Jogadoras dos EUA metem federação em tribunal por discriminação salarial

Campeãs do mundo, norte-americanas querem ganhar o mesmo que os futebolistas masculinos

Cinco jogadoras da seleção norte-americana de futebol processaram a federação dos EUA por discriminação salarial, exigindo ser remuneradas ao mesmo nível dos internacionais masculinos, noticiou esta quinta-feira o New York Times e confirmaram as atletas no canal televisivo NBC.

"Acho que temos provado o que valemos ao longo dos anos. Acabámos de ganhar o Campeonato do Mundo e a diferença dos prémios entre homens e mulheres é enorme", denunciou Carli Lloyd, que foi designada melhor jogadora do Mundial de 2015, realizado no Canadá, e ganhou o prémio FIFA de melhor jogadora do ano.

Além de Lloyd, a queixa foi subscrita pelas internacionais Megan Rapinoe, Rebecca Sauerbrunn, Hope Solo e Alex Morgan, que também integraram a seleção dos Estados Unidos que conquistou o terceiro título mundial, em sete edições da competição.

"Os números falam por si só. Nós somos as melhores do mundo, temos três títulos mundiais, quatro Jogos Olímpicos, e a federação paga mais à seleção masculina apenas para mostrar-se do que nós somos pagas por ganhar os principais campeonatos", apontou a guarda-redes Hope Solo.

Nos EUA, o salário mínimo anual praticado na liga feminina de futebol é pouco superior a 6800 dólares (6000 euros) e as principais estrelas ganham à volta de 60 mil dólares (53 mil euros), que é o salário mínimo praticado na liga masculina (MLS). O jogador masculino mais bem pago na liga norte-americana é o brasileiro Kaká, que recebe cerca de 7,1 milhões de dólares (6,3 milhões de euros).

"Este é o caso mais forte de discriminação contra atletas femininas, em violação de lei, que eu já vi", afirmou o advogado Jeffrey Kessler, que representa as jogadoras.

A federação norte-americana recusou comentar a queixa apresentada pelas futebolistas na Comissão para a Igualdade de Oportunidades no Emprego, por ainda não ter tido conhecimento dos seus fundamentos, mas já se manifestou "desiludida e contrária a esta iniciativa", lembrando "o papel desempenhado em prol da evolução do futebol feminino nos EUA nos últimos 30 anos".

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