Atromitos. O inesperado e destemido líder da Liga grega

Equipa da zona de Atenas vai surpreendendo os históricos do país. Formação do austríaco Damir Canadi não sofre golos há sete jornadas e leva cinco vitórias consecutivas
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Atromitos significa destemido, ou sem medo, e é também o nome do inesperado líder do campeonato grego, à passagem da 9.ª jornada. O clube de Peristeri (área metropolitana de Atenas), fundado em 1923, com apenas 18 presenças na I Divisão e dois terceiros lugares (1927-28 e 2012-13) como melhor classificação de sempre, tem surpreendido tudo e todos neste arranque de temporada - o melhor da história do emblema, com os mesmos 19 pontos alcançados em 2011-12, mas uma melhor diferença de golos (11-3 contra 11-6).

Depois de quatro empates nas quatro primeiras rondas, a equipa que já foi orientada pelo português Ricardo Sá Pinto (entre setembro de 2014 e fevereiro de 2015, e entre fevereiro e junho deste ano) iniciou uma série de cinco vitórias consecutivas, que incluiu triunfos nos redutos dos poderosos Olympiakos e AEK, ambas por 1-0. Derrotas, essas, nem vê-las - nem contabilizando os dois jogos na Taça -, o que faz do conjunto orientado pelo austríaco Damir Canadi, de 47 anos, o único ainda invicto.

"É um momento histórico para o clube. O sucesso deve-se a vários fatores. No verão, tomámos as decisões certas, houve 15 saídas e 18 entradas para haver renovação. Há uma nova energia no clube e todos têm muita vontade em ter sucesso. O trabalho diário está a ser muito bom. Estamos no topo da tabela, mas isto é temporário", assumiu o técnico, ao jornal Wiener Zeitung, do seu país.

E esse trabalho diário tem focado (e muito) a vertente defensiva, o que ajuda a explicar os 651 minutos sem sofrer golos. Para este período de inviolabilidade muito contribuiu a troca, na baliza, do sérvio Nikola Mirkovic pelo promissor grego Andreas Gianniotis, que desde que foi lançado - há sete partidas (e 630 minutos) - ainda não sofreu qualquer golo.

"Não é normal chegares a Atenas, vindo da Áustria, e conseguires convencer todos os jogadores. Mas tem funcionado e os jogadores sabem exatamente o que quero deles", confessou Canadi, que no país natal orientou Altach - carrasco do V. Guimarães na Liga Europa, em 2015-16 - e Rapid Viena, antes de ter enviado o curriculum vitae para o presidente do Atromitos.

"O diretor desportivo era um grande fã do meu trabalho no Altach [que levou da II Liga à UEFA]. Algo semelhante será criado aqui nos próximos dois ou três anos", revelou o austríaco, fascinado com as condições que encontrou em Peristeri. "Temos um excelente centro de treinos. Isso convenceu-me. É um desafio emocionante e novo. É um novo país para mim, com diferente cultura, idioma e mentalidade. O futebol aqui é vivido de uma forma extremamente intensa, pode ver-se a paixão dos adeptos. É incrível. Quando voltámos do jogo frente ao AEK fomos recebidos por quase 300 adeptos no centro de treinos. Foi esmagador como eles cantaram e comemoraram", disse.

Bónus em caso de título

Todos os jogadores do Atromitos têm no contrato uma cláusula que prevê um prémio por conquista do campeonato - e por levantar a taça e alcançar a qualificação para as provas europeias -, mas o treinador mantém os pés assentes no chão. "Temos o sonho de nos qualificar para as competições europeias. Ficar nos primeiros cinco seria muito bom. Normalmente, os primeiros quatro lugares são atribuídos a Olympiakos, AEK, Panathinaikos e PAOK. Resta o quinto, objetivo de muitas equipas e o nosso também. Vamos esperar e ver se será possível", admitiu, com serenidade.

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