Aos 22 anos, Diana Moreira iniciou recentemente um percurso no hóquei no gelo português como árbitra, depois de ter tido o primeiro contacto com a modalidade durante o estágio que realizou na Federação de Desportos de Inverno de Portugal, no âmbito da licenciatura em Ciências do Desporto que concluiu na Universidade da Beira Interior, na Covilhã. Até então, a ligação ao gelo tinha sido apenas recreativa. “Nunca tinha tido contacto com o hóquei no gelo. Já tinha patinado no gelo de forma lúdica, mas nunca de forma séria”, conta.Durante o período de estágio, assistiu a vários jogos e teve a oportunidade de experimentar a modalidade, o que acabou por despertar o interesse pela arbitragem. “Como até estava a ter algum interesse pelo hóquei, pensei: por que não? Até é bastante interessante”, recorda. Foi então que decidiu frequentar o curso de arbitragem de hóquei no gelo, dando início a um percurso ainda recente, mas que pretende continuar a desenvolver.A estreia aconteceu pouco tempo depois, num jogo de formação. Apesar do nervosismo inicial, a experiência acabou por correr bem. “Estava um bocadinho nervosa, mas depois passou tudo. Foi tranquilo. Para a primeira vez acho que correu bem”, afirma. Admite que o objetivo passa por apitar cada vez mais partidas e, no futuro, chegar também aos escalões seniores, reconhecendo que são contextos mais exigentes.No dia-a-dia, Diana trabalha na pista de gelo da Covilhã, onde participa em várias atividades ligadas à promoção do desporto e da patinagem. “Estamos na pista de gelo a trabalhar enquanto ela está aberta ao público. Temos atividades com miúdos que vêm cá patinar, damos aulas de patinagem e também temos projetos com crianças com deficiência intelectual, que vamos buscar à escola e trazemos aqui”, explica. Apesar de passar muito tempo no gelo, admite que a arbitragem é, para já, a forma como pretende manter-se ligada ao hóquei. “Patino bastante, mas hóquei não faço muito. Jogar hóquei não sei se seria capaz”, confessa.A jovem árbitra acompanha também a evolução da modalidade em Portugal e considera que o crescimento tem sido visível. “Comparado com o ano passado, sinto que o hóquei já cresceu e está a crescer ao longo do tempo. Acredito que vai continuar a crescer cada vez mais”, afirma. Ainda assim, aponta alguns desafios, entre eles o facto de existir apenas uma pista oficial no país, situada na Serra da Estrela, o que obriga muitas equipas a grandes deslocações. “Às vezes condiciona as pessoas, porque nem todos os pais estão disponíveis para fazer essa viagem todos os fins de semana”, refere.Diana destaca igualmente a importância de surgirem mais árbitros para acompanhar o desenvolvimento da modalidade. “Quanto mais pessoas aparecerem para apitar e conhecer as regras, mais a modalidade também se desenvolve”, sublinha.Ser mulher num contexto ainda maioritariamente masculino nunca foi um problema. “Na maioria das coisas que fiz no desporto era quase sempre das únicas ou a única mulher. Isso nunca me afetou. Até acho interessante ser a primeira”, diz, acreditando, no entanto, que mais mulheres poderiam envolver-se no hóquei no gelo. “Às vezes falta incentivo. Algumas pessoas podem ter oportunidade, mas pensam: ‘sou a única mulher’, e acabam por não avançar.”Quanto ao futuro, a jovem admite que gostaria de continuar ligada à arbitragem, mas não descarta a possibilidade de procurar oportunidades fora do país. “Gostava de trabalhar no estrangeiro durante alguns anos. Ainda sou nova e quero aproveitar as oportunidades que aparecerem”, afirma. Para Diana Moreira, a atitude perante os desafios é clara: “Tentar é sempre muito melhor do que desistir.”.Como Portugal tenta entrar no mapa dos desportos de inverno .O tempo dos desportos de Inverno