Dois homens e oito mulheres na luta pelo n.º 1 no US Open

É uma grande e imprevisível roleta. Nadal, Federer, Halep, Muguruza e Svitolina só dependem de si para chegar à liderança

Um ano tão atípico e surpreendente só podia chegar assim ao último torneio do Grand Slam da temporada: há dois homens e oito mulheres na luta pelo n.º 1 dos rankings mundiais, à partida para um US Open de desfecho completamente imprevisível. E a lista até sofreu uma redução de última hora, com o anúncio da desistência do escocês Andy Murray, que também tinha aspirações à liderança mundial mas ainda não está totalmente recuperado de uma lesão na anca. O major nova-iorquino começa amanhã.

É caso para dizer: façam as vossas apostas, antes da grande e imprevisível roleta começar a girar. Rafael Nadal e Roger Federer, no quadro masculino, Simona Halep, Garbiñe Muguruza e Elina Svitolina, no quadro feminino, só dependem de si próprios: se vencerem o US Open, saem de Flushing Meadows no cimo da hierarquia mundial. Em qualquer dos outros cenários - com Pliskova, Wozniacki, Konta, Kuznetsova e Venus Williams à mistura -, a discussão é feita ponto a ponto, em função da progressão de cada tenista na prova (ver tabelas com a simulação da evolução de cada candidato/a, ronda a ronda).

A situação é bastante rara, própria de um ano atípico como este 2017. Os anteriores líderes da tabela masculina, Andy Murray e Novak Djokovic (ambos lesionados, não estarão em Nova Iorque), colapsaram, abrindo a porta à (re)ascensão dos veteranos Nadal e Federer. E o circuito feminino ficou órfão de Serena Williams (em pausa competitiva, para ser mãe), sem que Kerber e Pliskova fossem capazes de conservar o trono por muito tempo. Resultado? Chega-se ao US Open com uma miríade de possibilidades, na luta pelos n.os 1 ATP e WTA.

Entre os homens, as contas são relativamente simples: Rafael Nadal e Roger Federer ficam no topo da hierarquia em caso de vitória. Nove anos depois de se ter estreado como n.º 1, Nadal voltou na semana passada à liderança da tabela ATP. E, com os dois principais rivais a debaterem-se com limitações físicas, está em boas condições para continuar por lá - tem 320 pontos de avanço sobre Federer e 575 sobre Murray (já descontados do ranking atual os pontos do US Open 2016 que expiram com a realização do torneio deste ano). Mesmo que não vença o major nova-iorquino, o espanhol conserva o trono se for finalista e Federer não vencer o torneio; se for semifinalista, sem que o suíço vá à final; se cair entre a 2.ª ronda e os quartos-de-final e Federer não chegar às semi-finais; ou se ficar pela 1.ª ronda mas o helvético não for além da 4.ª ronda.

O suíço Federer só alimenta a ambição de voltar ao n.º 1 mundial (posição que ocupou pela última vez em novembro de 2012) se for além dos quartos-de-final e alcançar, no mínimo, mais uma vitória no torneio do que Nadal. Já o escocês, que alimentava a esperança do regresso aos courts no US Open, vê a lesão na anca roubar-lhe as hipóteses de recuperar o trono perdido.

Líder Pliskova não depende de si

Entre as mulheres, as contas são ainda mais complicadas: tão complexas que a alemã Angelique Kerber, n.º 1 até julho e atual 6.ª classificada do ranking WTA, não tem hipóteses de voltar ao topo... mas há oito tenistas que têm. Ao serem-lhe descontados os 2000 pontos da vitória no US Open do ano passado, a germânica passa a somar 3146 e fica sem chances de chegar à liderança.

De igual modo, a atual n.º 1, Karolina Pliskova, perde os 1300 pontos de finalista vencida em 2016 e, reduzida a 5090, já não depende exclusivamente de si para conservar o trono. As perseguidoras Simona Halep (5995), Garbiñe Muguruza (5790) e Elina Svitolina (5400) "só" precisam de conquistar o torneio para serem coroadas líderes pela primeira vez. A romena até pode cair na 1.ª ronda (enfrenta a regressada Maria Sharapova) e terminar na frente, se todas as principais adversárias tombarem cedo. A espanhola alimenta aspirações de passar a 3.ª ronda. E a ucraniana pode sonhar se progredir além dos quartos-de-final.

No entanto, Pliskova, n.º 1 desde julho, pode conservar a coroa caso vença o US Open (e Halep ou Muguruza não cheguem à final). Ou caso seja finalista vencida e o título não vá para Halep, Muguruza, Svitolina, Wozniacki ou Konta.

Depois, tanto Caroline Wozniacki e Johanna Konta como Svetlana Kuznetsova e Venus Williams têm chances remotas de chegar ao cimo da hierarquia, desde que vençam o torneio e haja uma hecatombe generalizada das primeiras da tabela. Parece improvável? Pois, mas numa época tão atípica e surpreendente como esta tudo pode acontecer.

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