão nacional pelos Lisboa Navigators.

Esse antagonismo vê-se mais dentro do que fora de campo - onde trocam elogios com frequência - e já ganhou contornos históricos. Manning e Brady encontram-se pela quinta vez nos play-offs e quarta na final da conferência AFC, dois recordes entre quarterbacks titulares. No total, é o 17.º duelo entre ambos (Dan Marino e Jim Kelly fizeram mais, 21, entre 1984 e 1996). "Vai ser um encontro entre os dois melhores quarterbacks. É difícil prever um resultado. Mas o favorito é o Tom Brady, porque tem mais do dobro de vitórias - 11-5 - no confronto direto", analisa José Pedro.

As duas figuras estão no ocaso da carreira - Manning completa 40 anos em março, Brady faz 39 em agosto. E o jogador dos Broncos tem sido abalado por frequentes lesões - que o levaram a falhar o jogo de novembro. "Penso que será a última época de Manning, se conseguir ir à final e ganhar o Super Bowl. Para ele, este pode ser um momento determinante e vai tentar incuti-lo nos colegas", aponta o quarterback dos Lisboa Navigators. Quererá isso dizer que Brady está em melhor forma? "Não sei... no último jogo levou uma pancada forte e senti que isso abanou com ele", refere José Pedro.

Assim, "é muito difícil prever um resultado", sublinha o jogador português. "E os pormenores podem ser decisivos", acrescenta. Talvez já não se veja Tom Brady lançar para 333 jardas e quatro touchdowns, como no último encontro entre ambos (vitória dos Patriots sobre os Broncos, por 42-21, em novembro de 2014). Ou talvez Peyton Manning não pegue no jogo como no seu último triunfo, em janeiro de 2014, na final da conferência AFC (26-16, com lançamentos para 400 jardas e dois touchdowns). Mas ambos prometem marcar o confronto como fizeram desde a primeira vez, em setembro de 2001.

Manning pode fazer a diferença pela forma como consegue adaptar-se a imprevistos - "lê o jogo como se fosse um treinador em campo", diz José Pedro. Já Brady "está programado para seguir à risca o game plan do treinador", Bill Belichick, que levou os Patriots a quatro títulos e oito finais do Super Bowl desde 2000. Porém, no fundo, são parecidos, até na marca que deixaram no jogo ao longo de década e meia. Amanhã se saberá qual deles marcará presença no 50.º Super Bowl. Broncos (não são campeões desde 1999) ou Patriots (defendem o título) terão pela frente Carolina Panthers ou Arizona Cardinals, que se encontram também amanhã, em Charlotte (23:40, Sport TV3).

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