Muhammad Ali. Lenda do boxe mundial morre aos 74 anos

O pugilista que flutuava "como uma borboleta" e picava "como uma abelha" não resistiu a complicações respiratórias

Muhammad Ali, o lendário ex-campeão mundial de boxe, morreu esta madrugada, aos 74 anos. Além do desempenho nos ringues, Ali destacou-se pelo seu ativismo pelos direitos civis e pela personalidade - gostava de dar espetáculo antes, durante e depois dos combates. Era ele o pugilista que flutuava "como uma borboleta" e picava "como uma abelha", uma das suas frases mais famosas.

Ali tinha sido internado num hospital de Phoenix, no Arizona, na quinta-feira, por causa de problemas respiratórios. O comunicado da família confirmou que não resistiu à doença e a um estado de saúde frágil. "Depois de uma batalha de 32 anos com a Doença de Parkinson, Muhammad Ali morreu aos 74 anos", disse o porta-voz da família, Bob Gunnell. O funeral será em Louisville, a cidade onde nasceu, no estado do Kentucky.

Campeão mundial de pesados em 1964, 1974 e 1978, Ali é considerado o maior pugilista da história da modalidade. Alguns dos seus combates ficaram para a história, como o chamado "the rumble in the jungle", em Kinshasa, contra o campeão George Foreman, que venceu.

Muhammad Ali nasceu Cassius Marcellus Clay em Louisville, em janeiro de 1942. Começou a lutar como amador aos 12 anos e ganhou fama aos 18, ao conquistar o ouro nos Jogos Olímpicos de Roma na categoria meio-pesado.

Quatro anos depois, com apenas 22 anos, tornou-se o campeão de pesos pesados ao derrotar o temido Sonny Liston. Foi a "única vez" que se sentiu assustado no ringue, confessaria mais tarde. "Sonny Liston. Primeira vez. Primeiro round. Disse que me ia matar", contou numa entrevista. Uma admissão rara para alguém que era conhecido, na juventude, pela arrogância misturada com sentido de humor: "Sou jovem; sou bonito; sou rápido. É impossível vencer-me", dizia "o maior".

Nesse mesmo ano converteu-se à Nação do Islão e mudou de nome - abandonou o "nome de escravo" que lhe tinham dado e escolheu um mais de acordo com as crenças do grupo religioso fundado em Detroit, que tinha como objetivo melhorar a condição socioeconómica e espiritual dos afro-americanos.

A sua carreira foi interrompida durante três anos e meio nos anos 60 quando recusou combater no Vietname - chegou a ser condenado a uma pena de prisão por esta decisão, condenação que foi depois foi anulada pelo Supremo Tribunal. "Por que me pedem para vestir um uniforme e viajar 10 mil milhas para despejar bombas e balas em pessoas castanhas no Vietname enquanto os chamados negros de Louisville são tratados como cães e veem ser-lhes negados direitos humanos básicos", argumentou na altura.

Voltou aos ringues e venceu o título mais duas vezes antes de se retirar, em 1981 - ganhou 56 dos 61 combates em que participou. Depois de se retirar travou outra luta: contra a doença de Parkinson, que lhe foi diagnosticada poucos anos após abandonar o pugilismo.

Sucedem-se as reações à morte de Muhammad Ali. "Parte de mim partiu", disse George Foreman à BBC. Ainda no mundo do pugilismo, o atual campeão do mundo de pesos pesados, Floyd Mayweather salientou à Fox News que Ali inspirou a comunidade negra. "Ele era a voz para nós. Ele foi a voz para eu estar onde estou hoje. Queria agradecer a Muhammad Ali e à sua família por serem pessoas tão fortes", afirmou.

"Estou feliz por tê-lo conhecido porque quando era miúdo, com oito anos, disseram-me que ia ser como o Ali", recordou Evander Holyfield, ex-campeão do mundo nos anos 90, MSNBC. O mexicano Oscar De LA Hoya escreveu no Twitter que Ali "transcendeu o desporto e foi um verdadeiro campeão", colocando uma fotografia dos dois.

Mas as mensagens chegam de outras áreas. Mo Farah, campeão olímpico dos 5000 e 10 mil metros realçou que "é um dia triste para todos os desportos, não apenas para o boxe". "Ele era um ícone. Alguém que cresci a ver. Era um dos meus heróis. Perdemos uma lenda", afirmou, citado pelo The Guardian.

O antigo presidente dos EUA, Bill Clinton, recordou quando homenageou o pugilista na Casa Branca, salientando que Ali "tornou-se maior do que a sua lenda". "Desde o dia em que conquistou a medalha de ouro olímpica em 1960, os fãs de boxe em todo o mundo sabiam que estavam a ver algo uma mistura de beleza e graça, velocidade e força que poderá nunca ser igualada", destacou.

Floyd Mayweather, campeão do Mundo de boxe, também homenageou Ali nas redes sociais. "Hoje, o meu coração vai para um pioneiro, uma verdadeira lenda e um herói! Não há um dia em que eu entrasse no ginásio e não pensava nele. O seu carisma, charme e, acima de tudo, a sua classe são todos os elementos que irão fazer muita falta para mim e para o mundo. Ali é alguém que me inspirou muito ao longo da minha carreira no boxe, e as palavras não podem expressar o quão grande Ali era como pessoa! Obrigado por tudo o que fez para a América negra, no mundo do desporto e entretenimento e para o legado que deixa! As minhas sinceras condolências à família Ali!"

"As palavras não podem explicar o que Ali fez pelo mundo do boxe. É umas das pessoas que me marcaram profundamente e contribuíram para eu estar onde estou hoje. Perdemos uma lenda, um herói e um grande homem", disse o pugilista Manny Pacquiao.

(Notícia atualizada às 12:30)

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