Seleção integra grupo principal da nova prova da UEFA

Portugal integra a liga A, divulgou esta quarta-feira o organismo que tutela o futebol europeu, um dia depois de ficar concluída a qualificação europeia para o Mundial 2018, que confirmou o alinhamento

Para além da seleção portuguesa, que ao derrotar na terça-feira a Suíça por 2-0, no Estádio da Luz, garantiu o apuramento direto para a fase final que decorrerá na Rússia, figuram ainda neste grupo a Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Inglaterra, Suíça, Itália, Polónia, Islândia, Croácia e Holanda.

A UEFA informou que as seleções serão divididas em quatro grupos de três equipas, com os vencedores de cada um desses grupos a seguirem depois para a fase final da Liga das Nações, composta por meias-finais, jogo de atribuição do terceiro lugar e final, a disputar em junho de 2019.

O organizador da fase final será conhecido em dezembro de 2018, sendo um dos quatro países finalistas.

Em sentido oposto, os quartos classificados dos grupos serão despromovidos à Liga B para a edição de 2020. As quatro seleções mais bem classificadas não apuradas para o Euro 2020 disputarão em março desse ano um play-off para lutar por uma vaga na fase final.

A Liga B é composta pela Áustria, País de Gales, Rússia, Eslováquia, Suécia, Ucrânia, República da Irlanda, Bósnia e Herzegovina, Irlanda do Norte, Dinamarca, República Checa, Turquia, enquanto na Liga C figuram a Hungria, Roménia, Escócia, Eslovénia, Grécia, Sérvia, Albânia, Noruega, Montenegro, Israel, Bulgária, Finlândia, Chipre, Estónia e Lituânia.

Azerbaijão, Macedónia, Bielorrússia, Geórgia, Arménia, Letónia, Ilhas Faroé, Luxemburgo, Cazaquistão, Moldávia, Liechtenstein, Malta, Andorra, Kosovo, São Marino e Gibraltar compõem a Liga D.

Segundo a UEFA, para determinar os alinhamentos, as 55 seleções foram divididas de acordo com a respetiva posição no 'ranking' após a conclusão da qualificação europeia para o Mundial, não sendo para tal considerado os resultados do play-off, que ainda vai decorrer.

O sorteio da fase de grupos da Liga das Nações será em 24 de janeiro de 2018, em Lausana, na Suíça, decorrendo as jornadas entre 06 e 08 de setembro e 18 e 20 de novembro desse ano.

No início de dezembro serão sorteadas as meias-finais, decorrendo a fase final de 05 a 09 de junho de 2019.

As seleções em grupos de três jogarão em quatro das seis jornadas e caso a decisão do Comité Executivo da UEFA se mantenha por ocasião do sorteio, a Rússia e Ucrânia não poderão ser sorteadas para o mesmo grupo, o mesmo sucedendo com a Arménia e o Azerbaijão.

O sorteio do play-off de apuramento para o Europeu de 2020 está marcado para 22 de novembro de 2019 e os jogos decorrerão em 26 e 31 de março de 2020.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.