Kequyen Lam é o porta-estandarte português na abertura

O esquiador Kequyen Lam, um dos dois representantes portugueses nos Jogos Olímpicos de Inverno PyeongChang2018, vai ser o porta-estandarte luso na cerimónia de abertura da competição, agendada para sexta-feira, anunciou o Comité Olímpico Português (COP).

"O Kequyen é um estreante em Jogos Olímpicos, mas está totalmente envolvido no espírito da missão, como também está o Arthur Hanse. Há quatro anos foi o Arthur o porta estandarte, pelo que considerámos que seria justo atribuir esta missão ao Kequyen", disse o Pedro Farromba, o chefe da missão portuguesa, em declarações à assessoria de imprensa do COP.

Farromba, que preside à Federação Portuguesa de Desportos de Inverno, considerou ainda que a escolha de um atleta que vive no Canadá, "foi também uma forma de homenagear os milhares de portugueses que vivem" naquele país.

Portugal vai estar, pela primeira vez, representado em duas modalidades nos Jogos Olímpicos PyeongChang2018, com Arthur Hanse, no esqui alpino, e Kequyen Lam, em esqui de fundo.

Arthur Hanse, que vive em França, vai disputar as provas de slalom gigante e slalom, em 18 e 22 de fevereiro, respetivamente, quatro anos depois de, na estreia olímpica, não ter terminado ambas as provas de esqui alpino.

Kequyen Lam, antigo snowboarder de 38 anos, nasceu em Macau e vive no Canadá, vai competir na modalidade de cross country (15 km), uma das vertentes do esqui nórdico.

Os Jogos Olímpicos de Inverno PyeongChang2018 vão disputar-se entre sexta-feira e 25 de fevereiro.

.

Exclusivos

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.