Justiça obriga atleta russa a devolver 500 mil euros à Maratona de Londres

Liliya Shobukhova venceu a prova em 2010 e ficou em 2.º em 2011, mas foi apanhada nas malhas do doping em 2014. Maratonista está agora banida das cinco principais corridas

Em 2010 a russa Liliya Shobukhova cortou a meta em 1.º lugar na Maratona de Londres. Um brilharete que quase repetiu em 2011, ao ficar em segundo na prova londrina. Resultados que foram conseguidos, com recurso a substâncias dopantes, segundo a Federação de Atletismo da Rússia, que a afastou em 2014, devido a irregularidade no passaporte biológico (a reportar a 2009).

Mal soube disso a organização da prova londrina exigiu, na justiça, que a atleta devolvesse os prémios monetários ganhos com as duas participações. Ontem, o tribunal de recurso deu ganho de causa à entidade que organiza a prova contra a maratonista russa, que terá assim de devolver 400 mil libras (cerca de 476 mil euros).

Apesar da decisão do tribunal, a organização da maratona de Londres terá de esperar que a pena seja aplicada na Rússia."Será um longo e difícil processo, mas vamos continuar, estamos determinados em que os batoteiros não tirem dividendos", disse o editor executivo da maratona, Nick Bitel, explicando que o dinheiro será redistribuído pelos atletas prejudicados.

E que a luta contra os "batoteiros" continua e está cada vez mais apertada, já que atualmente os maratonistas enfrentam um maior escrutínio em matéria de controlos antidoping. "Além dos testes da IAAF e das federações nacionais, a organização das maratonas mundiais tem um dos maiores grupos privados de testes, com 150 atletas a serem controlados fora de competição, num mínimo de seis vezes ao ano", referiu Bitel.

Shobukhova, de 38 anos, foi suspensa inicialmente, por três anos. Pena essa que foi reduzida para sete meses, depois de ela aceitar colaborar com as investigações da Agência Mundial Antidopagem. Aliás o caso de doping da maratonista é o centro de uma investigação contra Papa Missata Diack, o filho fugitivo do antigo presidente da IAAF Lamine Diack, acusado de, em conjunto com outros oficiais da federação internacional, ter chantageado a russa em 450 mil euros, para que ela pudesse competir nos Jogos de Londres 2012, depois de um controlo positivo.

Além de ver apagados os resultados obtidos em Londres, Shobukhova viu também anuladas as vitórias na maratona de Chicago em 2009, 2010 e 2011. Triunfos que a tinham consagrado como uma das maiores maratonistas do mundo.

Ficou livre para competir em agosto de 2015, mas não está a ser fácil voltar. Os organizadores da Maratona de Londres baniram Shobukhova da prova para sempre, tal como Boston, Berlim, Chicago e Nova Iorque. Restam a Shobukova os recordes europeus dos 5000 m (14:25.75) e dos 3000 metros em pista coberta (8:27.86), ambos alcançados em 2006.

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