Yaroslava fugiu da guerra para ser campeã mundial e honrar a Ucrânia

Natural de Dnipro, a atleta quase não treinou por causa dos bombardeamentos e decidiu fugir para participar nos Mundiais de Belgrado.

O discurso de coroação da nova campeã do mundo de salto em altura, a ucraniana Yaroslava Mahuchikh foi revelador e não esqueceu o conflito na Ucrânia. "Antes de ir para a pista, a minha cabeça estava na Ucrânia. Esta medalha é para minha nação, para o meu povo e para o seu exército. Estou muito feliz por tê-la conseguido para os representar", afirmou a jovem atleta de 20 anos, que celebrou de forma emotiva, enrolando-se na bandeira ucraniana, enquanto era ovacionada pela Stark Arena, em Belgrado.

Entre as horas perdidas em bunkers e a ansiedade pelo que acontecia em Kiev quase não treinou. "Acordei no dia 24 de fevereiro com duas explosões e tive que ligar para meus pais e para o técnico. Percebi que os russos tinham iniciado a guerra. A situação era difícil e tive de sair da minha cidade, Dnipro", disse a atleta, confessando que a federação ucraniana a incentivou a competir para "mostrar que os ucranianos são fortes", que "nunca desistem".

Tinha sido bronze em Tóquio 2020 e sabia que podia chegar ao ouro, ainda mais depois da campeã Olímpica, a russa Lasitskene (ídolo de Yaroslava), ter sido afetada devido às sanções aplicadas à Rússia por causa da invasão da Ucrânia. Decidiu fugir e viajar de uma Ucrânia em guerra até Belgrado. "Demorei mais três dias para chegar aqui, foi uma viagem muito stressante. Foram centenas de telefonemas, inúmeras mudanças de trajeto, explosões, incêndios, o som dos alarmes antiaéreos", revelou Mahuchikh, que venceu o ouro com um salto de 2,02 metros. Levou a melhor sobre a australiana Patterson (prata) e a cazaque Nadezhda Dubovitskaya (bronze).

Iryna Gerashchenko, a outra ucraniana no concurso do salto em altura, terminou no quinto lugar, com 1,92 metros.

Filha de um canoísta e de uma ginasta, Yaroslava começou a praticar atletismo aos sete anos, fixando-se no salto em altura com 13 anos. Treinada por Tetyana Stepanova, a evolução brutal não deixou dúvidas que essa foi a escolha certa. Adora escrever e ler os livros de Harry Potter de J.K. Rowling , mas também aprecia algo menos fantasioso como o livro de Howard Schultz -How Starbucks Built a Cmpany One Cup at a Time. Diz-se aventureira e por isso mesmo deu o nome de Lara (de Lara Croft) à gata.

Concentra-se a fazer tranças no cabelo e a pintar as unhas, uma espécie de ritual antes das provas. E tem corrido bem. Ontem juntou o ouro mundial indoor ao cetro europeu, à prata ao ar livre e ao bronze Olímpico. E só tem 20 anos.

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