José Mourinho e a continuiddade de Sérgio Oliveira: "Para o comprar, não sei se o meu VISA permite..."

Treinador da Roma falou ainda de São Patrício...à margem de uma aula na Faculdade de Motricidade Humana.

José Mourinho gostava de continuar com Sérgio Oliveira na AS Roma, mas há limites! "É do FC Porto... se me quiserem emprestá-lo como já emprestaram, eu vou já buscá-lo a Madrid, onde está a festejar o seu 30.º aniversário. Para o comprar, não sei se o meu VISA permite...", disse o treinador português esta sexta-feira, à margem de uma aula no curso pós-graduação em High Performance Football Coaching na Faculdade de Motricidade Humana, que formou o setubalense há mais de 20 anos.

Mais a sério, o técnico lembrou que o médio emprestado pelos dragões foi "importante" durante a época: "Tem muitos princípios que partilha comigo, de como se deve estar no futebol, como se deve trabalhar. Ajudou-me a passar a mensagem nesta segunda metade [da época], foi um exemplo do que precisávamos, de jogadores de equipa, que é algo muito mais importante que o individual. Gostava muito que continuasse connosco, mas veremos."

A opção de compra do passe de Sérgio Oliveira, no valor de 13 milhões de euros, tinha se ser acionada até 31 de maio e não foi, pelo que, para já, o médio regressará ao FC Porto, já que tem contrato até 2025.

Quem também foi muito importante na equipa romana e na conquista da Liga Conferência foi Rui Patrício. "Quem vai continuar connosco é o San Patrício, como é conhecido em Roma. Por alguma razão é chamado assim. Alguns tiveram a heresia de dizer que não era titular na seleção por ter cometido muitos erros na AS Roma...", rematou o técnico, que se conteve para não entrar no assunto "seleção", como tinha avisado no início da conferência de Imprensa, onde também não quis falar de Benfica, Sporting ou FC Porto.

"Vão ter de me aturar mais uns anos"

Mourinho vive no clube romano uma realidade diferente daquela que viveu no Chelsea, por exemplo, onde estalava os dedos e os reforços apareciam. E por isso, na opinião dele, tanto ele como a equipa romana, merecem "mais valor" do que lhes dão. Diferente não quer dizer pior: "É bom agarrar em miúdos de dezoito anos que há meses atrás estavam na equipa B e que passados uns meses jogam uma final Europeia e são chamados às suas seleções. É gratificante. É por isso que digo que a minha carreira é longa, longa, longa e é riquíssima em experiências diversas. Este perfil de clube e este perfil de projeto enriquecem-me."

Dias depois de conquistar a Liga Conferência, com a equipa romana, o treinador garantiu que é "o mesmo, ganhando ou não" e que dá a "cara, seja depois de vitórias ou derrotas", embora "alguns" queiram fazer dele "diferente" - referindo-se aos jornalistas. E se alguém tem dúvidas da motivação de Mou, ele avisa que está "no princípio da carreira". Essa foi aliás uma das mensagens que passou aos alunos. "Disse-lhes que podem ser 10, 15 ou 20 finais, que não muda nada. Alguns gostam de vender uma imagem diferente, mas eu nunca tentei esconder nada daquilo que sou e daquilo que penso. Disse abertamente que, esta final, que foi a 18.ª, salvo erro, não mudou nada relativamente à primeira, que salvo erro foi a Taça UEFA com o FC Porto", recordou, dizendo mesmo que os 90 minutos do jogo, seja uma final ou não, são aqueles em que se sente "mais tranquilo", porque "não há tempo para sensações e emoções".

Aos olhos de quem vê de fora, este Mourinho parece mais "emocional" do que o de início de carreira. Será assim? "Passaram 18 ou 19 anos, e nada mudou. Comparando com aquilo que eu era há 20 anos, ao nível da motivação, da maneira como vivo a minha profissão, não mudou nada. Ainda estou no princípio da carreira. Se mudou, foi para melhor. Aprendi com erros, com experiências, foi mudando com as experiências vividas. Fui-me lembrando cada vez mais de algo que me foi dito na primeira aula neste anfiteatro pelo professor Manuel Sérgio, que uma vez me disse que não iria treinava jogadores de futebol, mas sim jovens ou homens que jogavam à bola. Pode parecer banal, mas é algo genial de um professor genial", respondeu, sem esconder que isso fez dele cada vez melhor pessoa e melhor treinador.

"Umas vezes ganhamos mais, outras menos, mas a essência podemos sempre moderar. Sinto-me jovem. Vão ter de me aturar mais uns anos", reforçou o técnico, que aos 59 anos, tem 26 títulos no currículo, entre eles cinco troféus europeus.

"O treinador português não existe"

Questionado sobre o sucesso dos treinadores portugueses, José Mourinho surpreendeu ao dizer que "o treinador português não existe". Para ele existem apenas treinadores. "Não consigo identificar os treinadores portugueses e não portugueses. Não consigo identificar os treinadores jovens e os velhos, não consigo identificar os treinadores defensivos e ofensivos. Para mim só existe uma coisa: treinador! Depois há os que ganham mais vezes e menos vezes, mas a única que consigo identificar é o conceito que para mim é cada vez mais um conceito muito, muito bonito, que é o conceito do que é ser treinador", disse, sem esconder que é "faccioso" e "sanguíneo" e destacando José Peseiro e José Morais.

Mourinho não sabe, nesta altura, se é o treinador "ideal" para a AS Roma ou se a AS Roma é o clube "ideal" para Mourinho, mas há uma coisa que pode garantir: "Adoro estar lá. Obviamente que não adoro quando perco, e ali perco mais vezes do que noutros sítios. Não adoro quando começa o mercado e não posso ir à Avenida da Liberdade. Tenho que ir a outro sítios. Mas adoro e adoro porque me adoram. Adoro porque estabeleci uma relação de empatia grande com quem está dentro e fora do clube. A vida é curta e é importante que as pessoas se sintam o melhor possível."

E sem ilusões. O título pode ainda ter de esperar mais um ano. "Sinto-me bem ali, ninguém me mentiu, ninguém me levou ao engano, ninguém me prometeu que ia ter muitos zeros para poder investir. Até agora tudo o que me prometeram foi cumprido. Espero que nos dois anos mais que tenho de contrato as promessas continuem a ser cumpridas para irem na direção de evolução. Não na direção de títulos, de ganhar isto ou aquilo, mas na direção de fazer da Roma um clube maior e aproximar a Roma daqueles que em Itália ganham mais vezes. Se me dizem que tenho uma história diferente e porque é que estou ali? Estou ali porque gosto e é importante estarmos em sítios em que gostamos de estar", revelou José Mourinho.

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