Poiares Maduro na FIFA: "A prioridade é o reforço de transparência"

Ex-ministro vai presidir a conselho de sábios para dar credibilidade e melhorar o funcionamento da FIFA. Figo também escolhido.

Aproximar o funcionamento da Federação Internacional de Futebol (FIFA) das boas práticas exigidas às empresas. Foi este o desafio assumido por Gianni Infantino, quando assumiu o cargo de presidente da FIFA, no final de fevereiro - depois do afastamento de Blatter num escândalo de corrupção que incluiu acusações de gestão danosa, conflito de interesses, entre outros. E para isso vai contar com Poiares Maduro e Luís Figo, nomeados ontem, respetivamente, para o Governance Committee e o Development Committee, no 66.º Congresso, na Cidade do México.

"Acreditamos que tanto Miguel Poiares Maduro como Luís Figo estarão à altura deste desafio, que será muito exigente", reagiu Fernando Gomes ao site da Federação Portuguesa de Futebol, ele que patrocinou a candidatura de Infantino (vem a Portugal em maio, visitar a Cidade do Futebol).

O ex-ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional do governo de Passos Coelho vai liderar o Comité de Governação da FIFA, sendo-lhe entregue a tarefa de "recuperar a credibilidade e reforçar o cumprimento de regras e a transparência", diz ao DN. Trata-se de uma função não executiva, conta o ex-governante, explicando que o seu papel será o de "aconselhar e supervisionar, como uma espécie de conselho de supervisão de empresa, por exemplo verificando checks & balances mas também dando aconselhamento estratégico".

Esse trabalho será feito também em reuniões periódicas, ainda por calendarizar. Porque se trata de um cargo não executivo, Poiares Maduro não deixará a sua vida de professor, a que regressou desde que saiu do governo, no Instituto Universitário de Florença: "Continuarei sobretudo ligado às questões europeias, que são o meu foco, mais com trabalhos de investigação - aulas só dou de doutoramento e pós-doutoramento." E que desafios encontra nas suas novas funções na FIFA? "Reforçar a transparência, o controlo e a responsabilização. O presidente tem esse compromisso."

Poiares Maduro, sabe o DN, foi indicado pela UEFA, cujo diretor de serviços jurídicos conhece e por quem o jurista até já foi consultado, nomeadamente na constituição dos regulamentos do financial fairplay, (um dos grandes projetos de Infantino, quando era secretário geral da UEFA), antes de integrar o governo. Segundo outra fonte, o primeiro contacto entre o ex-ministro e Infantino terá acontecido em Genebra, numa conferência, apenas uma semana antes de o presidente da FIFA o convidar, reconhecendo-lhe a experiência de Advogado-Geral no Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias. Ao seu lado, como vice, Poiares terá Mukul Mudgal, ex-presidente do Supremo Tribunal da Índia. Criado no âmbito das reformas que arrancaram com a nova liderança da FIFA, o conselho de sábios terá até 12 membros.

Quanto a Luís Figo, que chegou a ser candidato à FIFA em 2015, foi nomeado vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento. "Testemunhei episódios, em todo o mundo, que deveriam envergonhar qualquer pessoa que deseje que o futebol seja livre, limpo e democrático", disse o antigo jogador do Real Madrid, para justificar o abandono, antes de ver Joseph Blatter reeleito - e depois afastado do cargo, obrigando a FIFA a ir outra vez a votos. Dessa vez, Figo não avançou e apoiou Infantino, que antes de ser eleito elogiou, ao DN, a matéria prima nacional: "Portugal é um país de futebol. E tem dado ao mundo do futebol alguns dos melhores protagonistas."

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