Volvo Ocean Race vai a meio mas está a recomeçar outra vez

A frota de sete barcos concorrentes na Volvo Ocean Race - VOR, a maior regata à vela de volta ao mundo - regressa hoje ao mar, para a 8ª etapa da competição, que ligará Itajaí (Brasil) a Newport (EUA)

Na prática a regata está a voltar ao princípio porque apenas um ponto separa agora os dois primeiros classificados (ver tabela no fim deste texto). Até partirem de Auckland (Nova Zelândia) para Itajaí, os espanhóis do Desafio Mapfre seguiam na liderança com alguma folga. Mas a etapa revelou-se um desastre para a equipa liderada pelo basco Xabi Fernández: um problema grave no mastro destruiu a vela grande. Xabi e os seus companheiros viram-se obrigados a parar para reparações durante cerca de 13 horas no Cabo Horn (extremo sul da América Latina). E depois, quanto seguiram do Horn até ao Brasil, foram caíndo em sucessivas calmarias, o que converteu o atraso de 13 horas em cinco dias. O Desafio Mapfre chegou ao Brasil em quinto lugar, enquanto a equipa que seguia em segundo lugar, Dongfeng, do skipper francês Charles Caudrelier, tinha chegado em segundo. Isto permitiu ao Dongfeng passar para a frente da classificação geral - mas com um ponto apenas de vantagem sobre os espanhóis. A etapa durou tanto tempo para o Mapfre que a tripulação teve de passar fome nos últimos dias no mar. A dispensa não estava fornecida para 21 dias no mar.

Todos os sete barcos estarão este domingo na linha de partida - inclusivamente o Scallywag, protagonista na etapa anterior do acidente mais grave da regata: a morte de um dos seus velejadores, o veterano britânico John Fisher, que caiu ao mar no Pacífico Sul e nunca mais foi encontrado. O Scallywag - com o português António Fontes a bordo - desistiu da etapa e rumou ao Chile. Depois, uma tripulação de substituição - tendo a bordo a portuguesa Mariana Lobato, mulher de Fontes - trouxe-o para Itajaí, onde só chegou na sexta-feira. O pessoal do Boatyard (estaleiro) da VOR teve de trabalhar em tempo recorde para proceder a uma revisão geral ao barco.

Entretanto, o Team Brunel, com o holandês Bouwe Bekking como skipper a fazer a sua 9ª volta ao mundo, "regressou" à competição, depois de uma primeira metade desastrosa . Venceu a etapa Auckland-Itajaí (de pontuação dupla) e foi também o primeiro a passar pelo Cabo Horn, o que lhe deu mais dois pontos extra. Ou seja: fez todos os pontos que podia fazer e subiu na geral de 6º para 3º lugar. Já na edição 2014-2015 isto tinha acontecido com Bekking - uma primeira metade desastrosa, uma segunda excelente.

Para quem a regata parece ter terminado - pelo menos no que toca a ambições de lugar final no pódio - é para a equipa Vestas. Ao todo, a equipa do skipper norte-americano Charlie Enright, já falhou quatro das sete etapas. As primeiras três, porque na chegada a Hong Kong danificaram gravemente o barco quando colidiram com uma traineira chinesa (o que provocou a morte de um pescador). Na última, voltou a acontecer porque partiram o mastro quando passavam ao largo das Falkland.

5700 milhas (10,4 mil quilómetros) separam Itajaí de Newport. A etapa exige bastante navegação dado que inclui vários quebra-cabeças atmosféricos, nomeadamente as calmarias do equador.

Classificação geral
1. Dongfeng - 46 pts
2. Mapfre - 45
3. Brunel - 36
4. Akzonobel - 33
5. Scallywag - 26
6. Vestas - 23
7. Turn The Tide On Plastic - 20

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