Lee Duck-hee, o tenista surdo que aos 18 anos desafia a lógica

O jovem jogador asiático considera que a sua deficiência é uma vantagem e aos 18 anos já bate às portas do top 100 da hierarquia ATP

Lee Duck-hee tem 18 anos, mas já é tenista profissional desde 2012 e é o atual 149.º classificado da hierarquia ATP. Até hoje, nunca ouviu um assobio ou um protesto: Lee é surdo, uma deficiência que considera uma grande vantagem na sua carreira.

"Isso não é um problema para o meu jogo. Pelo contrário, é uma vantagem. Nunca me distraio com o barulho do público nem pelo som dos meus adversários. Nada me perturba. Encaro isto como se fosse uma dádiva e não como uma limitação", afirma o jovem tenista, que já amealhou 142 mil euros em prémios do circuito mundial desde que iniciou a sua carreira.

Ao contrário de outros tenistas, que se iniciam cedo em escolas de formação, Lee Duck-hee começou a despertar a atenção no circuito escolar. Na Coreia do Sul, no Festival Nacional de Desporto, a escola Mapo apresentou-se na competição com uma novidade: um jovem tenista de Jecheon, cidade que fica a duas horas de distância.

Tratava-se de Lee Duck-hee, que não sentiu dificuldades em vencer o torneio - ganhou a final por duplo 6-1. A surpresa, porém, dava-se quando as pessoas percebiam que o sul-coreano era surdo, algo que poderia ser visto como um obstáculo num desporto em que os sons ajudam a ter a perceção da trajetória, velocidade e efeito da bola.

"É necessário um estilo de jogo muito diferente. O som ajuda a perceber a trajetória da bola. Um jogador é capaz de identificar que tipo de movimento faz o adversário através do som. Mas um tenista com deficiência auditiva não conhece esses sons, por isso tem de estar mais concentrado no movimento do adversário e na rede", argumentou Katie Mancebo, técnica da equipa de tenistas surdos dos EUA, em declarações ao jornal The New York Times.

Joo Hyun-sang foi o treinador que descobriu Duck-hee e ficou surpreendido ao saber que era surdo. Inicialmente, julgou que tal poderia ser um grande obstáculo. "Quando o vi pela primeira vez, duvidei que pudesse ser um grande jogador, por ser surdo. Mas quando o comecei a acompanhar, e quando vi o quanto ele estava a evoluir, tive a certeza de que ele ia conseguir", sublinhou.

Bastaram dois anos de carreira profissional para Lee Duck-hee se distinguir: aos 16 anos foi 3.º classificado na hierarquia mundial de juniores. E no último mês conseguiu atingir o 143.º lugar do ranking ATP, a melhor classificação de sempre de um tenista com deficiência auditiva. Entretanto, recuou seis posições na tabela, mas o sonho de chegar ao top 100 tornou-se alcançável com vista a 2017.

Curiosamente, a audição não é a única limitação de Duck-hee: os seus 1,75 metros de altura são considerados uma estatura baixa para um tenista profissional, sobretudo por não ser fisicamente robusto. "Acho que ainda vou crescer um pouco", brincou o jovem.

Superar Hyung-taik
Lee Duck-hee, como qualquer tenista da sua idade, sonha em ser "o número um do mundo". Mas primeiro propõe-se a uma fasquia mais abaixo: ser o melhor tenista da história da Coreia do Sul, sendo certo que para isso terá de superar a melhor marca de Lee Hyung-taik, que chegou a 36.º na hierarquia ATP em 2007 e conquistou um título no circuito ATP.

Na sua ainda curta carreira, o sul-coreano foi a 11 finais de torneios Future e conseguiu oito vitórias. No escalão Challenger, segunda principal categoria, perdeu a final de Taiwan em setembro, diante do compatriota Hyoen Chrung.

Entrar no quadro principal de um torneio do Grand Slam é, também, um objetivo para o curto prazo. Em 2016, o sul-coreano foi batido na primeira ronda de qualificação dos Opens da Austrália e de França, mas chegou à segunda ronda de qualificação do US Open.

O seu percurso já valeu a atenção de patrocinadores, sem que o tenista esconda que o facto de ser surdo faz que mereça mais atenção. "Ele tem de ser tratado como qualquer outro jogador. Mas há oportunidades e algumas vantagens que podem ser tiradas do seu défice auditivo, inclusive até em negócios, pois nunca houve um jogador assim", admitiu Lee Dong-yeop, representante do tenista.

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