Maciel brilhou nos relvados nacionais entre 2001 e 2007, ao serviço de União de Leiria, FC Porto e Sp. Braga. Extremo de posição, tinha como principal arma a velocidade, característica que levou José Mourinho a apelidá-lo de ciclista. Hoje, aos 38 anos e sem a rapidez de outros tempos, não joga há mais de meio ano, mas não desiste de voltar a praticar futebol. Paralelamente, vai dando pedalada ao projeto de treino funcional e escola de futvólei na Praia do Norte, em Cabo Frio, no estado brasileiro do Rio de Janeiro, onde reside.."A ideia surgiu quando iniciei a minha paragem. Queria treinar, estava a treinar fundamentos com bola com os meus filhos e esposa, e aí apareceu um conjunto de amigos. Mas como no Brasil é necessário um preparador físico para dar aulas de treino funcional, chamei um professor amigo, Marco Silva, e começámos o projeto. Como tenho a carteira de treinador de futebol, eu dou os fundamentos com bola e ele a parte física", contou ao DN o extremo, que esteve perto de regressar ao futebol português este verão..Esse era o desejo do brasileiro, que teve propostas de União de Leiria, Marinhense e Trofense, mas nos três casos faltou sempre qualquer coisa. "Para o União, conversei com um dirigente, mas não deu certo. No momento em que um dirigente pede a um atleta para estar à experiência depois do que ele fez ao serviço do clube e no futebol português, fica difícil conversar mais. Fiquei chateado, mas entendi que o clube queria jovens. No entanto, quando vi que estão a ser contratados atletas que são mais velhos do que eu, senti que não era por isso", começou por desvendar. "Sobre o Marinhense, não descartei a oferta, pois já fiz muitos golos naquele estádio e seria sempre um prazer atuar lá, mas estive em Portugal apenas durante 20 dias em passeio e a resolver situações e faltaram conversações", acrescentou, revelando também que "não houve acordo" em relação ao convite que surgiu do emblema da Trofa. "Não pedi muito dinheiro e nem falei com os clubes a respeito disso", lamentou, com "muita vontade de jogar"..Sonhou com Champions em Leiria.Maciel chegou a Portugal no verão de 2001, pela porta da União de Leiria, por intermédio do empresário Jorge Baidek e do treinador José Mourinho, uma dupla à qual está extremamente grato. Acerca do técnico, cedo percebeu que estava perante alguém... especial. "Pelos primeiros treinos percebi que era diferente, muito estudioso e sabia o que queria. Acreditávamos no que ele nos passava. Sentíamos que podíamos terminar entre os três primeiros e qualificar-nos para a Liga dos Campeões", recordou o extremo, acerca de uma época na qual o emblema leiriense se intrometeu, durante largas jornadas, nos primeiros lugares. "Mourinho mostrava-nos que ganhar era bom e que nunca podíamos desanimar. Mesmo quem não jogava também estava sempre motivado para ganhar um lugar", aditou..Na temporada seguinte, o treinador já dava pelo nome de Manuel Cajuda, mas também foi memorável, com a presença na final da Taça de Portugal. "Foi muito importante. A equipa sabia que não podia baixar o ritmo, até porque outros clubes tinham os olhos postos na equipa", lembrou, acerca de um encontro que terminou com o triunfo do FC Porto de... Mourinho..Medalha sem vencer Champions.Os caminhos de Maciel e José Mourinho voltaram a cruzar-se em janeiro de 2004, quando o técnico exigiu a contratação do extremo para o plantel do FC Porto. O jogador foi presença assídua nas partidas da I Liga, ganhas pelos dragões, mas por imposição dos regulamentos não pôde atuar na Liga dos Campeões, por já ter alinhado na Taça UEFA nessa época ao serviço da União de Leiria. O brasileiro não foi campeão europeu, mas a estrutura portista não o esqueceu. "Deram-me uma medalha por fazer parte do grupo. Tanto na Champions como na Taça Intercontinental", revelou, nostálgico ao recordar os "bons tempos"vividos ao lado de companheiros como Jorge Costa, Vítor Baía, Maniche, Costinha ou Sérgio Conceição. "Sou feliz e grato", confessou..Contudo, a saída de José Mourinho para o Chelsea também precipitou a de Maciel do plantel do FC Porto. O extremo foi perdendo espaço e acabou por ser emprestado por três vezes, ao Atlético Paranaense, União de Leiria e Sp. Braga. No Minho, em 2006/07, viveu uma das melhores fases da carreira, mas é um gesto da estrutura bracarense que não esquece. "Quando me lesionei, o presidente [António Salvador] e os adeptos apoiaram-me muito, para que recuperasse rápido e voltasse à equipa. Senti que precisavam de mim e é fundamental para um atleta quando presidente e treinador acreditam em ti", confessou ao DN..Sentimental, o extremo brasileiro que em Portugal conquistou um campeonato tem como principais recordações os aplausos dos adeptos dos três clubes pelos quais passou. "Ter os adeptos a aplaudir-me quando fazia golos deixava-me feliz, e os abraços dos companheiros davam-me força para melhorar dia após dia", rematou, ansioso por voltar a fazer o que mais gosta. "Tenho saudades de jogar e tenho a certeza que tenho condições, mas é preciso ter pessoas e dirigentes que acreditem", vincou, à espera que o telefone toque.