Jorge Jesus remete caso Ronaldo para segundo plano: "Li o comunicado e agora faço como todos os dias"
Gerardo Santos

Jorge Jesus remete caso Ronaldo para segundo plano: "Li o comunicado e agora faço como todos os dias"

Selecionador nacional não comentou as acusações do capitão da Seleção e garantiu que vai concentrar-se no trabalho na Cidade do Futebol, depois da longa explicação deixada por Cristiano Ronaldo.
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Jorge Jesus não quis prolongar, esta quarta-feira, 7 de outubro, a polémica com Cristiano Ronaldo. À saída de casa, o selecionador nacional confirmou que leu o comunicado divulgado pelo capitão da Seleção, mas recusou comentar directamente as acusações feitas pelo jogador.

«Li o comunicado e agora faço como todos os dias. Vou para a Federação trabalhar, pensar na equipa», afirmou Jorge Jesus, remetendo o assunto para segundo plano e deixando claro que não pretende, para já, alimentar publicamente a divergência.

A curta declaração surge depois de Cristiano Ronaldo ter quebrado o silêncio sobre a saída antecipada da concentração portuguesa, durante a mais recente janela da Liga das Nações. O jogador assumiu que não deveria ter abandonado o estágio, pediu desculpa aos companheiros, aos adeptos e aos portugueses, mas sustentou que a decisão resultou de uma “quebra de confiança” na relação com o selecionador.

No comunicado, Ronaldo afirmou que Jorge Jesus lhe tinha apresentado, no início do trabalho conjunto na Seleção, um plano de gestão física e de utilização nos jogos. Segundo o futebolista, esse entendimento acabou por ser alterado no encontro com a Noruega, quando lhe terá sido comunicado que entraria para jogar cerca de meia hora. O capitão começou a aquecer ainda durante a segunda parte, mas não foi utilizado.

Ronaldo considerou que o selecionador lhe faltou à palavra e explicou que esse episódio esteve na origem da tensão que se seguiu. O avançado descreveu depois uma reunião com Jorge Jesus e com Simão Coutinho, diretor desportivo do Al Nassr, na qual, de acordo com a sua versão, teria ficado acertado que o selecionador esclareceria publicamente o sucedido antes do jogo com a Dinamarca.

O capitão revelou mesmo os oito pontos que diz terem sido preparados para essa intervenção, entre os quais a ideia de que nunca exigiu minutos de jogo, que respeitou as opções técnicas e que tinha sido um erro colocá-lo a aquecer sem o utilizar. Ronaldo entendeu que a conferência de imprensa de Jorge Jesus não correspondeu ao que fora combinado em privado e decidiu abandonar a concentração.

Apesar das críticas, o jogador de 41 anos deixou uma porta aberta ao regresso. «Se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível», escreveu, sublinhando que pretende continuar a competir por Portugal.

Ronaldo defendeu ainda que a Federação Portuguesa de Futebol deve avaliar e punir a sua saída do estágio, sem atenuantes pelo seu estatuto. “Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante”, reconheceu.

Jorge Jesus, que nos últimos dias já tinha admitido a possibilidade de Ronaldo voltar à Seleção, optou agora por não desenvolver o tema. Perante um caso que continua sem uma resposta oficial detalhada da FPF, o selecionador deixou uma mensagem de concentração no trabalho e na equipa.

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