João Pina continua no tatami, como selecionador e professor

Bicampeão europeu deixou a alta competição em 2014, após lesão grave. Foi convidado para integrar a equipa técnica nacional e viveu medalha de Telma Monteiro como se fosse dele

"O fim da carreira é sempre complicado e por vezes somos assaltados por alguma desorientação e o convite da federação para integrar a equipa técnica nacional, juntamente com Marco Morais, João Neto e Michel Almeida, ajudou-me bastante", explica ao DN João Pina, que colocou um ponto final na carreira de judoca em 2014, pouco depois de ser bicampeão europeu (2010 e 2011).

Agora divide os dias entre as aulas de judo, como professor, e os treinos como selecionador nacional de juniores. "Neste momento estou à espera de rescindir contrato com a federação. No início do ano houve eleições e esta nova direção decidiu mandar embora alguns treinadores da equipa técnica nacional: eu, o Nuno Delgado... E, portanto, nesta altura estou à espera, mas dentro de dois meses o contrato acaba e a partir daí não sei, mas sei que continuarei ligado ao judo", contou ao DN, sem confirmar se o próximo destino pode ser Alvalade: "Sporting? Quem sabe..."

Desde que João Pina assumiu o cargo de selecionador de juniores, Portugal conseguiu resultados de exceção e num curto espaço de tempo. Mariana Esteves (52 kg) foi bronze no Mundial 2015, João Martinho (81 kg) e Joana Diogo (48 kg) conquistaram o bronze e prata, respetivamente, no Europeu 2015, e Anri Egutidze (81 kg) foi prata no Europeu 2016. "Os resultados falam por si", diz o ex-atleta olímpico, mas isso não foi o suficiente para o segurar no lugar.

Se existe ou não mágoa por não ter ouvido sequer uma explicação para a saída, o tempo o dirá, mas, para já, o ex-judoca olímpico não quer perder tempo com isso. "A vida é assim, é uma opção... nova direção, novas ideias e novas pessoas. Por mim, posso dizer que o trabalho compensou imenso, dediquei--me de corpo e alma e, apesar de nunca estar satisfeito, porque quero sempre mais e acho que poderíamos ter mais uma ou outra medalha, acho que tivemos mais resultados. Nesse aspeto, sinto-me muito realizado", confessou, lembrando que no tempo dele de atleta "também se ganhavam medalhas, mas eram mais espaçadas".

Título nacional aos 12 anos

Tinha 32 anos e custou "bastante" colocar um ponto final nos combates sobre o tatami. No entanto, hoje sente que tomou a "decisão certa", porque "fisicamente já não tinha condições para a alta competição e para os objetivos que tinha". Ainda tentou iniciar o ciclo para os Jogos do Rio 2016, mas o corpo já não o deixou continuar a sonhar: "Fiz um estágio de um mês no Japão e, quando voltei, tive de ser operado outra vez ao joelho e as dores nas costas já não me deixavam treinar como antes, tinha bastantes dores, resultado de várias hérnias, tanto a nível cervical como lombar e, perante isso, achei que ia ser complicado, ia colocar mais em risco a minha saúde e não ia conseguir bons resultados. Eu queria, mas o corpo não deixou."

No período de reflexão e indecisão surgiu o convite da federação e João Pina achou que era a altura ideal para parar. Primeiro começou como treinador de cadetes, depois como selecionador dos juniores e sempre a dar apoio à equipa técnica nacional no projeto do Rio 2016, onde Telma Monteiro conquistou a única medalha (bronze) para o desporto nacional.

Ir aos JO como técnico foi uma experiência "diferente", mas vivida com "a mesma intensidade, vontade, nervosismo e adrenalina" de antes, coroada com "aquele momento único da Telma": "O momento da medalha foi lindo, foi o resultado de uma vida, de sofrimento e superação da Telma, que para mim é a melhor atleta de sempre."

A experiência como atleta e professor de judo deu-lhe "uma boa bagagem para fazer um bom trabalho como treinador" e ele promete tentar que os jovens que treinam "consigam ser melhores" do que ele foi. E não é fácil igualar os dois títulos europeus, os cinco campeonatos nacionais, as três presenças olímpicas (7.º lugar em Atenas 2004, 13.º em Pequim 2008 e um 17.º em Londres 2012) e as 12 medalhas conquistadas em Taças do Mundo, GrandPrix e Grand Slam. De todos, o momento que não lhe sai da memória é o primeiro título nacional. "Tinha 12 anos e foi um momento muito bom e muito feliz para mim. Representa muito pouco, mas para mim significou muito", confessou.

Os piores momentos da carreira, esses, foram da responsabilidade das lesões, que levaram a que a despedida "não tenha sido tão boa como esperava".

Projeto social desde 2012

O judo tem salvo de "caminhos desviantes" muitos miúdos, que acabam por ver na modalidade "um projeto de vida". Foi a pensar nisso que, em 2012, quando estava no auge da carreira, juntamente com Joana Ramos e Sérgio Olenic, e alguns professores, fundou o Instituto do Judo, uma associação desportiva sem fins lucrativos, "com o objetivo de implementar projetos sociais em zonas mais carenciadas da região de Lisboa".

Neste momento têm projetos nas zonas de Chelas e da Damaia. "Damos aulas de judo a crianças dos 4 aos 14 anos e no Natal organizamos um torneio com 300 ou mais miúdos. Está a correr muito bem, há muitas crianças e jovens a praticar judo e isso é espetacular", disse ao DN, lembrando que, apesar de hoje em dia um quimono já não ser assim tão caro, comparado com o que era, "para as crianças em causa tudo é caro". E, portanto, esta é "uma forma de "ajudar um bocadinho".

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