Naomi Osaka, a sensação japonesa em Indian Wells

Jovem nipónica surpreendeu Sharapova na primeira ronda, está já nas meias-finais e afirma-se como a nova coqueluche do circuito

Naomi Osaka começou por ser notícia em Indian Wells ao afastar a antiga número 1 mundial Maria Sharapova logo na primeira ronda. E se na altura o foco foi direcionado para mais um acidente de percurso da veterana russa, em dificuldade para regressar ao melhor nível após a suspensão por doping, progressivamente a atenção foi-se centrando na jovem japonesa autora da proeza, à medida que Osaka foi avançando etapas no importante torneio da Florida. Hoje, na sua tentativa de esticar o protagonismo até à final, tem pela frente a líder mundial Simona Halep. Mas, independentemente de o conseguir, parece já ter conquistado o papel de nova coqueluche do circuito feminino.

Aos 20 anos, atualmente no 44.º lugar do ranking WTA (e já com uma subida garantida pelo menos até às portas do top 30), Naomi Osaka tem deslumbrado no torneio californiano de Indian Wells - apontado como o mais importante torneio do calendário a seguir aos quatro do Grand Slam - tanto pelo seu ténis de ataque como pela simpatia e sentido de humor revelados nos contactos com os media e na interação com os fãs.

Em court, esta jovem prodígio, filha de pai haitiano e mãe japonesa que se mudou para a Florida (EUA) aos três anos, é um furacão ofensivo. Em Indian Wells, deixou pelo caminho não só Sharapova como a polaca Agnieszka Radwanska (antiga n.º 2 mundial e finalista em Wimbledon em 2012), a jovem norte--americana Sachia Vickery, a grega Maria Sakkari (outra tenista em ascensão no circuito) e, ontem, nos quartos-de-final, a checa Karolina Pliskova, outra ex-líder mundial (atualmente 5.ª), por 6-2 e 6-3.

Ao talento, a tímida Naomi, nascida em Osaka, junta uma personalidade cativante, seja na forma como lida com os seus próprios receios (como a inibição em falar japonês em público, por medo de ser gozada), na partidas que pega ao treinador Sascha Bajin (o ex-hitting partner de Serena Williams, Victoria Azarenka e Caroline Wozniacki quis saber como se dizia "idiota" em japonês e acabou a chamar sapato - "kutsu" - a toda a gente), ou na humildade revelada ("como poderia eu zangar-me a jogar contra Sharapova? Seria desrespeituoso", comentou sobre os momentos tensos da partida frente à russa).

A japonesa não esconde a ambição de fazer história no ténis. "Não quero ser a "primeira desde" a fazer algo. Quero ser a "primeira de sempre"", reagiu quando lhe disseram que era a primeira japonesa a chegar aos quartos de Indian Wells desde 1996. Não demorou muito a consegui-lo: é a primeira de sempre a chegar às meias-finais. E a sua história promete não ficar por aqui.

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